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Fisioterapeuta descobre DTM após suspeita de AVC: a importância de reconhecer dores na mandíbula

Em 2024, Jéssica Pasquale, fisioterapeuta de 28 anos, foi internada em um hospital de São Paulo com suspeita de acidente vascular cerebral após acordar com o rosto dormente. A internação durou quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, apesar de exames extensos, o AVC foi descartado sem que a causa dos sintomas fosse identificada.

O caso de Jéssica Pasquale

Após receber alta, Jéssica continuou a sentir formigamento, dores de cabeça intensas e desconforto ao mastigar, sintomas que já a acompanhavam há mais de dez anos. A busca por um diagnóstico preciso a levou a consultar diferentes especialistas, incluindo neurologistas, otorrinolaringologistas e dentistas.

Foi somente após uma avaliação detalhada da articulação temporomandibular (ATM) que a verdadeira origem dos problemas foi revelada: disfunção temporomandibular (DTM). O diagnóstico trouxe alívio e possibilitou a definição de um plano de tratamento não invasivo.

Nos três meses seguintes ao início da terapia, Jéssica observou melhora significativa, permitindo-lhe retomar suas atividades profissionais sem interrupções prolongadas.

Entendendo a Disfunção Temporomandibular

A DTM engloba um conjunto de distúrbios que afetam os músculos da mastigação, a articulação temporomandibular e estruturas associadas, como ligamentos, discos e cartilagem. Embora o bruxismo seja uma das causas mais citadas, a condição pode surgir sem a presença de ranger de dentes.

Estudos recentes apontam que cerca de 33,6% da população brasileira pode apresentar algum grau de DTM, segundo uma meta‑análise que avaliou 6.365 participantes.

Além das dores locais, a DTM tem forte associação com enxaqueca. Uma revisão da UNESP publicada em 2026 mostrou que indivíduos com enxaqueca têm seis vezes mais probabilidade de desenvolver DTM, enquanto quem tem DTM apresenta 2,6 vezes mais risco de sofrer enxaqueca.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor ou sensibilidade na mandíbula, face ou pescoço
  • Estalos ou rangidos ao abrir e fechar a boca
  • Dificuldade para mastigar alimentos duros
  • Formigamento ou dormência nos lábios e na língua
  • Dor de cabeça recorrente, muitas vezes confundida com cefaleia tensional

Em alguns casos, a DTM pode estar associada a quadros de dor crônica, como fibromialgia, ampliando ainda mais o impacto na qualidade de vida do paciente.

Diagnóstico, tratamento e prevenção

O diagnóstico da DTM é predominantemente clínico, baseado na história do paciente e no exame físico. Exames de imagem, como radiografias, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, são utilizados como complementos para definir o tipo e a gravidade da disfunção.

A inteligência artificial tem se mostrado uma aliada valiosa, ajudando a analisar padrões de imagem e a sugerir hipóteses diagnósticas mais precisas.

O tratamento, na maioria dos casos, não requer intervenções cirúrgicas. Até 90% dos pacientes podem ser manejados com recursos conservadores disponíveis em consultório, como:

  • Placas interoclusais personalizadas
  • Terapia a laser de baixa intensidade
  • Ultrassom terapêutico
  • Fisioterapia específica para a região cervical e mandibular
  • Pequenas infiltrações de anestésico ou corticoide, quando necessário

Especialistas alertam para o uso excessivo de analgésicos, que pode desencadear cefaleia crônica por uso excessivo de medicação. O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo dentistas, fisioterapeutas e neurologistas, reduz esse risco.

Planos de saúde frequentemente não cobrem atendimentos odontológicos, o que pode levar pacientes a buscar cirurgias desnecessárias com cirurgiões buco‑maxilo‑faciais. A orientação correta e o acesso a tratamentos conservadores evitam intervenções invasivas e custos adicionais.

Prevenir a DTM envolve hábitos simples, como evitar mastigação excessiva de alimentos duros, controlar o estresse (um dos gatilhos para o bruxismo) e manter uma postura adequada ao trabalhar em frente ao computador.

Para quem já apresenta sintomas, a busca precoce por avaliação especializada pode encurtar o tempo de sofrimento e evitar a progressão para quadros mais graves, como dor crônica ou limitações funcionais.

O relato de Jéssica Pasquale ilustra a importância de considerar a região orofacial ao investigar dores de cabeça recorrentes. Muitas vezes, a origem dos sintomas está mais próxima do que imaginamos, e o diagnóstico correto pode transformar a vida do paciente.

Profissionais de saúde são encorajados a incluir perguntas sobre hábitos de mastigação, bruxismo e dor facial durante a anamnese de pacientes que apresentam cefaleia persistente. Essa prática pode reduzir o número de exames desnecessários e encaminhamentos equivocados.

Em resumo, a DTM é uma condição prevalente, multifatorial e tratável. O reconhecimento precoce, aliado a abordagens não invasivas, garante alívio rápido e diminui a necessidade de intervenções cirúrgicas.

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