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Foco de Doença de Newcastle leva ao abate de 6 mil perus em granja de Nova Itaberaba, SC

Na manhã da última segunda‑feira (19), as autoridades sanitárias confirmaram a presença do vírus da Doença de Newcastle em uma granja comercial de Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, resultando no abate imediato de 6 mil perus. O procedimento foi concluído na terça‑feira (20) e as carcaças foram enterradas seguindo normas ambientais rigorosas.

Como foi conduzido o abatimento e o descarte dos animais

O trabalho de contenção foi coordenado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As aves estavam distribuídas em dois galpões, e o abate foi realizado em duas etapas para garantir a segurança dos trabalhadores.

Após a eutanásia, as carcaças foram transportadas para uma vala aprovada pelas autoridades ambientais na tarde de terça‑feira. O local recebeu vistoria e autorização para receber os restos, que foram enterrados juntamente com os materiais contaminados, como caixas, bandejas e vestuário de manejo.

Para evitar contaminação do solo e da água, a Cidasc seguiu protocolos de compactação e cobertura da vala, além de monitoramento pós‑descarte. A empresa também anunciou que a granja passará por um processo completo de desinfecção antes de ser reaberta.

Vigilância nas áreas circundantes

Uma das medidas preventivas adotadas foi a ampliação da vigilância em um raio de até 10 quilômetros ao redor do foco. Nove equipes de técnicos agrícolas e veterinários foram mobilizadas para visitar granjas comerciais e criações de subsistência na região.

Ao todo, 1,6 mil propriedades serão inspecionadas nas próximas semanas, com prioridade para aquelas que têm previsão de entrega de aves para abate. Em 133 dessas propriedades, será coletada amostra de sangue ou secreções para análise laboratorial.

Os profissionais utilizam equipamentos de proteção individual (EPIs) e seguem protocolos de biossegurança para minimizar o risco de transmissão entre as unidades. Caso sejam detectados casos adicionais, as medidas de contenção serão reforçadas imediatamente.

Impacto nas exportações e nas cadeias produtivas

O foco de Newcastle desencadeou reações imediatas de cinco países que importam produtos avícolas brasileiros. O México, a Malásia, a China, o Chile e a Arábia Saudita anunciaram restrições que variam entre suspensão total e limitação de lotes provenientes de Santa Catarina.

  • Malásia: suspensão completa das importações de frango do Brasil.
  • China: restrição parcial a produtos de origem catarinense.
  • Chile: limitação de volumes exportados.
  • Arábia Saudita: bloqueio temporário de algumas categorias.
  • México: suspensão de compras de carne de aves.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que ainda não há estimativas precisas dos prejuízos financeiros para os produtores do estado, mas alerta para possíveis impactos na cadeia de abastecimento e na confiança dos compradores internacionais.

Mesmo com as restrições, a ABPA reforça que os lotes de carne e ovos provenientes de estabelecimentos que mantêm inspeção oficial continuam seguros para consumo humano, pois os selos de inspeção sanitária permanecem válidos.

Aspectos sanitários e riscos para a saúde humana

A Doença de Newcastle é um vírus altamente contagioso entre aves, tanto domésticas quanto silvestres, e pode causar alta mortalidade em rebanhos não vacinados. Em humanos, a infecção é rara e se manifesta, na maioria das vezes, como conjuntivite transitória de curta duração.

A transmissão ao ser humano ocorre apenas por contato direto com secreções ou materiais contaminados, não havendo risco ao consumir carne ou ovos devidamente cozidos. As autoridades de saúde pública reiteram que a cadeia produtiva, quando monitorada, mantém os padrões de segurança alimentar.

Os produtores que desejam proteger seus rebanhos podem adotar vacinas específicas contra o vírus, além de práticas de biossegurança como controle de acesso, desinfecção regular de instalações e monitoramento constante da saúde das aves.

Em resumo, o caso de Nova Itaberaba evidencia a importância de um sistema de vigilância integrado, que envolve órgãos estaduais, federais e a iniciativa privada, para detectar rapidamente surtos e evitar a disseminação da doença.

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