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Holly Ratchford revela vínculo inesperado com Omar al‑Bayoumi antes dos ataques de 11 de setembro

Em setembro de 1999, Holly Ratchford, administradora de um condomínio em San Diego, recebeu como inquilino Omar al‑Bayoumi, saudita de 40 anos, que mais tarde seria apontado como facilitador dos sequestradores do 11 de setembro. Ela só revelou publicamente o que viu em 2024, após 25 anos de silêncio. O caso ganhou destaque ao ser incluído em uma ação judicial de US$ 1 trilhão contra a Arábia Saudita.

O encontro inesperado em San Diego

Ratchford administrava o complexo residencial Parkwood, onde o apartamento 152 ficou temporariamente ocupado por Bayoumi e sua família. O ambiente era marcado por festas na piscina, churrascos e encontros informais entre vizinhos. Bayoumi, descrito como “animado e sorridente”, tornou‑se presença constante nesses eventos.

Durante as celebrações, ele apresentou a Ratchford dois homens que se apresentaram como vizinhos educados e modestos. Mais tarde, descobriu‑se que esses dois eram Nawaf al‑Hazmi e Khalid al‑Mihdhar, membros da al‑Qaeda responsáveis por pilotar os aviões que colidiram com o World Trade Center. Na época, ninguém suspeitava da gravidade da situação.

A relação entre Ratchford e Bayoumi evoluiu para convites a refeições familiares e participação em atividades cotidianas. Ela recorda que “sempre que eu promovia festas, ele vinha e participava das atividades”. Essa proximidade criou um vínculo que, décadas depois, se transformaria em peso emocional.

A revelação judicial e as acusações contra a Arábia Saudita

Em 2023, um juiz federal de Nova Iorque autorizou o prosseguimento de um processo movido por milhares de famílias de vítimas do 11 de setembro contra a Arábia Saudita. O tribunal concluiu que existia “inferência razoável” de que Bayoumi e um diplomata saudita coordenaram apoio logístico ao grupo terrorista.

A ação judicial busca US$ 1 trilhão em indenizações, estimado em cerca de R$ 5,1 trilhões. A Arábia Saudita nega as acusações e recorre da decisão, alegando falta de provas diretas que liguem o governo saudita ao planejamento dos ataques.

Bayoumi foi acusado de fornecer apoio financeiro e logístico a al‑Hazmi e al‑Mihdhar, facilitando sua entrada nos Estados Unidos. Segundo documentos do processo, ele teria ajudado a encontrar moradia, transporte e até mesmo documentos falsos para os sequestradores.

  • 1999 – Bayoumi muda‑se para o apartamento 152 em San Diego.
  • 2000 – Bayoumi apresenta al‑Hazmi e al‑Mihdhar a Ratchford.
  • 11 de setembro de 2001 – Ataques ao World Trade Center e ao Pentágono.
  • 2023 – Juiz autoriza ação judicial contra a Arábia Saudita.
  • 2024 – Holly Ratchford fala publicamente sobre o caso.

O testemunho de Holly Ratchford e o impacto pessoal

Após anos de silêncio, Ratchford concedeu entrevista exclusiva a um repórter da BBC, relatando detalhes que nunca haviam sido divulgados. Ela descreve a sensação de “não acreditar” ao perceber que alguém que considerava amigo poderia ter contribuído para o maior ato terrorista da história dos EUA.

Ratchford também revelou que evitou o noticiário e se isolou do convívio social nos Estados Unidos, buscando refúgio no deserto do Oeste americano, onde foi encontrada por um jornalista. Essa escolha refletiu o peso emocional de ter sido, sem saber, parte de um cenário que culminou em tragédia.

Em sua entrevista, a administradora questionou a versão oficial dos fatos, apontando inconsistências nos depoimentos de Bayoumi à polícia e ao FBI. Ela afirma que o homem “sempre foi muito gentil”, mas que “as atitudes dele na época foram decisivas para o sucesso dos sequestradores”.

O relato de Ratchford foi incluído no programa da BBC Radio 4 “Intrigue: A 9/11 Story” e no documentário de TV “9/11: The Saudi Conn”. Seu testemunho acrescenta uma camada humana ao debate jurídico e político que envolve a responsabilidade da Arábia Saudita.

Além do aspecto legal, a história destaca como indivíduos comuns podem, inadvertidamente, tornar‑se peças de um plano macabro. A experiência de Ratchford serve como alerta para a importância de vigilância e investigação aprofundada em contextos aparentemente banais.

Hoje, Holly continua a viver longe dos holofotes, mas aceita participar de projetos que ajudem a esclarecer a verdade sobre o 11 de setembro. Ela acredita que “a memória das vítimas deve ser honrada com fatos, não com silêncio”.

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