Um estudo multicêntrico publicado no The Lancet revelou que a lipoaspiração reduz significativamente a dor em pacientes com lipedema, superando os resultados da terapia conservadora. A pesquisa, realizada em 2023 em onze centros da Alemanha, envolveu quase duas mil mulheres diagnosticadas nos estágios I a III. Os dados apontam para uma mudança de paradigma no tratamento da doença, que antes era focado quase que exclusivamente em medidas não cirúrgicas.
Evidências científicas recentes
O ensaio clínico foi randomizado, controlado e contou com 1.973 mulheres elegíveis. Após um período inicial de até sete meses de tratamento conservador, 410 participantes foram distribuídas em proporção 2:1 para receber lipoaspiração ou continuar com a abordagem conservadora. O objetivo primário foi a redução da dor nas pernas, medida em escala numérica de 0 a 10.
Doze meses após a intervenção, 68% das pacientes submetidas à lipoaspiração atingiram a meta de diminuição da dor, enquanto apenas 8% das que permaneceram no tratamento conservador conseguiram o mesmo resultado. Esses números reforçam a eficácia da cirurgia como complemento, e não como substituto, das estratégias não invasivas.
Como a lipoaspiração beneficia pacientes com lipedema
A cirurgia tem como foco remover o tecido adiposo anômalo que caracteriza o lipedema, aliviando a sobrecarga mecânica sobre articulações e melhorando a circulação local. Ao contrário da lipoaspiração estética, que busca apenas o contorno corporal, este procedimento visa reduzir a dor e impedir a progressão da doença.
Além dos benefícios clínicos, muitas pacientes relatam melhorias na mobilidade e na qualidade de vida. Elas conseguem caminhar por períodos mais longos, praticar atividades físicas com menos limitações e perceber uma diminuição do desconforto diário.
- Redução da dor crônica;
- Melhora da mobilidade;
- Prevenção de complicações osteoarticulares;
- Remodelação corporal com técnicas como Lipedefinition.
Técnicas avançadas, como a Lipedefinition, combinam a remoção do tecido afetado com a modelagem estética, proporcionando um resultado que alia saúde e aparência. Essa abordagem respeita as particularidades do lipedema, evitando a remoção excessiva de tecido saudável.
Considerações sobre riscos e tratamento conservador
Embora a lipoaspiração apresente benefícios claros, ela não está isenta de riscos. O estudo registrou um número maior de eventos adversos no grupo cirúrgico, porém a maioria foi classificada como leve a moderada, sem relatos de complicações graves ou risco de vida.
O tratamento conservador – compressão, drenagem linfática manual, atividade física, alimentação balanceada e cuidados com a pele – continua sendo a base terapêutica. Ele reduz o edema, mas tem eficácia limitada na diminuição da dor e não impede a evolução da doença.
Portanto, a recomendação atual dos especialistas é adotar uma abordagem integrada: iniciar com medidas conservadoras e, quando a dor persistir ou a progressão for evidente, considerar a lipoaspiração como complemento terapêutico.
Essa estratégia combina o melhor dos dois mundos, proporcionando alívio imediato da dor e, ao mesmo tempo, mantendo os cuidados preventivos que retardam o avanço do lipedema. A evidência robusta do estudo eleva o nível de confiança na cirurgia, oferecendo às pacientes uma opção segura e eficaz para reconquistar a qualidade de vida.








