Na manhã da última sexta-feira, 25 de maio, João Campos, ex-prefeito de Recife e candidato ao governo de Pernambuco, esteve ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comício na capital pernambucana. Ele aplaudiu publicamente a decisão de Lula de proibir as empresas de apostas virtuais, conhecidas como bets, no Brasil. O gesto gerou polêmica porque, durante sua gestão municipal, o político reduziu a alíquota do ISS sobre jogos, favorecendo o setor que agora ele condena.
Contradições no discurso público
Durante o evento, Campos ergueu um cartaz que pedia o “fim das bets” em território nacional, enquanto ao mesmo tempo celebrava a presença do presidente. Em vários momentos, ele elogiou a medida como “correta” e “necessária” para proteger os brasileiros de prejuízos financeiros.
No entanto, a própria história recente do político mostra que ele adotou políticas que incentivaram a expansão das apostas na cidade. Essa incoerência foi rapidamente apontada pelos adversários e pela imprensa, que questionaram a sinceridade da posição adotada.
Os críticos ressaltam que a mudança de postura pode ser uma estratégia eleitoral, já que a proibição tem forte apoio popular e pode ser usada para atrair eleitores indecisos.
Histórico das políticas de jogos em Recife
Quando João Campos comandava a prefeitura de Recife, em 2023, ele promoveu a redução da alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) de 5% para 2% especificamente para serviços de jogos, loterias e sorteios. Essa medida visava atrair empresas do setor de apostas para a cidade, gerando empregos e receita fiscal adicional.
A decisão gerou debate intenso na capital, com opositores argumentando que a medida favorecia a publicidade agressiva das bets em estádios de futebol, festas de Carnaval e outros eventos de grande visibilidade.
Além da redução do ISS, a administração de Campos facilitou a obtenção de licenças e simplificou processos burocráticos, o que resultou em um aumento significativo da presença de marcas de apostas nas vias públicas.
Essas ações foram defendidas como um estímulo à economia local, mas também foram criticadas por criar um ambiente propício à exploração de vulneráveis, especialmente jovens e trabalhadores de baixa renda.
Impactos políticos e sociais da proibição
A decisão de Lula de proibir as bets tem respaldo em pesquisas recentes. Segundo o AtlasIntel, quase 90% dos brasileiros acreditam que as apostas virtuais geram prejuízos financeiros, e 75% apoiam a proibição total.
Ao mesmo tempo, 36% dos entrevistados apontam o presidente como o principal responsável pela disseminação das apostas no país, indicando um sentimento de responsabilidade compartilhada entre governo e operadores.
Para a atual governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, a medida representa um ponto de diferenciação clara em relação a Campos. Ela tem usado a contradição do candidato como exemplo de incoerência política, reforçando seu compromisso com o fim das bets.
- Eleição estadual: A postura de Campos pode influenciar eleitores indecisos que valorizam a proteção ao consumidor.
- Impacto econômico: A proibição pode reduzir receitas de licenças e impostos gerados pelas empresas de apostas.
- Saúde financeira: Espera‑se diminuição de casos de endividamento relacionados a jogos de azar.
- Imagem institucional: O governo federal ganha apoio ao atender a demanda popular por regulação mais rígida.
Especialistas apontam que a medida pode levar a um deslocamento das apostas para plataformas offshore, dificultando a fiscalização. Eles recomendam que a proibição seja acompanhada de campanhas de educação financeira e de suporte a jogadores problemáticos.
Por outro lado, setores que se beneficiaram da presença das bets argumentam que a proibição pode gerar perda de empregos diretos e indiretos, além de reduzir investimentos em marketing que financiam eventos culturais.
Em síntese, a contradição exibida por João Campos ilustra como a política de apostas no Brasil está inserida em um cenário de interesses conflitantes, entre desenvolvimento econômico local e proteção ao consumidor.
O debate continuará nos próximos meses, à medida que a medida provisória de Lula for assinada e implementada, e que a campanha eleitoral se intensifique em Pernambuco.








