Na reta final da corrida presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a busca por eleitores que recebem o Bolsa Família e ainda se declaram a favor de Flávio Bolsonaro. A campanha petista tem concentrado esforços entre 17 e 20 de outubro, período em que foram realizadas as últimas pesquisas de opinião. O objetivo é transformar o apoio dos beneficiários em vantagem decisiva para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Estratégia de contato direto com os beneficiários
A equipe de Lula adotou um plano de comunicação multicanal, enviando mensagens de texto, ligações e material digital que destaca o reajuste recente do benefício. Cada contato enfatiza a diferença entre a proposta do governo e as críticas passadas de Flávio Bolsonaro ao programa.
Além da mensagem individual, a campanha mobilizou lideranças regionais para visitas presenciais em comunidades onde o Bolsa Família tem maior concentração. Essas lideranças recebem treinamento para responder dúvidas sobre a continuidade do programa e apresentar os resultados sociais alcançados nos últimos anos.
- Reforço do valor do benefício em 2024;
- Comparação com declarações anteriores de Flávio Bolsonaro, que chamou o programa de “Bolsa Farelo”;
- Apresentação de dados sobre redução da pobreza e aumento da escolarização;
- Convite para participação em eventos locais de apoio ao presidente.
O uso de listas nas mensagens tem como objetivo tornar a informação mais visual e fácil de memorizar, aumentando a probabilidade de mudança de voto.
Impacto dos números da pesquisa Quaest
Segundo a última sondagem da Quaest, divulgada em 21 de outubro, o apoio de Lula entre os beneficiários do Bolsa Família subiu de 60% para 62%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 31% para 27%. Esses números indicam uma tendência de consolidação do eleitorado de baixa renda ao redor do governo.
A rejeição ao presidente ficou em 27% entre os beneficiários, muito abaixo da média nacional de 47%. Em contrapartida, a rejeição a Flávio Bolsonaro atingiu 68% nesse mesmo grupo, sinalizando um desgaste significativo.
No conjunto da pesquisa, os candidatos aparecem tecnicamente empatados: 44% para Lula e 45% para Flávio, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Contudo, a equipe de campanha de Lula acredita que alcançar 70% de apoio entre os beneficiários pode ser o ponto de virada.
Além dos beneficiários, a campanha também tem focado em eleitores que abstiveram ou votaram em branco no primeiro turno. Entre esse público, 40% agora dizem que pretendem votar em Lula, contra 36% que ainda consideram Flávio Bolsonaro.
Perspectivas para a votação de domingo
Se a meta de 70% de apoio entre os beneficiários for atingida, a projeção é que Lula consiga ampliar seu número de votos suficientes para superar o adversário, mesmo que a disputa esteja tecnicamente equilibrada nos indicadores gerais.
A estratégia de última hora inclui a intensificação de visitas de lideranças locais, distribuição de panfletos com depoimentos de famílias beneficiadas e a realização de transmissões ao vivo nas redes sociais, destacando histórias reais de melhoria de vida.
Especialistas apontam que a decisão final dos eleitores pode depender da percepção de segurança econômica e da confiança na manutenção do Bolsa Família, programa que ainda representa a principal fonte de renda para milhões de famílias.
Com a contagem prevista para começar às 13h do dia 25, a campanha de Lula espera que a combinação de contato direto, reforço de mensagens positivas e o desgaste da imagem de Flávio Bolsonaro entre os beneficiários seja suficiente para garantir a vitória.








