Oito profissionais desapareceram no mar enquanto se dirigiam à ilha de Anak Krakatau para registrar a erupção vulcânica, na manhã de segunda‑feira (7) de setembro, a partir da cidade litorânea de Carita, na província de Banten, Indonésia.
Desaparecimento e buscas iniciais
Uma lancha que transportava cinco fotojornalistas, dois tripulantes e um guia perdeu contato logo após deixar o porto de Carita. A última mensagem, enviada às 18h13, informou que o grupo havia alcançado as águas próximas ao vulcão.
As autoridades de busca e resgate de Banten, lideradas por Al Amrad, iniciaram as operações de rastreamento na mesma noite. Equipes de mergulhadores, helicópteros e barcos de patrulha foram mobilizadas a partir de terça‑feira, dia 8, para percorrer a zona de risco.
Até o momento, nenhum sinal de sobreviventes foi localizado. A localização mais recente da embarcação indica que ela estava a aproximadamente 18,5 km da costa, em águas conhecidas por correntes fortes e presença de detritos vulcânicos.
- 5 fotojornalistas indonésios
- 2 tripulantes da lancha
- 1 guia local
Os familiares dos profissionais foram informados sobre a situação e recebem apoio psicológico enquanto aguardam atualizações das equipes de salvamento.
A erupção do Anak Krakatau e seu histórico
O Anak Krakatau, que significa “filho de Krakatoa”, surgiu dos restos do famoso vulcão que explodiu em 1883. Desde então, o cone emergente tem apresentado atividade intermitente, com explosões que lançam lava, cinzas e blocos incandescentes.
A erupção mais recente começou no domingo, 6 de setembro, e embora o pico inicial tenha cessado, o vulcão continua a expelir material vulcânico em intervalos irregulares. As autoridades classificaram o alerta como nível 2, o segundo mais alto no sistema de monitoramento indonésio.
Em 2018, uma erupção do Anak Krakatau gerou um tsunami que matou mais de 430 pessoas nas ilhas de Sumatra e Java. Esse histórico trágico reforça a necessidade de cautela ao se aproximar da cratera ativa.
O governo recomenda que moradores, pescadores e turistas mantenham distância mínima de três quilômetros da zona de atividade, para reduzir o risco de impactos diretos ou indiretos, como ondas de choque e queda de fragmentos.
Impactos regionais e medidas de segurança
A atividade vulcânica provocou o fechamento temporário de aeroportos em Jakarta e outras cidades próximas, afetando quase 3 mil voos, inclusive 622 internacionais, e cerca de 341 mil passageiros nos últimos dois dias.
Além da paralisação do tráfego aéreo, as autoridades locais autorizaram o fechamento de escolas nas áreas mais atingidas pelas cinzas. O ensino foi transferido para plataformas digitais, a fim de proteger a saúde dos estudantes.
Operadores de transporte marítimo também foram instruídos a evitar rotas próximas ao estreito de Sunda, onde o vulcão está situado, devido ao risco de queda de fragmentos e alterações nas correntes marítimas.
As equipes de resposta de emergência continuam monitorando a qualidade do ar, já que as nuvens de cinzas podem causar problemas respiratórios e reduzir a visibilidade nas áreas costeiras.
Desafios do jornalismo em zonas de risco vulcânico
Cobrir desastres naturais exige preparação técnica e logística avançada. Fotojornalistas que se deslocam para áreas de risco precisam de equipamentos de proteção, treinamento em primeiros socorros e planos de evacuação claros.
No caso do Anak Krakatau, a combinação de erupções explosivas, ondas de choque e condições marítimas imprevisíveis eleva o nível de perigo. Muitas redações optam por enviar equipes de apoio em terra firme, enquanto utilizam drones e satélites para captar imagens a distância.
Entretanto, a demanda por imagens exclusivas e em tempo real muitas vezes pressiona os profissionais a se aproximarem do perigo. O desaparecimento recente ilustra a linha tênue entre o dever informativo e a segurança pessoal.
Organizações de mídia estão revisando seus protocolos de segurança, incorporando avaliações de risco mais rigorosas e estabelecendo limites de distância mínima para coberturas em campo.
Além disso, a cooperação com autoridades de busca e resgate tem se mostrado essencial. Compartilhar informações de localização, horários de partida e rotas planejadas pode acelerar intervenções emergenciais em caso de incidentes.
Enquanto as buscas continuam, o caso dos fotojornalistas desaparecidos reforça a necessidade de equilibrar a urgência informativa com a preservação da vida, sobretudo em regiões tão voláteis como o Cinturão de Fogo do Pacífico, onde a Indonésia abriga mais de 120 vulcões ativos.








