O Fundo Monetário Internacional e a Argentina concluíram, nesta terça‑feira (27), um acordo que pode liberar aproximadamente US$ 900 milhões ao país sul‑americano. O desembolso depende ainda da aprovação do Conselho Executivo do FMI e faz parte do programa de US$ 20 bilhões firmado em 2025.
Detalhes do acordo e condições de liberação
O novo repasse está atrelado à terceira revisão do programa, momento em que o FMI avalia se as metas acordadas foram cumpridas. Entre os requisitos, estão a manutenção da trajetória de desaceleração da inflação e a consolidação das reservas internacionais acima do patamar previsto. Caso o Conselho dê o aval, o dinheiro será disponibilizado em uma única tranche, reforçando o caixa do governo.
Além do valor imediato, o acordo abre caminho para outras liberações futuras, caso a Argentina continue a atender aos indicadores de desempenho estabelecidos. O FMI ressaltou que o acompanhamento será contínuo, com relatórios trimestrais para garantir a aderência ao plano de ajuste.
Desempenho econômico recente da Argentina
Na avaliação feita pelo FMI, a economia argentina mostrou sinais de recuperação desde a última revisão. A inflação, que vinha em alta acelerada, tem desacelerado gradualmente, permitindo ao Banco Central ajustar a política monetária com mais margem de manobra.
Um dos pontos mais positivos apontados foi o aumento das reservas internacionais, que superaram a meta estabelecida no programa. Esse “colchão” de dólares oferece maior segurança para o país enfrentar choques externos e reduz a pressão sobre o câmbio.
O relatório também destacou a estabilidade dos indicadores de atividade econômica, como a produção industrial e o consumo interno, que apresentaram leve crescimento nos últimos meses, apesar das dificuldades estruturais.
Impactos esperados nas contas públicas e nas reservas
Na esfera fiscal, o FMI exigiu que a Argentina busque um superávit primário de 1,4% do PIB em 2026 e mantenha esforço semelhante em 2027. O superávit primário representa a diferença entre receitas e despesas, excluindo os juros da dívida, e é crucial para reduzir o endividamento.
Com a liberação dos US$ 900 milhões, o governo poderá reforçar as reservas internacionais, que já estão acima da meta, e ainda direcionar recursos para programas sociais e investimentos produtivos, sem comprometer o equilíbrio fiscal.
O FMI também enfatizou a necessidade de o país diversificar suas fontes de financiamento, preparando-se para um retorno gradual ao mercado internacional de capitais. Essa estratégia inclui a emissão de títulos soberanos com condições atrativas para investidores externos.
Próximos passos e perspectivas de mercado
Nas próximas semanas, as autoridades argentinas deverão apresentar ao FMI um plano detalhado de como utilizar os recursos, incluindo cronogramas de investimento e metas de arrecadação. O Fundo, por sua vez, continuará monitorando indicadores como inflação, reservas e déficit primário.
Especialistas apontam que, se a Argentina conseguir cumprir as metas estabelecidas, o acesso a novos recursos internacionais pode se tornar mais fácil, reduzindo a dependência de empréstimos de curto prazo e fortalecendo a confiança dos investidores.
O cenário ainda apresenta desafios, como a necessidade de reformas estruturais no mercado de trabalho e no sistema tributário, que podem melhorar a competitividade e gerar crescimento sustentável a longo prazo.
- US$ 20 bilhões – programa total firmado em 2025
- US$ 15,8 bilhões – já desembolsados até o momento
- US$ 900 milhões – parcela potencial a ser liberada agora
- Meta de superávit primário – 1,4% do PIB em 2026
- Reserva internacional – acima da meta estabelecida








