O governo do Havaí declarou estado de emergência nesta segunda‑feira (7) em razão da aproximação do furacão Lowell, que deve passar próximo ao arquipélago entre a noite de segunda e a manhã de terça (8). A medida visa mobilizar recursos, alertar a população e preparar as autoridades para enfrentar ventos intensos, chuvas torrenciais e ondas altas.
Ameaça iminente e medidas de proteção
Lowell, que ainda era um ciclone de categoria 3 no domingo, pode perder força antes de alcançar as ilhas, mas ainda assim trará ventos de até 150 km/h nas áreas costeiras. As previsões apontam que o centro da tempestade ficará a cerca de 200 km a oeste de Niihau e 270 km a oeste de Kauai, mantendo o núcleo longe das ilhas principais, porém gerando condições perigosas.
As autoridades locais emitiram alerta de tempestade tropical para Kauai e Niihau, recomendando que residentes reforcem portas e janelas, armazenem água potável e mantenham lanternas e baterias carregadas. Centros de abrigo foram preparados em escolas e ginásios, prontos para receber famílias que precisem deixar suas casas.
Além das recomendações de reforço estrutural, a população deve observar as instruções dos serviços de emergência, evitar áreas costeiras e não tentar atravessar estradas alagadas. O risco de deslizamentos aumenta nas regiões montanhosas, onde o solo saturado pode ceder repentinamente.
- Ventos fortes: até 150 km/h nas ilhas mais próximas ao trajeto.
- Chuvas intensas: acumulados superiores a 200 mm em algumas áreas.
- Ondas altas: risco de inundações costeiras e erosão de praias.
- Deslizamentos: atenção redobrada em encostas e áreas vulneráveis.
Os serviços de emergência já posicionaram equipes de resgate, veículos de salvamento e helicópteros para intervenções rápidas caso ocorram incidentes. A comunicação via rádio, aplicativos móveis e sirenes será intensificada para garantir que todos recebam avisos em tempo real.
Histórico recente de tempestades no Havaí
Lowell é o terceiro sistema tropical que ameaça o Havaí em pouco mais de três semanas. Antes dele, o furacão Lala e a tempestade tropical Moke já provocaram chuvas fortes, ventos danosos e interrupções de energia em várias ilhas.
O furacão Lala, de categoria 2, chegou ao final de agosto, gerando danos moderados em infraestrutura de energia elétrica e deixando milhares de residentes sem luz por dias. Já a tempestade tropical Moke, que passou em setembro, trouxe enchentes repentinas e alagamentos em áreas urbanas de Honolulu.
Essa sequência de eventos climáticos é rara para a região. No último fim de semana, os furacões Karina, Lowell e Marie estiveram ativos simultaneamente no Pacífico, um fenômeno que não ocorria há cerca de dez anos.
Especialistas apontam que a frequência aumentada de sistemas tropicais está correlacionada com o intenso episódio de El Niño que se mantém desde 2024, elevando a temperatura das águas do Pacífico e favorecendo a formação de ciclones mais intensos.
Impactos do El Niño e perspectivas futuras
O El Niño atual é considerado excepcionalmente forte, com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) estimando quase 100 % de probabilidade de persistir até fevereiro de 2027. Esse aquecimento anômalo das águas do Pacífico altera os padrões de circulação atmosférica, aumentando a probabilidade de tempestades na região do Pacífico Central.
A NOAA calcula que há 69 % de chance de que este seja o El Niño mais forte dos últimos 70 anos, o que pode gerar impactos significativos não só no Havaí, mas também em outras partes do mundo, como alterações nos regimes de chuva na América do Sul e mudanças de temperatura no Sudeste Asiático.
No curto prazo, os moradores do Havaí devem permanecer vigilantes, seguir as orientações das autoridades e preparar kits de emergência contendo água, alimentos não perecíveis, medicamentos e documentos importantes. A cooperação comunitária será fundamental para minimizar perdas humanas e materiais.
Para o futuro, os cientistas recomendam investimentos em infraestruturas resilientes, como redes elétricas subterrâneas, sistemas de drenagem aprimorados e políticas de uso do solo que reduzam a vulnerabilidade a deslizamentos. A adaptação às mudanças climáticas se torna, assim, uma prioridade estratégica para o estado.
Enquanto Lowell avança, a combinação de preparação local, monitoramento científico avançado e apoio federal será decisiva para enfrentar os desafios impostos por este furacão e pelos próximos eventos climáticos que se esperam nos próximos meses.








