Um estudo italiano recente demonstrou que o consumo regular de molho de tomate natural pode reduzir a gordura acumulada no fígado de pacientes com MASLD. A pesquisa foi publicada em julho de 2024 no Jornal Europeu de Nutrição e envolveu adultos de diferentes faixas etárias. Os participantes foram acompanhados durante três meses em um centro de nutrição em Milão.
Metodologia e desenho do ensaio clínico
Os investigadores recrutaram noventa e três voluntários diagnosticados com doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. Os sujeitos foram divididos em três grupos: um recebeu 80 g de molho caseiro de tomate orgânico, outro 160 g da mesma preparação e o terceiro consumiu um molho industrializado padrão. Cada grupo consumiu a porção designada em dias alternados, sempre acompanhado de uma pequena quantidade de azeite extra virgem.
O período de intervenção durou exatamente noventa dias, ao fim dos quais foram realizadas avaliações por imagem de ressonância magnética para quantificar o percentual de gordura hepática. Além disso, foram coletados exames de sangue para medir marcadores inflamatórios e níveis de antioxidantes circulantes.
Para garantir a validade dos resultados, o estudo foi duplo-cego e controlado, ou seja, nem os participantes nem os avaliadores sabiam qual tipo de molho estava sendo ingerido em cada fase. Essa estratégia reduziu vieses de expectativa e permitiu uma comparação direta entre a formulação natural e a industrial.
Principais descobertas e implicações para a saúde
Ao final dos três meses, os grupos que consumiram o molho natural apresentaram uma queda média de 12 % no percentual de gordura hepática, enquanto o grupo controle mostrou redução insignificante. Essa melhora foi observada tanto nos participantes mais jovens quanto naqueles com mais de sessenta anos, indicando que a intervenção pode ser eficaz em diferentes estágios da vida.
Os exames laboratoriais revelaram aumento significativo dos níveis plasmáticos de licopeno e outros carotenoides, substâncias reconhecidas por suas propriedades antioxidantes. Simultaneamente, houve diminuição dos marcadores de inflamação sistêmica, como a proteína C‑reativa, sugerindo um efeito anti‑inflamatório do molho.
Os autores do estudo apontam que o licopeno, por ser lipossolúvel, tem absorção otimizada quando o tomate é cozido com óleo. Esse processo potencializa a disponibilidade da molécula para as células hepáticas, ajudando a neutralizar radicais livres e a impedir o acúmulo de triglicerídeos.
- Redução de até 12 % da gordura hepática;
- Aumento de antioxidantes circulantes;
- Diminuição de marcadores inflamatórios;
- Efeito observado em faixas etárias amplas.
Esses resultados reforçam a ideia de que intervenções dietéticas simples podem complementar estratégias médicas no manejo da MASLD, condição que tem se tornado uma das principais causas de insuficiência hepática não alcoólica no mundo.
O que diferencia o molho estudado dos produtos industrializados
O molho utilizado no experimento foi preparado a partir do tomate OsteoCol, uma variedade patenteada na Europa por sua alta concentração de carotenoides. O cultivo orgânico garantiu baixos níveis de pesticidas e um teor elevado de licopeno, beta‑caroteno e zeaxantina.
Em contraste, molhos industrializados costumam conter quantidades elevadas de sódio, açúcar adicionado e aditivos como conservantes e espessantes. Esses componentes podem neutralizar os benefícios antioxidantes do tomate e, em alguns casos, até contribuir para o aumento da pressão arterial e resistência à insulina.
Além disso, o processamento térmico intenso ao qual muitos molhos comerciais são submetidos pode degradar parte dos carotenoides, reduzindo sua biodisponibilidade. Por isso, a simples combinação de tomate fresco, azeite e ervas aromáticas pode ser muito mais eficaz do que versões prontas de prateleira.
- Tomate orgânico de alta qualidade;
- Azeite extra virgem como fonte de gordura saudável;
- Ervas frescas (manjericão, orégano) para sabor e compostos bioativos;
- Baixo teor de sódio e ausência de açúcares adicionados.
Os pesquisadores recomendam que consumidores interessados em reproduzir os efeitos positivos optem por preparar o molho em casa, utilizando tomates maduros e orgânicos, e evitando o uso excessivo de sal ou açúcar.
Como incorporar o molho de tomate na dieta diária
Para quem deseja experimentar os benefícios descritos, a sugestão é consumir entre 80 g e 160 g de molho natural por dia, distribuídos em duas refeições. Essa quantidade corresponde a aproximadamente duas a quatro colheres de sopa, o que pode ser facilmente adicionado a massas, legumes grelhados ou até mesmo como base de sopas.
É importante combinar o molho com uma fonte de gordura saudável, como azeite de oliva virgem ou óleo de abacate, para maximizar a absorção do licopeno. Além disso, a inclusão de proteínas magras (peito de frango, peixe ou leguminosas) ajuda a equilibrar o aporte calórico e a manter a saciedade.
Para quem tem restrição de sódio, recomenda‑se temperar o molho com ervas frescas, pimenta-do-reino e um toque de suco de limão, ao invés de usar caldos industrializados. Essa prática preserva o perfil nutricional e ainda confere sabor marcante ao prato.
Por fim, a consistência no consumo é fundamental. Estudos indicam que benefícios metabólicos são percebidos quando o molho faz parte de uma dieta equilibrada ao longo de semanas ou meses, e não como solução pontual.
Em síntese, o molho de tomate natural surge como um aliado acessível e saboroso no combate à gordura hepática, sobretudo quando preparado com ingredientes de qualidade e consumido dentro de um padrão alimentar saudável.








