Na manhã de sábado, 12 de setembro de 2026, o cantor pernambucano João Gomes subiu ao palco Sunset do Rock in Rio, surpreendendo a multidão ao combinar piseiro, forró e frevo em um espetáculo que misturou música e folia de Carnaval.
A chegada inesperada ao Sunset
Depois de estrear no festival em 2022 ao lado de Pedro Sampaio, João retornou quatro anos depois com uma proposta totalmente nova: uma orquestra brasileira criada especialmente para a ocasião.
A orquestra, composta por violinos, violas, flautas, violoncelos, pífanos de Caruaru e tambores do Maranhão, trouxe ao Sunset uma sonoridade que atravessa fronteiras regionais, reforçando a identidade nordestina do artista.
Mesmo com um pequeno atraso, o guitarrista abriu o show com um solo de “Eu tenho a senha”, preparando o público para a energia que viria a seguir.
O cortejo que trouxe o Carnaval ao festival
Antes de subir ao palco, João liderou um cortejo que percorreu a pista do Rock in Rio, carregando símbolos típicos do Carnaval: estandartes coloridos, o Homem da Meia-Noite, uma chave de Cariri, o Boi da Macuca e bonecos de Olinda representando ícones da música nordestina.
O desfile, que durou pouco mais de uma hora, converteu o ambiente do festival em uma verdadeira festa de rua, atraindo espectadores que ainda não tinham ingressado no Sunset.
O público, animado, acompanhou o cortejo ao som de frevo, pop e batidas de piseiro, criando uma fusão única que fez o festival ganhar um clima carnavalesco inesperado.
- Violinos e violas – tradição clássica
- Pífanos de Caruaru – ritmo nordestino
- Tambores do Maranhão – percussão regional
- Elementos de frevo – energia carnavalesca
Essa mistura de instrumentos e estilos mostrou que a música brasileira pode ser celebrada de forma integrada, sem perder a identidade de cada gênero.
Momentos marcantes e homenagens
Durante o show, João intercalou hits como “Deusa de Itamaracá” e “Dengo” com trechos de seu premiado projeto “Dominguinho”, parceria com Mestrinho e Jota.Pê, emocionando a plateia com “Lembrei de nós” e “Arriadin por tu”.
Em um dos momentos mais comovidos, o cantor foi surpreendido por um abraço de Mestrinho, que havia acabado de encerrar seu próprio set, fazendo João chorar ao agradecer o apoio.
O artista também prestou homenagem a compositores nordestinos, apresentando um medley que incluiu “Confidências” (Jorge de Altinho e Petrúcio Amorim), “Anjo Querubim” (Petrúcio Amorim) e “Ai, Que Saudade D’Ocê” (Vital Farias).
Para fechar a apresentação, João trouxe ao palco “Frevo Mulher”, de Zé Ramalho, dividindo o vocal com o maestro pernambucano, reforçando a conexão entre a música popular e a tradição carnavalesca.
Mesmo com uma falha técnica nas caixas de som do lado esquerdo, a energia do público permaneceu alta, com gritos de que nunca tinham visto o Sunset tão cheio.
O espetáculo de João Gomes no Rock in Rio 2026 demonstra como artistas de origem regional podem expandir seu alcance, conquistando novos públicos e mantendo a autenticidade cultural.
Ao longo da noite, o cantor reafirmou seu papel como ponte entre o piseiro, o forró, o pop e o frevo, provando que a “senha” para o sucesso está na capacidade de inovar sem abandonar as raízes.
Com reconhecimento internacional, colaborações com Roberto Carlos, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Marisa Monte, e um Grammy Latino em seu currículo, João continua a escrever uma trajetória que mistura talento, humildade e paixão pela música nordestina.
O cortejo e a apresentação deixaram um legado: o Rock in Rio, tradicionalmente um palco de rock e pop, também pode ser um espaço para celebrar a riqueza cultural do Brasil, trazendo o ritmo do Nordeste para o coração da cidade do Rio de Janeiro.








