O termo “inteligência artificial” foi cunhado em 1955 nos Estados Unidos por um grupo de cientistas que buscavam criar máquinas capazes de raciocinar como seres humanos. Sete décadas depois, em 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, propôs substituir esse nome por “superinteligência”. A discussão ganhou destaque internacional ao ser apresentada na Assembleia‑Geral da ONU.
A origem do termo e o contexto dos anos 1950
Em 1955, pesquisadores se reuniram no Dartmouth College para discutir a possibilidade de máquinas pensarem. O encontro, patrocinado pela Fundação Rockefeller, reuniu matemáticos, engenheiros e especialistas em lógica.
John McCarthy, então jovem professor de matemática, sugeriu o nome “inteligência artificial” para distinguir o novo campo da cibernética, que estudava o controle de sistemas.
A escolha do termo refletia a ambição de criar programas que imitassem habilidades humanas, como resolução de problemas e aprendizado.
Os participantes não chegaram a um consenso sobre metodologias, mas concordaram que o objetivo seria desenvolver algoritmos que simulassem processos cognitivos.
O Dartmouth Workshop é considerado o marco inaugural da disciplina, embora as ideias já circulassem em círculos acadêmicos desde a década de 1940.
Os pioneiros que moldaram a disciplina
John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester foram alguns dos nomes que mais influenciaram o desenvolvimento inicial da IA.
McCarthy, além de propor o nome, desenvolveu a linguagem de programação LISP, que se tornou fundamental para pesquisas em aprendizado de máquina.
Marvin Minsky, cofundador do Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, explorou redes neurais e teorias de percepção visual.
Claude Shannon, conhecido como o pai da teoria da informação, aplicou conceitos de entropia ao processamento de sinais, contribuindo para algoritmos de reconhecimento de padrões.
Nathaniel Rochester, trabalhando na IBM, ajudou a criar os primeiros programas de xadrez, demonstrando que máquinas podiam executar estratégias complexas.
Alan Turing, ainda na década de 1940, já havia formulado o famoso “Teste de Turing”, questionando se uma máquina poderia enganar um humano ao se passar por outro ser humano.
Norbert Wiener, ao criar o termo “cibernética” em 1948, estabeleceu as bases para o estudo de sistemas autorregulados, influenciando a visão de máquinas inteligentes.
A proposta de renomear a tecnologia por Donald Trump
Em setembro de 2026, durante seu discurso na Assembleia‑Geral da ONU, Donald Trump afirmou que o nome atual “inteligência artificial” sugere algo artificial e enganoso.
Ele propôs que a comunidade internacional adote o termo “superinteligência” para refletir melhor o potencial avançado das tecnologias emergentes.
Para validar a ideia, Trump lançou duas enquetes na sua rede social, a Truth Social, oferecendo opções como “Inteligência Superior”, “Inteligência Extrema” e “Superinteligência”.
Embora as enquetes tenham gerado grande engajamento, nenhuma explicação detalhada foi apresentada sobre como a mudança de nomenclatura seria implementada nos documentos oficiais.
Trump argumentou que a nova designação ajudaria a evitar confusões entre sistemas reais e simulações, reforçando a confiança do público nas aplicações práticas.
Especialistas apontam que a sugestão pode ter motivações políticas, buscando associar a administração a uma imagem de liderança tecnológica.
Até o momento, órgãos regulatórios dos EUA ainda não emitiram diretrizes formais sobre a adoção do novo termo.
Reações e possíveis impactos da mudança de nomenclatura
A comunidade acadêmica recebeu a proposta com ceticismo, destacando que “inteligência artificial” já possui décadas de literatura consolidada.
Universidades e centros de pesquisa temeram que a troca de terminologia possa gerar confusão nas publicações científicas e nos cursos universitários.
Empresas de tecnologia, por sua vez, observaram que a marca “IA” está profundamente enraizada em estratégias de marketing e em patentes registradas.
Alguns analistas sugerem que a adoção de “superinteligência” poderia criar um novo nicho de produtos, impulsionando investimentos em áreas como IA explicável e segurança de algoritmos.
Entretanto, críticos alertam que a mudança pode ser usada para desviar discussões sobre regulamentação, responsabilidade algorítmica e impactos sociais.
Organizações internacionais de padrões ainda não se posicionaram oficialmente, mas monitoram o debate para avaliar possíveis ajustes em normas técnicas.
Independentemente da terminologia, o foco permanece no desenvolvimento de sistemas capazes de aprender, adaptar‑se e operar de forma autônoma em ambientes complexos.
Assim, a história do termo demonstra que a linguagem usada para descrever a tecnologia evolui conforme as expectativas e os contextos sociopolíticos.
O legado dos pioneiros dos anos 1950 continua a influenciar pesquisas atuais, que agora incorporam aprendizado profundo, redes neurais avançadas e grandes volumes de dados.
Enquanto isso, o discurso de Trump reforça a ideia de que nomes carregam poder simbólico, capaz de moldar percepções públicas e políticas.
O debate sobre a nomenclatura, portanto, transcende questões semânticas e toca em aspectos de governança, ética e futuro da inovação.








