No domingo, 13 de setembro de 2026, Lola Young subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio e apresentou seu primeiro show ao vivo no Brasil, sob uma garoa persistente que marcou a noite. A cantora inglesa, de 25 anos, trouxe ao público brasileiro um vocal rasgado e uma energia crua que contrastou com o clima úmido. Apesar da atmosfera melancólica, a artista conseguiu criar momentos de intensidade que permanecerão na memória dos presentes.
A performance e a estética no palco
A apresentação de Lola Young foi construída como um pequeno teatro musical, onde cada gesto parecia coreografado, mas sem perder a espontaneidade que caracteriza sua personalidade. O cenário minimalista, iluminado por luzes em tons de azul e roxo, reforçava o clima introspectivo das músicas, enquanto um cinegrafista circulava ao redor da cantora, oferecendo ângulos incomuns que aproximavam o espectador da emoção do momento.
O vocal de Lola, marcado por um timbre rasgado, destacou-se em faixas que mesclavam gospel, soul e pop alternativo. Canções como “SAD SOB STORY! :)” e “Spiders” foram entregues com uma entrega vocal que beirava o desespero controlado, gerando picos de tensão que foram bem recebidos pelos poucos espectadores que se deixaram levar.
Além da voz, a banda de cinco integrantes trouxe arranjos ricos, com linhas de baixo pulsantes, teclados atmosféricos e percussão que acompanhavam a melodia sem sobrepor a presença da vocalista. A combinação entre a energia da banda e a vulnerabilidade de Lola criou uma dinâmica que, embora curta – cerca de 55 minutos – foi suficiente para revelar camadas de sua arte.
Desafios técnicos e a reação do público
Logo no início, a artista enfrentou problemas técnicos que atrasaram o início do espetáculo. Falhas no monitor de áudio e pequenas oscilações nas luzes geraram um início hesitante, mas Lola soube contornar a situação com humor, dizendo ao microfone: “Ouvi tantas coisas boas desse país e todas eram verdades. Ouvi dizer que vocês são a melhor plateia do mundo”.
A plateia, porém, mostrou-se apática em grande parte. Muitos presentes estavam mais preocupados com a chuva do que com a performance, e poucos celulares foram levantados para gravar os momentos mais intensos. Mesmo assim, alguns fãs dedicados cantaram em coro durante “Messy”, a música que a catapultou ao sucesso nas redes sociais.
Para ilustrar a reação do público, segue uma lista dos principais pontos observados:
- Baixa participação no canto de coros.
- Poucos dispositivos eletrônicos levantados.
- Reações mais discretas durante as baladas.
- Maior engajamento nos trechos mais explosivos.
Apesar da aparente frieza, a artista manteve a conexão emocional, encerrando o show com um discurso sobre guerras, inteligência artificial e a necessidade de sentir o presente. As lágrimas que escorreram pelo rosto de Lola, misturadas à chuva, reforçaram a vulnerabilidade que ela transmite em cada verso.
A trajetória de Lola Young até o Rock in Rio
Lola Young começou sua carreira cantando em pubs e pequenos clubes de Londres, onde desenvolveu um estilo que combina letras cruas com melodias cativantes. Após cinco anos de apresentações em locais intimistas, ela alcançou o estrelato em 2024, impulsionada por “Messy”, um hit que dominou a parada de singles do Reino Unido por quatro semanas e viralizou no TikTok.
O sucesso nas plataformas digitais trouxe convites para grandes festivais internacionais, incluindo o Lollapalooza Brasil 2026. Contudo, Lola precisou cancelar sua participação naquele evento devido a um hiato forçado por questões de saúde. Em 2025, ela sofreu um desmaio no palco do All Things Go, em Nova York, o que revelou um problema maior: dependência de cocaína e diagnóstico de transtorno esquizoafetivo.
Essas dificuldades a levaram a uma pausa na carreira, período em que buscou tratamento e reorganizou sua agenda. O retorno ao palco, marcado pelo Rock in Rio, simboliza não apenas um comeback, mas também uma declaração de superação pessoal.
Hoje, Lola Young se posiciona como uma das vozes mais autênticas da geração Z, combinando vulnerabilidade lírica com produção musical sofisticada. Seu repertório, que inclui faixas como “Not like that anymore” e “Messy”, reflete uma jornada de autoconhecimento, lutas internas e celebração da identidade.
O show no Rock in Rio, embora afetado por clima e por uma plateia menos entusiasmada, demonstrou que a artista possui força para transformar adversidades em arte. Cada nota cantada sob a garoa reforçou a mensagem de que, mesmo nos momentos mais sombrios, a música pode ser um refúgio e um convite à reflexão.








