Na manhã da última terça-feira (20), agentes da Guarda Civil Municipal de Guarulhos intervieram em duas áreas da cidade para retirar aves silvestres mantidas em condições irregulares. O resgate ocorreu nos bairros Água Azul, Parque Cecap e Gopoúva, envolvendo um total de dezenove animais.
Operação de resgate no bairro Água Azul
Durante patrulhamento preventivo na avenida Benilde Martinês Quintas, a equipe da GCM identificou diversas gaiolas expostas em uma residência. A inspeção revelou a presença de coleirinhas, bigodinhos, canários‑da‑terra, canários‑do‑reino, pintassilgo, picharro e papa‑capim.
Os agentes constataram que as gaiolas estavam sujas, sem ventilação adequada e sem anilhas oficiais de identificação. Essa falta de cuidados configurou violação das normas de bem‑estar animal e indicou possível comércio ilegal.
Os animais foram recolhidos com cautela para evitar estresse adicional. Cada ave foi colocada em caixas de transporte apropriadas, seguindo protocolos de contenção segura.
Em seguida, a ocorrência foi encaminhada à Delegacia de Investigações sobre Crimes contra o Meio Ambiente (Dicma), que abrirá inquérito para apurar eventual infração ao artigo 29 da Lei nº 9.605/1998.
- Coleirinhas – 3 unidades
- Bigodinhos – 2 unidades
- Canários‑da‑terra – 2 unidades
- Canários‑do‑reino – 6 unidades
- Pintassilgo – 1 unidade
- Picharro – 1 unidade
- Papa‑capim – 1 unidade
Resgate no Parque Cecap e no Gopoúva
Na mesma data, equipes da GCM encontraram dois pica‑paus feridos no Parque Cecap, um espaço verde muito frequentado por moradores. Ambos apresentavam lesões nas asas que impediam o voo.
Já no Gopoúva, a guarda encontrou uma coruja‑do‑mato com trauma nas penas e nas asas, provavelmente vítima de um acidente com rede elétrica.
Os três animais foram imediatamente estabilizados por veterinários da corporação e transportados ao Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres de São Paulo (Cetras‑SP).
No Cetras‑SP, os especialistas realizarão exames clínicos detalhados, tratamento de ferimentos e monitoramento de condições de saúde antes de liberar os indivíduos de volta à natureza.
Procedimentos legais e ambientais
A manutenção de aves silvestres em cativeiro sem autorização constitui crime ambiental segundo a Lei de Crimes Ambientais. A legislação exige licença específica e identificação oficial, requisitos que não foram cumpridos no caso.
A ação da GCM demonstra o comprometimento da administração municipal em coibir o tráfico de fauna e proteger a biodiversidade local. Cada denúncia recebida é investigada e pode resultar em multa, apreensão de animais e até prisão dos responsáveis.
Além da repressão, a guarda realiza campanhas de conscientização para alertar a população sobre os impactos negativos do comércio ilegal de animais silvestres.
O Centro de Triagem, por sua vez, funciona como ponto de apoio essencial, oferecendo tratamento especializado e reabilitação para espécies resgatadas em todo o estado de São Paulo.
Impacto e importância para a fauna de Guarulhos
Essas intervenções reforçam a importância de políticas públicas voltadas à conservação da fauna urbana. Cada ave devolvida ao ambiente natural representa um passo a mais na manutenção do equilíbrio ecológico.
Guarulhos, com sua extensão territorial e diversidade de habitats, abriga milhares de espécies de aves que desempenham funções vitais como polinização, controle de insetos e dispersão de sementes.
Ao impedir o comércio clandestino, a Guarda Civil Municipal contribui para a preservação desses serviços ecossistêmicos, beneficiando tanto a natureza quanto a qualidade de vida dos cidadãos.
Os resultados positivos dessas operações também inspiram outras cidades a adotar estratégias semelhantes, criando uma rede de proteção mais ampla contra crimes ambientais.
Em resumo, o resgate de dezenove aves silvestres em Guarulhos demonstra a eficácia de ações integradas entre fiscalização, saúde animal e educação ambiental, fortalecendo o compromisso da cidade com a biodiversidade.








