A nova forma de profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável contra o HIV será incorporada ao Sistema Único de Saúde ainda neste ano, conforme informações do Ministério da Saúde. A decisão deve acontecer ainda em 2024 e a primeira oferta será limitada a algumas cidades e a grupos específicos que enfrentam dificuldades com a dose diária em comprimido.
Como funciona a PrEP injetável
O medicamento comercializado como Apretude contém cabotegravir, um antirretroviral que inibe a integrase, enzima essencial para a replicação do HIV. Ao ser administrado por via intramuscular a cada dois meses, ele garante níveis de proteção contínuos sem a necessidade de adesão diária.
Essa característica o diferencia da PrEP oral, que exige a ingestão diária de comprimidos. Para pessoas que têm problemas de esquecimento, rotinas instáveis ou que vivem em contextos de vulnerabilidade, a injeção bimestral pode representar um salto qualitativo na prevenção.
Desafios da incorporação ao SUS
Apesar da recomendação favorável da Conitec em agosto, a implementação enfrenta barreiras logísticas e de financiamento. A quantidade inicial prevista será pequena, o que implica que apenas alguns municípios receberão o medicamento nas primeiras semanas.
Os critérios de elegibilidade ainda não foram finalizados, mas o pedido da GSK à Conitec já previa:
- Homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres transgênero;
- Idade entre 15 e 30 anos;
- Peso mínimo de 35 kg;
- Pessoas sexualmente ativas a partir de 15 anos em situação de vulnerabilidade.
Durante a avaliação, a Conitec ampliou o escopo para incluir todos os indivíduos sexualmente ativos a partir de 15 anos que estejam em contextos de maior risco, como quem não tem acesso regular à PrEP oral.
Outro ponto crítico é a definição das prioridades de distribuição. As regras de implementação dependerão da conclusão do processo de incorporação e da capacidade das unidades de saúde de armazenar e aplicar o medicamento, que requer treinamento específico.
Impactos esperados na prevenção do HIV
Se a PrEP injetável for disponibilizada de forma eficaz, o Brasil pode avançar significativamente na redução de novas infecções. Em 2024, o país registrou a maior queda histórica na mortalidade por AIDS, com menos de 10 mil óbitos, resultado de um aumento de 150% na oferta de PrEP oral e de 100% nos testes rápidos.
Com a nova formulação, espera‑se ampliar ainda mais esse progresso, principalmente entre jovens e populações marginalizadas que têm maior dificuldade de manter a adesão ao tratamento diário.
Além de melhorar a cobertura preventiva, a dose bimestral pode gerar economia de recursos a longo prazo, ao reduzir a necessidade de acompanhamento farmacêutico constante e minimizar perdas por esquecimento ou interrupção da terapia.
Entretanto, o sucesso dependerá da comunicação clara das autoridades, da capacitação dos profissionais de saúde e da garantia de que os custos sejam absorvidos pelo SUS, evitando que o preço de R$ 4.000 por dose se torne um obstáculo para a população.
O Ministério da Saúde ainda não divulgou um cronograma detalhado, mas o ministro Alexandre Padilha reiterou que a expectativa é que o medicamento esteja disponível “no braço” dos pacientes ainda neste ano, reforçando o compromisso do governo com a meta de eliminação de novas transmissões.
Em síntese, a PrEP injetável representa um marco tecnológico na luta contra o HIV no Brasil, mas sua efetiva implementação requer planejamento cuidadoso, recursos adequados e estratégias de alcance que priorizem os grupos mais vulneráveis.








