O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, pretende entregar a Israel 40 mil bombas de quase uma tonelada cada, em um acordo de US$ 2,8 bilhões anunciado em julho de 2026. A proposta surge enquanto Israel enfrenta forte desgaste diplomático por suas operações militares em Gaza, no Líbano e por episódios de violência de colonos na Cisjordânia.
Detalhes do acordo e das munições
O pacote inclui 20 mil unidades do modelo Mark 84 e outras 20 mil do tipo BLU‑117, ambas com peso aproximado de 907 kg. Embora a nomenclatura seja distinta, as duas bombas compartilham formato aerodinâmico e são projetadas para serem lançadas por aviões de combate.
As principais diferenças residem no composto explosivo interno e no revestimento externo, que visa impedir detonações acidentais em ambientes de alta temperatura.
- Mark 84: utiliza um explosivo de alta potência baseado em trinitrotolueno (TNT) reforçado.
- BLU‑117: emprega um composto de RDX e HMX, oferecendo maior estabilidade térmica.
Especialistas apontam que cada bomba pode causar destruição em um raio de até 300 metros e abrir crateras de até 15 metros de profundidade, o que eleva o risco de danos colaterais em áreas densamente povoadas.
Contexto político e reações internacionais
O acordo ainda não foi anunciado oficialmente, mas documentos vazados indicam que o texto foi enviado a duas comissões do Congresso para aprovação informal. Mesmo sem apoio legislativo amplo, a Casa Branca dispõe de mecanismos para contornar eventuais vetos.
Um dos poucos congressistas que se manifestou publicamente contra a proposta foi o deputado democrata Gregory Meeks, membro da Comissão de Relações Exteriores, que destacou “preocupações graves e não resolvidas” sobre o uso das munições em Gaza e no Líbano.
Além das críticas internas, aliados tradicionais de Israel, como a União Europeia e alguns países árabes, têm expressado preocupação com o aumento da letalidade dos ataques aéreos israelenses.
Impactos humanitários e legais
Bombas de grande calibre, como as previstas no acordo, levantam questões sob o direito internacional humanitário, sobretudo quanto à proporcionalidade e distinção entre alvos militares e civis. Organizações de direitos humanos alertam que o uso indiscriminado pode constituir crimes de guerra.
Em Gaza, onde mais de 80% das edificações foram destruídas desde o início do conflito em 2023, a população vive em condições de crise humanitária, com a maioria residindo em tendas e abrigos improvisados.
- Mais de 73.700 palestinos mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
- Destruição de metade das casas e infraestruturas essenciais.
- Escassez de água, eletricidade e serviços médicos.
Esses números são corroborados pela ONU, que classifica a situação como uma das maiores emergências humanitárias contemporâneas.
Financiamento e logística da entrega
Embora o acordo seja formalmente descrito como uma venda, o financiamento virá dos contribuintes americanos. Israel já recebe US$ 3,3 bilhões por ano dos EUA através do Programa de Financiamento Militar Estrangeiro (FMF), o que significa que o custo das bombas será, em grande parte, coberto por recursos já destinados ao aliado.
Logisticamente, a transferência das bombas exigirá coordenação entre a Força Aérea dos EUA e o Ministério da Defesa israelense, incluindo a adaptação de plataformas de lançamento e treinamento de pessoal.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a disponibilidade de armamento pesado fortalecerá a capacidade de resposta do país diante de ameaças no sul e no norte, ao mesmo tempo em que reforça a retórica de “defesa nacional” em meio a negociações de cessar-fogo.
Entretanto, o embaixador dos EUA no país, Mike Huckabee, negou apoiar qualquer plano que envolva “deslocar pessoas contra sua vontade”, indicando que a política americana ainda busca equilibrar apoio militar com pressão diplomática.
O cenário permanece volátil, com a comunidade internacional observando de perto como a entrega das bombas influenciará a dinâmica do conflito e as tentativas de negociação de paz.








