Na manhã de terça‑feira (20), o barril de petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 111, atingindo o nível mais alto dos últimos cinco meses. O aumento ocorreu enquanto tensões militares se intensificam no Oriente Médio, colocando em risco rotas estratégicas de transporte de energia. Analistas apontam que a combinação de ataques recentes e a preocupação com a oferta global está impulsionando a alta dos preços.
Escalada dos conflitos e impacto imediato
Os houthis, grupo armado do Iêmen alinhado ao Irã, declararam ter realizado ataques contra alvos energéticos, aeroportuários e militares da Arábia Saudita na segunda‑feira (19). Entre os alvos citados está uma instalação da estatal saudita Aramco, embora as autoridades de Riad ainda não tenham confirmado a veracidade das alegações.
Esses incidentes ocorreram pouco antes da cotação do Brent chegar a US$ 111,69, representando um salto de 2 % em relação ao início da sessão. O petróleo americano WTI também registrou alta expressiva, subindo 5,7 % para US$ 109,60 o barril.
Além dos ataques diretos, a região tem vivenciado incidentes marítimos que aumentam a percepção de risco. No domingo (18), um petroleiro incendiou‑se e explodiu após colidir com uma mina naval no sul do Estreito de Ormuz, segundo a Guarda Revolucionária do Irã.
Esses episódios alimentam o medo de que a produção e o transporte de petróleo possam ser interrompidos, o que pressiona os mercados a antecipar possíveis rupturas de suprimento.
Rota do Estreito de Ormuz sob ameaça
O Estreito de Ormuz, passagem marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é responsável por cerca de 20 % do comércio mundial de petróleo. Qualquer interrupção nessa rota tem potencial de reverberar nos preços globais.
De acordo com a empresa de análise Kpler, o fluxo diário de petróleo pela região caiu para aproximadamente 8,5 milhões de barris na última semana, comparado a mais de 20 milhões de barris no período anterior. Essa redução representa quase metade da capacidade habitual de transporte.
Especialistas apontam que a diminuição do fluxo pode ser consequência de navios que evitam a zona devido ao risco de ataques, bem como de medidas de segurança mais rígidas impostas pelos países da região.
Enquanto as autoridades sauditas e dos Emirados Árabes Unidos reforçam a presença naval, a comunidade internacional acompanha de perto a situação, temendo que um incidente maior possa desencadear uma crise energética mais profunda.
Reações dos mercados e medidas de contenção
A Agência Internacional de Energia (AIE) declarou estar pronta para coordenar a liberação de reservas estratégicas de petróleo caso a situação se agrave. Na última semana, a AIE acelerou a disponibilização de parte dos mais de 400 milhões de barris anunciados em março, já tendo liberado cerca de 80 % desse volume.
Além disso, a organização trabalha para antecipar a liberação de mais de 20 milhões de barris de diesel, com cronograma dependente da avaliação de cada país membro e das condições de mercado, especialmente diante da chegada do inverno no Hemisfério Norte.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou um programa de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 40,4 bilhões) em auxílio a agricultores para compensar parte dos custos com diesel durante a temporada de colheita. A medida foi apresentada em meio à pressão sobre o custo de vida e à proximidade das eleições legislativas de novembro.
Analistas de energia destacam três fatores principais que podem influenciar o preço do petróleo nas próximas semanas:
- Intensidade dos conflitos no Oriente Médio e possibilidade de novos ataques a instalações energéticas;
- Condições de navegação no Estreito de Ormuz, incluindo riscos de minas e confrontos militares;
- Capacidade de os países membros da AIE liberarem reservas estratégicas de forma coordenada.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também se reuniu com o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu em visita não anunciada a Israel, reforçando a preocupação dos aliados ocidentais com a estabilidade da região.
Em resumo, a combinação de fatores geopolíticos, logísticos e de política econômica está moldando um cenário de alta volatilidade nos mercados de energia. Observadores alertam que, enquanto as tensões permanecerem elevadas, os preços do petróleo tendem a permanecer em patamares superiores ao nível médio dos últimos meses.








