Na manhã desta quinta‑feira, 22 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o horário eleitoral gratuito para denunciar possíveis cortes em programas sociais e se posicionar como o gestor que mantém a economia em movimento. Ao mesmo tempo, o senador Flávio Bolsonaro, do PL, concentrou suas mensagens na alta dos preços, nas propostas de segurança pública e na promessa de devolver poder de compra ao cidadão brasileiro.
Risco de cortes nos programas sociais e defesa das conquistas
Lula iniciou seu bloco com um vídeo que mostrava um narrador alertando para a proposta de redução de R$ 250 bilhões no orçamento, medida atribuída a Flávio Bolsonaro. O candidato destacou que tais cortes atingiriam aposentadorias, o Bolsa Família, a Farmácia Popular e até mesmo a merenda escolar, colocando em risco conquistas históricas do país.
Em seguida, o presidente apareceu em frente à câmera, apontando que o governo anterior havia vetado reajustes nas merendas e diminuído a oferta de medicamentos essenciais. Ele reforçou que sua administração tem como prioridade preservar os direitos sociais e que nenhum governo futuro deve “triturar” o Brasil com medidas tão drásticas.
O discurso também citou o voto contrário de Flávio Bolsonaro ao aumento da licença‑maternidade para seis meses, quando este ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro. Segundo a narrativa, o mesmo parlamentar que se opôs à ampliação da licença também teria defendido um policial acusado de homicídio.
O caso Ana Clara Machado e a atuação de Flávio Bolsonaro
O segundo segmento do horário eleitoral abordou o assassinato da menina Ana Clara Machado, de cinco anos, ocorrido em fevereiro de 2021 em Niterói. A peça destacou que o principal suspeito, o cabo da Polícia Militar Bruno Dias Dellaroli, foi defendido por Flávio Bolsonaro, que assinou recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) buscando reverter a decisão judicial.
A defesa argumentou falhas na perícia e questionou a confiabilidade dos depoimentos, pedindo a mudança da acusação de homicídio doloso para culposo. O STJ negou o pedido, mantendo a acusação e a possibilidade de julgamento pelo júri, marcado para maio de 2027.
Para reforçar a gravidade do caso, a campanha exibiu trecho da série “Revelando”, no YouTube, com a atriz Camila Pitanga conversando com a mãe da vítima. A narrativa buscou ligar a figura de Flávio Bolsonaro à defesa de um acusado de crime grave, sugerindo que isso seria incompatível com a defesa dos direitos das crianças.
Propostas econômicas e de segurança de Flávio Bolsonaro
Na sequência, Flávio Bolsonaro mudou o foco para a crise econômica, lembrando uma fala antiga de Lula: “se não tem carne, a gente come ovo”. O candidato utilizou imagens de mercados vazios e carrinhos sem produtos para ilustrar a percepção de “bolso vazio” entre os brasileiros.
Em sua própria gravação, Flávio prometeu não fazer promessas impossíveis, garantindo que a queda dos juros traria dinheiro de volta ao bolso da população. Ele também afirmou que, sob sua gestão, não haveria “vagabundo roubando seu celular”, reforçando a proposta de aumento da pena para roubo de aparelhos.
Entre as propostas apresentadas, o candidato listou medidas específicas:
- Implementação do programa “vira PIX”, que permitiria cashback em transações digitais.
- Aumento em quatro vezes da pena para roubo de celular.
- Redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
- Criação de um fundo de apoio a famílias de baixa renda para compensar a inflação dos alimentos.
Além disso, Flávio criticou a política de preços do governo anterior, alegando que a alta dos alimentos tem deixado geladeiras vazias e carteiras sem recursos. Ele sugeriu que sua proposta de “corte de porções” nos mercados seria temporária, visando equilibrar a oferta e a demanda.
Reações e perspectivas para a campanha
Os dois blocos eleitorais foram transmitidos simultaneamente em várias emissoras, gerando debates nas redes sociais sobre a veracidade das acusações e a viabilidade das propostas. Analistas apontam que a estratégia de Lula de defender programas sociais pode consolidar seu apoio entre eleitores de baixa renda, enquanto a ênfase de Flávio na segurança e no poder de compra busca atrair eleitores mais preocupados com a crise econômica.
Especialistas em comunicação política ressaltam que o uso de narrativas emocionais, como o caso de Ana Clara, pode influenciar a opinião pública, mas também corre o risco de gerar polarização. Já as propostas de segurança, como a redução da maioridade penal, são vistas como controversas e podem dividir o eleitorado.
Observadores apontam que o calendário eleitoral ainda reserva tempo para novos debates e que os próximos dias serão decisivos para definir quais temas ganharão maior destaque nas urnas. O que se espera é que ambos os candidatos continuem a usar o horário gratuito para reforçar suas linhas de ataque e defesa, na tentativa de conquistar eleitores indecisos antes da votação.








