O governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), assinou um Memorando de Entendimento com a Comissão Municipal de Habitação e Administração da Construção Urbana e Rural de Xangai, na capital chinesa, em julho de 2024.
O acordo estabelece uma parceria de três anos focada em tecnologias de construção sustentável, eficiência energética e sistemas modularizados.
A assinatura ocorreu durante visita oficial de representantes paulistas à China, que buscavam trocar experiências sobre políticas habitacionais.
Objetivos e áreas de cooperação
A SDUH e a comissão de Xangai definiram quatro linhas principais de atuação: pesquisa conjunta, transferência de tecnologia, capacitação de profissionais e avaliação de políticas públicas.
Na pesquisa conjunta, equipes de engenheiros e arquitetos dos dois países irão analisar materiais de baixo impacto ambiental, como blocos de concreto reciclado e painéis solares integrados.
A transferência de tecnologia inclui visitas técnicas a fábricas de módulos pré-fabricados em Xangai, onde a produção em larga escala reduz custos e prazos.
Capacitação de profissionais será feita por meio de workshops presenciais e cursos online, garantindo que construtores paulistas adotem as melhores práticas chinesas.
A avaliação de políticas públicas permitirá comparar métricas de velocidade de construção, custo por metro quadrado e indicadores de sustentabilidade.
- Redução de até 30% no tempo de obra
- Diminuição de 20% nas emissões de CO₂
- Economia de 15% nos custos de materiais
- Melhoria na qualidade de vida dos futuros moradores
Modelos inovadores de habitação compartilhada
Um dos destaques da visita foi o modelo de “shared‑ownership housing”, ou habitação de propriedade compartilhada, amplamente utilizado em Xangai.
Nessa modalidade, o comprador adquire cerca de 60% da unidade, enquanto o governo retém os 40% restantes, reduzindo significativamente o valor de entrada e das parcelas.
Após cinco anos, o proprietário pode optar por comprar a parte governamental, completando a titularidade total do imóvel.
O esquema visa facilitar o acesso à casa própria para famílias de classe média e baixa, bem como para jovens que ainda não acumulam patrimônio suficiente.
O governo de São Paulo pretende adaptar esse modelo às suas próprias regras de financiamento, integrando‑o ao Sistema de Financiamento Imobiliário (SFH) e ao Programa Minha Casa Minha Vida.
Além do benefício financeiro, a propriedade compartilhada estimula a manutenção coletiva das áreas comuns, promovendo senso de comunidade e gestão compartilhada de recursos.
Impactos esperados para São Paulo
Especialistas projetam que a adoção de construções modulares pode acelerar a entrega de unidades habitacionais em até 40%, atendendo ao déficit de moradias no estado.
Com a eficiência energética incorporada nos projetos, as novas edificações deverão consumir menos energia elétrica, reduzindo a conta de luz dos moradores em média 25%.
O acordo também abre caminho para a criação de um parque industrial local de produção de módulos, gerando empregos qualificados e estimulando a cadeia produtiva regional.
Ao combinar tecnologia chinesa com o conhecimento das realidades paulistas, a parceria busca desenvolver soluções que sejam economicamente viáveis e ambientalmente responsáveis.
O documento tem validade de três anos, período em que serão realizados relatórios trimestrais para monitorar avanços, ajustar metas e garantir transparência entre as partes.
Marcelo Branco, secretário da SDUH, destacou que “as informações trazidas pela equipe de Xangai foram esclarecedoras e nos inspiram a buscar novos modelos de financiamento para vencer o déficit habitacional”.
Ele acrescentou que a experiência chinesa servirá como base para estudos de viabilidade, adaptando‑se ao contexto brasileiro e às necessidades específicas das cidades paulistas.
Em síntese, o memorando representa um marco na cooperação internacional voltada à habitação, unindo expertise tecnológica, inovação em modelos de propriedade e compromisso com a sustentabilidade.








