Uma fraude que consistiu na troca de etiquetas de mercadorias permitiu o furto de quase meia tonelada de placas de vídeo, avaliadas em R$ 2,5 milhões, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. O crime ocorreu em 20 de setembro de 2024, quando um caminhão autorizado saiu do terminal de cargas sem registro oficial de saída. A operação criminosa foi descoberta após a divulgação de anúncios online que mostravam os equipamentos roubados.
Como a fraude foi executada
Segundo a apuração interna da concessionária do aeroporto, os criminosos substituíram as etiquetas originais das placas de vídeo por outras que indicavam um produto de valor muito inferior. Essa manobra enganou o sistema de controle da Receita Federal, que ainda não havia liberado a importação da carga.
Um operador de empilhadeira foi filmado pelas câmeras de segurança movimentando os volumes dentro do armazém, enquanto um conferente autorizou a saída do caminhão. O documento falsificado indicava que o veículo transportava mercadoria de baixo custo, o que facilitou a liberação do acesso ao pátio de cargas.
Os funcionários que participaram da movimentação alegam não ter atuado diretamente no crime, mas a investigação aponta que a troca de etiquetas foi o ponto central que viabilizou o desvio.
Rastreamento da carga e prisão do suspeito
Parte dos equipamentos furtados apareceu em anúncios de venda em uma plataforma de comércio eletrônico. As imagens dos anúncios ajudaram os investigadores a identificar Bruno Emanuel Gonçalves Christofone, de 26 anos, residente em Santa Bárbara d’Oeste (SP).
Christofone foi detido após ser localizado durante as apurações relacionadas à comercialização das placas. Ele declarou à polícia que havia comprado os componentes pela internet com a intenção de revendê‑los, mas retirou o anúncio após a divulgação de reportagem televisiva sobre o caso.
Além dos anúncios iniciais, outras placas foram encontradas em publicações de rede social, ampliando a investigação e indicando a possível participação de terceiros na distribuição dos produtos.
Impactos econômicos e lições para o setor logístico
O furto representa um prejuízo direto de R$ 2,5 milhões, sem contar os custos indiretos associados à perda de confiança dos clientes e ao aumento das despesas de segurança. Em 2025, o terminal de Guarulhos movimentou mais de 300 toneladas de mercadorias, tornando‑se o maior hub de carga aérea do país.
Os principais impactos são:
- Perda financeira imediata para a empresa importadora e para a cadeia de suprimentos.
- Risco reputacional para a concessionária do aeroporto e para a Receita Federal.
- Necessidade de revisão dos procedimentos de etiquetagem, conferência e liberação de cargas.
- Pressão por investimentos em tecnologia de rastreamento e monitoramento em tempo real.
Especialistas apontam que a integração de sistemas de leitura de códigos de barras com inteligência artificial pode reduzir a vulnerabilidade a fraudes semelhantes.
Próximos passos das investigações
A Polícia Civil continua analisando como a troca de etiquetas foi realizada, quem coordenou a retirada dos equipamentos e se há outros cúmplices dentro ou fora do terminal. As autoridades também buscam rastrear a origem dos anúncios online e identificar possíveis compradores.
O desdobramento do caso pode levar à implementação de novos protocolos de controle de acesso, auditoria de documentos e treinamento de funcionários. A expectativa é que, com as lições aprendidas, o aeroporto de Guarulhos fortaleça sua segurança e evite novos incidentes de alto valor.








