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Governo federal declara emergência zoossanitária em municípios de Santa Catarina após foco da doença de Newcastle

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) decretou estado de emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios de Santa Catarina – Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim – após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja de perus. A medida foi anunciada na segunda‑feira, 19 de março, e tem como objetivo acelerar a contenção da doença e evitar sua propagação entre as aves da região.

Foco da doença e declaração de emergência

A granja localizada em Nova Itaberaba, no Oeste catarinense, abrigava cerca de 6 mil perus quando o vírus foi detectado. As autoridades fecharam imediatamente o estabelecimento e procederam ao abate de todos os animais, seguindo protocolos sanitários rigorosos. O local foi isolado por uma barreira física e somente equipes autorizadas do Mapa e da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) têm permissão de acesso.

Ao declarar emergência, o governo pode contratar funcionários por prazo determinado, reduzir a burocracia para aquisição de equipamentos e deslocar servidores entre estados de forma mais ágil. Essa flexibilidade operacional é essencial para que as ações de contenção sejam implementadas sem atrasos administrativos.

Impactos nas exportações e medidas sanitárias

Até a quinta‑feira, 22 de março, a detecção do vírus provocou restrição à importação da carne de frango brasileira por pelo menos cinco parceiros comerciais. Os países que adotaram a medida são México, China, Chile, Malásia e Arábia Saudita.

  • México – restrição total de importação de carne de frango.
  • China – suspensão temporária das compras até nova avaliação.
  • Chile – bloqueio parcial, permitindo apenas lotes certificados.
  • Malásia – proibição de entrada de produtos avícolas.
  • Arábia Saudita – restrição condicionada a inspeções adicionais.

O Mapa ressaltou que, apesar das restrições comerciais, o consumo interno de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro. A Cidasc reforçou que carne de aves e ovos de estabelecimentos certificados continuam aptos para consumo humano, sem risco de transmissão.

Entendendo a doença de Newcastle

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que atinge aves domésticas e silvestres, podendo ser altamente letal em rebanhos intensivos. Nos animais, os sintomas incluem queda de produção, respiração dificultada, convulsões e, em casos graves, morte súbita.

Em humanos, a infecção é rara e, quando ocorre, manifesta‑se como conjuntivite transitória, geralmente de curta duração. A transmissão para pessoas se dá apenas por contato direto com secreções infectadas, não pelo consumo de carne ou ovos.

O vírus se propaga rapidamente em ambientes com alta densidade de aves, sendo facilitado por equipamentos, veículos e pessoas que circulam entre granjas sem a devida desinfecção. Por isso, medidas de biossegurança são fundamentais para impedir a disseminação.

Vigilância e controle no território

Uma das principais estratégias adotadas pelo Mapa é a vigilância intensiva em um raio de até 10 quilômetros ao redor do foco confirmado. Nove equipes técnicas foram mobilizadas para visitar tanto granjas comerciais quanto criações de subsistência.

No total, cerca de 1.600 propriedades serão inspecionadas nas próximas semanas. Destas, 133 terão coleta de amostras de aves para análise laboratorial, a fim de detectar a presença do vírus antes que novos focos se estabeleçam.

As propriedades prioritárias são aquelas mais próximas ao local do surto e que têm previsão de envio de aves para abate em curto prazo. Essa abordagem permite agir preventivamente, reduzindo o risco de transmissão entre lotes diferentes.

Além da inspeção física, as equipes orientam os produtores sobre práticas de higiene, uso de EPIs (equipamentos de proteção individual) e desinfecção de veículos e equipamentos agrícolas. O objetivo é criar uma camada adicional de proteção que complemente as medidas de contenção já em vigor.

O governo federal também está trabalhando em conjunto com organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), para garantir que as ações adotadas estejam alinhadas às melhores práticas globais de controle de zoonoses.

Enquanto a situação evolui, o Mapa mantém a população informada por meio de comunicados oficiais e canais de atendimento ao produtor rural. A transparência nas informações é vista como elemento chave para evitar pânico e garantir a cooperação de todos os envolvidos.

Em resumo, a declaração de emergência zoossanitária busca acelerar processos burocráticos, ampliar a capacidade de resposta das equipes técnicas e proteger tanto a saúde animal quanto a reputação das exportações brasileiras. A expectativa é que, com as medidas adotadas, o foco seja contido rapidamente e que as restrições comerciais sejam revogadas assim que os países parceiros receberem garantias de que a situação está sob controle.

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