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Paes e Ruas se enfrentam no debate da Globo e revelam estratégias eleitorais no Rio

Na noite de 29 de setembro de 2024, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), disputaram o primeiro debate presencial entre os principais candidatos ao governo do Rio de Janeiro. O evento, transmitido pela TV Globo, marcou um momento decisivo na corrida eleitoral ao colocar frente a frente os dois líderes mais cotados nas pesquisas.

Estratégias de campanha e ataques pessoais

Paes e Ruas adotaram táticas semelhantes ao tentar expor “fantasmas” do adversário. O candidato do PL converteu sua curta trajetória política – deputado estadual de primeiro mandato, ex‑secretário das Cidades e gestor municipal em São Gonçalo – em argumento de renovação, contrapondo‑se ao que chamou de “velha política” fluminense.

Para reforçar a mensagem, Ruas vinculou seu nome ao bolsonarismo, citando temas como as escolas cívico‑militares e a defesa da família Bolsonaro. Essa escolha buscou atrair eleitores que ainda mantêm afinidade com o ex‑presidente Jair Bolsonaro, apesar da queda nas pesquisas estaduais.

Paes, por sua vez, elevou o tom ao associar Ruas a figuras investigadas pela Polícia Federal, como o ex‑governador Cláudio Castro (PL) e o ex‑deputado Rodrigo Bacellar (União). O ex‑prefeito acusou o rival de esconder padrinhos políticos para não ser prejudicado nas urnas.

Além das acusações, Paes questionou a relação da empreiteira de Ruas com obras públicas em São Gonçalo, alegando que o deputado teria se tornado milionário durante seu mandato. A retórica visava neutralizar a estratégia de Ruas de se desvincular dos antigos aliados envolvidos em processos judiciais.

A disputa pelo apoio de Bolsonaro e Lula

Um dos pontos centrais do debate foi a tentativa de Ruas de transferir a rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para Paes, que conta com o apoio do petista. Ruas acusou o adversário de esconder seu padrinho político para não sofrer o efeito “Lula” nas urnas, lembrando que o presidente perdeu o Rio de Janeiro para Bolsonaro em 2022.

Paes, ao contrário, buscou destacar a experiência de gestão, lembrando sua passagem pela prefeitura e pelos projetos de infraestrutura. A única referência direta a Lula ocorreu ao mencionar os investimentos no aeroporto do Galeão, tentando mostrar alinhamento com o governo federal sem se tornar alvo de críticas.

O candidato do PL também tentou nacionalizar a campanha, trazendo à tona a crise de imagem da Assembleia Legislativa, que viu três deputados presos desde dezembro do ano passado. “Atenção Alerj: vai acabar a festa”, gritou Paes, rotulando a casa legislativa de “máfia”.

O papel de Anthony Garotinho e dos demais candidatos

Anthony Garotinho (Republicanos), terceiro colocado nas pesquisas, teve a candidatura barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral devido a uma condenação por improbidade administrativa. Mesmo assim, o ex‑governador manteve presença no debate, alegando que recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral para reverter a decisão.

Garotinho se posicionou como “antissistema” e mostrou maior conforto diante das câmeras, circulando livremente no estúdio e aproveitando o formato para atacar os adversários. Sua estratégia consistiu em usar o discurso de outsider para atrair eleitores desencantados com a política tradicional.

Além dos três principais, participaram William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo). Siri não poupou críticas a Flávio Bolsonaro e trouxe à tona o escândalo do Rioprevidência, que envolveu investimentos de R$ 3 bilhões em fundos ligados ao Banco Master durante a gestão de Cláudio Castro.

Marinho, pouco antes do debate, obteve uma liminar do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, garantindo sua presença no programa. Sua intervenção foi breve, mas destacou a importância das decisões judiciais no cenário eleitoral.

No primeiro bloco do debate, os candidatos responderam a cinco temas sorteados:

  • Transporte público
  • Emprego
  • Saneamento
  • Dívida pública
  • Educação

Os demais blocos foram de tema livre, permitindo que cada candidato aprofundasse suas propostas ou atacasse adversários. O terceiro bloco, dedicado a perguntas do público, trouxe questões sobre segurança e desenvolvimento econômico, áreas em que todos buscaram se diferenciar.

Paes enfatizou a necessidade de ampliar linhas de metrô e melhorar a integração entre ônibus e trens, enquanto Ruas defendeu a criação de corredores de ônibus exclusivos e a implantação de tarifas diferenciadas para trabalhadores.

No que tange ao emprego, o ex‑prefeito prometeu incentivos fiscais para pequenas e médias empresas, ao passo que o deputado estadual sugeriu parcerias público‑privadas para atrair investimentos estrangeiros.

Sobre saneamento, Ruas acusou a atual gestão de negligência e propôs a privatização parcial dos serviços, enquanto Paes ressaltou a importância de investimentos diretos do Estado para garantir universalização.

A dívida pública foi outro ponto de divergência: Paes defendeu a renegociação de contratos externos e a busca de fontes de receita próprias, já Ruas apontou para a necessidade de corte de gastos supérfluos e maior eficiência na administração.

Na educação, ambos concordaram com a ampliação de escolas cívico‑militares, mas diferiram na forma de financiamento. Paes sugeriu recursos federais, enquanto Ruas propôs parcerias com o setor privado.

Ao final do debate, Paes concluiu que a experiência de gestão e a transparência seriam os pilares de sua campanha, enquanto Ruas reiterou seu compromisso com a renovação e a defesa dos valores conservadores.

Os analistas apontam que o debate pode influenciar decisivamente o eleitorado indeciso, especialmente nas áreas periféricas da cidade, onde a disputa por recursos de saneamento e transporte ainda é intensa.

Com a campanha entrando na fase final, a estratégia de atacar o passado dos adversários e de associar-se a figuras políticas de destaque parece ser a tática predominante. Resta observar como o eleitorado responderá a esses ataques e se as alianças com Bolsonaro ou Lula terão peso suficiente para determinar o vencedor.

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