Na manhã desta terça‑feira (8), o candidato do Partido dos Trabalhadores ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, respondeu às críticas do senador Flávio Bolsonaro, do PL, sobre o escândalo do Banco Master, durante entrevista na rádio Nova Brasil FM, em São Paulo. O debate girou em torno de quem seria responsável pelos R$ 40 bilhões que, segundo o senador, estão fora do país, e das supostas ligações entre o caso e a atual gestão federal.
Contexto das declarações de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, que concorre à presidência, afirmou em ato público na Avenida Paulista, na segunda‑feira (7), que quem vota em Luiz Inácio Lula da Silva estaria, indiretamente, apoiando o então ministro da Casa Civil, Alexandre de Moraes. A fala gerou forte repercussão e levou Haddad a esclarecer a posição do PT e do governo federal.
Além disso, o senador alegou que, caso fosse eleito, o empresário Daniel Vorcaro não seria preso e que haveria um acordo para movimentar os recursos que supostamente estão “fora do Brasil”. Essas afirmações foram rapidamente contestadas pelo candidato paulistano.
Haddad aponta responsabilidade da gestão federal
Em entrevista, Haddad destacou que o Banco Master financiou campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas, mas não teve qualquer vínculo com a campanha de Lula ou a sua própria. Segundo ele, foi o governo Lula quem liquidou o banco e que a prisão de Daniel Vorcaro foi conduzida pela Polícia Federal, também sob a administração federal.
O candidato ainda ressaltou que os crimes associados ao Banco Master aconteceram durante a gestão do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro. Haddad explicou que o banco cresceu de 2019 a 2024, período em que Campos Neto ocupou o cargo, e que o próprio presidente do Banco Central teria participado de grupos de WhatsApp ligados a campanhas eleitorais, prática vedada por lei.
Ele ainda apontou a participação de três ministros do governo Bolsonaro no escândalo: a ministra da Comunicação, a ministra das Relações Institucionais – esposa do sócio de Vorcaro – e o então ministro‑chefe da Casa Civil.
Reações e implicações políticas
As declarações de Haddad buscaram desviar o foco das acusações de Flávio Bolsonaro, ao enfatizar que a responsabilidade pelos recursos desviados recai sobre a gestão anterior e sobre figuras próximas ao presidente Bolsonaro. O candidato também reforçou que Lula mantém relações institucionais com todos os poderes, sem favorecimento a nenhum grupo específico.
Para o eleitorado, a disputa traz à tona questões sobre a transparência das finanças de campanha, a atuação da Polícia Federal e a influência de empresários no cenário político nacional. O caso Banco Master, que ainda está sob investigação, pode se tornar um ponto decisivo nas próximas eleições, tanto em nível estadual quanto federal.
- Financiamento de campanhas: Banco Master apoiou Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
- Gestão do Banco Central: Roberto Campos Neto esteve à frente durante o período de crescimento do banco.
- Prisão de Vorcaro: ação da Polícia Federal sob governo Lula.
- Ministros envolvidos: comunicação, relações institucionais e Casa Civil do governo Bolsonaro.
Haddad concluiu que a narrativa de que o PT seria responsável pelos supostos R$ 40 bilhões é infundada e que a solução para o caso depende de investigação imparcial, conduzida pelas autoridades competentes.
Ao final da entrevista, o candidato ainda destacou a importância de um debate baseado em fatos e evidências, pedindo que os eleitores avaliem as propostas de governo e não apenas acusações sem comprovação.








