Leci Brandão, a icônica compositora e intérprete carioca, lançou neste sábado, 12 de setembro de 2026, um remix oficial do seu maior sucesso, “Zé do Caroço”. A nova versão, produzida pelos DJs Dre Guazzelli e Witz, chega às plataformas de streaming exatamente no dia em que a artista completa 82 anos de vida, reforçando a conexão entre tradição e inovação musical.
O remix e seus criadores
O trabalho de remix foi assinado por Dre Guazzelli, nome artístico de André Ghizzi Guazzelli, que atua no cenário de música eletrônica há mais de duas décadas, e por Witz, identidade de Fernanda Gomes de Almeida, reconhecida produtora de house e afro‑house no Rio de Janeiro. Ambos trouxeram sua bagagem de batidas eletrônicas para transformar o samba de Leci em um convite irresistível à pista de dança.
Guazzelli destacou que seu objetivo foi manter a melodia original e a potência vocal da artista, ao mesmo tempo em que inseriu elementos de groove e bassline típicos da house music. Já Witz, que descobriu “Zé do Caroço” ainda criança ao ouvir sua mãe, Dona Josi, explicou que o remix representa uma homenagem pessoal à trajetória da mãe e à própria história do samba.
- Produção: Dre Guazzelli e Witz
- Estilo: Samba + House + Afro‑House
- Lançamento: 12/09/2026 em todas as plataformas digitais
A história de “Zé do Caroço” e seu significado social
Composto no final da década de 1970, “Zé do Caroço” nasceu da observação de Leci sobre José Mendes da Silva, conhecido como Zé do Caroço, que utilizava um alto‑falante no Morro do Pau da Bandeira, em Vila Isabel, para divulgar informações essenciais à comunidade, como campanhas de vacinação e matrículas escolares.
A canção tornou‑se um marco na música de protesto, ao apontar a reconfiguração do poder nas favelas e ao celebrar a autonomia dos moradores na difusão de conhecimento. O samba, ao mesmo tempo melódico e engajado, foi adotado como hino informal pelos residentes da região, reforçando a identidade coletiva.
O registro original de 1980, gravado para a Philips, ficou arquivado e só foi revelado três décadas depois, em 2011, na coletânea “O canto livre de Leci Brandão”, curada por Rodrigo Faour. Essa versão rara trouxe à luz a qualidade crua e a força narrativa da composição, antes de ser oficialmente lançada em disco em 1985.
O legado de Leci Brandão e a nova geração
Ao longo de mais de quatro décadas, Leci Brandão consolidou-se como uma das vozes mais autênticas do samba autoral, mesclando crítica social, poesia e melodia. Seus sucessos como “Papai vadiou” e “Isso é fundo de quintal” marcaram o retorno da artista às paradas em 1985, após um período de afastamento das rádios.
Hoje, ao aprovar o remix, Leci afirmou estar emocionada e honrada: “Gostei e me emocionei. Fiquei honrada porque o samba não perdeu a essência”. Essa reação evidencia a abertura da veterana para o diálogo intergeracional, permitindo que o samba encontre novos públicos nas pistas de house.
Para a nova geração de DJs e produtores, o projeto representa um exemplo de como resgatar raízes culturais pode gerar inovação sonora. A colaboração entre Leci, Guazzelli e Witz demonstra que a tradição do samba pode ser reinterpretada sem perder sua identidade, ao mesmo tempo em que se adapta ao ritmo frenético das festas contemporâneas.
Além do aspecto musical, o remix reforça a importância da memória coletiva. Ao trazer à tona a história de Zé do Caroço, a versão eletrônica revive a narrativa de resistência e solidariedade que ainda ecoa nas comunidades cariocas.
Segue abaixo uma lista resumida dos marcos mais relevantes da trajetória de Leci Brandão até o lançamento deste remix:
- 1944 – Nascimento em 12 de setembro, Rio de Janeiro.
- 1970 – Composição de “Zé do Caroço” inspirada em José Mendes da Silva.
- 1980 – Gravação original arquivada pela Philips.
- 1985 – Lançamento oficial de “Zé do Caroço” e retorno às paradas com “Papai vadiou”.
- 2011 – Revelação da gravação de 1980 na coletânea de Rodrigo Faour.
- 2026 – Lançamento do remix por Dre Guazzelli e Witz, comemorando 82 anos de vida.
O impacto do remix já pode ser medido nas primeiras reproduções nas plataformas digitais, que superam as expectativas iniciais e geram discussões em redes sociais sobre a fusão de gêneros. Comentários elogiam a preservação da voz de Leci e a energia pulsante da batida house, que convida tanto fãs antigos quanto jovens a dançar.
Especialistas em música apontam que este movimento pode abrir caminho para outras obras clássicas do samba serem reinterpretadas por produtores eletrônicos, criando um ecossistema de colaboração entre gerações que enriquece o panorama cultural brasileiro.
Em síntese, o remix de “Zé do Caroço” celebra não apenas o aniversário de Leci Brandão, mas também a capacidade do samba de se reinventar, mantendo viva a mensagem de resistência, informação e comunidade que inspirou sua criação original.








