Uma pesquisa da Quaest, divulgada nesta quinta‑feira (22), revelou que eleitores consideraram as notícias sobre o fim da escala 6 por 1 e o Caso Master como determinantes para escolher seu candidato à presidência no primeiro turno das eleições de 2024. O levantamento foi realizado após a votação de 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro (PL) superou Lula (PT) por 2,2 milhões de votos. Os resultados apontam diferenças marcantes entre os apoiadores de cada candidato e revelam como temas específicos podem reconfigurar a decisão do eleitor.
Contexto da pesquisa e resultados principais
A Quaest entrevistou milhares de eleitores em todo o país, buscando identificar quais notícias tiveram maior peso na definição do voto. Entre os entrevistados, 25% dos apoiadores de Lula citaram o fim da escala 6 por 1 como a notícia mais influente, enquanto 23% dos eleitores de Flávio Bolsonaro destacaram as denúncias envolvendo ministros do STF e o Caso Master.
Esses números mostram que questões de política de jogos e de integridade institucional ainda são capazes de gerar fortes reações no eleitorado, mesmo em um cenário de polarização intensa. A pesquisa também revelou que, no segundo turno, as projeções ficaram praticamente equilibradas, com Flávio Bolsonaro em 45% e Lula em 44% das intenções de voto.
- Fim da escala 6 por 1: 25% dos eleitores de Lula consideram decisivo;
- Caso Master: 23% dos eleitores de Flávio Bolsonaro consideram decisivo;
- Mulheres priorizam a escala 6 por 1 (19%);
- Homens dão preferência às denúncias do Caso Master (19%).
Esses dados foram coletados em um período de alta circulação de notícias, quando tanto a mídia quanto as redes sociais amplificaram o debate sobre a legalidade das apostas esportivas e a suposta interferência de ministros do Supremo Tribunal Federal em questões financeiras.
Como as notícias influenciaram eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro
Para os eleitores que apoiam Lula, o fim da escala 6 por 1 representou um alívio diante da percepção de que a prática poderia favorecer grupos de interesse e prejudicar a transparência nas apostas. Muitos acreditam que a medida reforça a proteção ao consumidor e impede a concentração de poder econômico nas mãos de poucos.
Já os eleitores de Flávio Bolsonaro foram mais sensíveis às denúncias sobre o Caso Master, que envolve supostos favorecimentos a bancos por parte de ministros do STF. Essa narrativa alimentou a ideia de que há um descompasso entre o Judiciário e a população, reforçando a narrativa de combate à corrupção institucional.
Um ponto interessante é que, entre os eleitores que citaram o Caso Master como fator decisivo, 8% afirmaram ter mudado de voto após acompanhar as notícias. No grupo que destacou a proibição das apostas, a taxa de mudança foi de 7%, indicando que ambas as pautas foram capazes de gerar reversões de opinião.
Essas mudanças, embora pareçam pequenas em termos percentuais, podem ser decisivas em um pleito tão apertado como o que se desenrolou no primeiro turno, onde a diferença entre os dois candidatos foi de apenas 2,2 milhões de votos.
Análise de gênero e mudança de intenção de voto
O estudo também trouxe à tona diferenças de gênero na forma como as notícias foram percebidas. As mulheres, que representaram 52% da amostra, deram maior relevância ao fim da escala 6 por 1, com 19% apontando essa notícia como determinante. Essa preferência pode estar ligada a preocupações com a proteção dos direitos dos consumidores e a busca por um ambiente de apostas mais regulado.
Por outro lado, os homens, que constituíram 48% da amostra, mostraram maior inclinação para as denúncias do Caso Master, também com 19% indicando essa pauta como decisiva. Essa divergência sugere que questões de integridade institucional e combate à corrupção podem ressoar de forma diferente entre os gêneros.
Além disso, a pesquisa destacou que a mudança de voto foi relativamente equilibrada entre os gêneros, reforçando que, independentemente do sexo, as notícias sobre políticas públicas e escândalos judiciais têm poder de mobilizar o eleitorado.
Em resumo, a pesquisa da Quaest evidencia que temas específicos – como a regulação das apostas esportivas e a suspeita de interferência judicial – podem atuar como catalisadores de mudança na intenção de voto, sobretudo em um cenário de disputa acirrada. Esses fatores podem continuar a influenciar o segundo turno, caso a corrida presidencial se estenda.
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