Um estudo apresentado na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, mostrou que atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa diminuem significativamente a chance de desenvolver diabetes tipo 2. Os pesquisadores analisaram quase 90 mil adultos entre 2013 e 2015, observando seus hábitos de exercício e o surgimento da doença ao longo de quase oito anos.
Como o estudo foi conduzido
Os participantes foram recrutados do UK Biobank, o maior banco de dados de saúde pública do Reino Unido, e tinham idade média de 63 anos. Cada voluntário usou um acelerômetro no pulso por sete dias consecutivos, permitindo mensurar com precisão os minutos semanais de atividade física moderada a vigorosa (AFMV).
Os pesquisadores dividiram os dados em faixas etárias – menores e maiores de 63 anos – e classificaram os níveis de atividade como baixos ou altos, com base na média de minutos praticados por semana. O acompanhamento clínico identificou 2.140 casos de diabetes tipo 2, representando 2,4% da amostra.
Para garantir a robustez dos resultados, foram ajustados fatores de confusão como idade, sexo, etnia, escolaridade, nível socioeconômico, tabagismo, duração do sono e histórico familiar de diabetes.
Impacto da intensidade e do horário do exercício
Entre os adultos com menos de 63 anos, quem praticou cerca de 121 minutos semanais de AFMV teve mais que o dobro de risco relativo de desenvolver a doença, comparado aos que registraram 409 minutos ou mais.
Já na população com 63 anos ou mais, níveis mais baixos de atividade resultaram em um risco relativo 65% maior, indicando que a idade modera a eficácia dos exercícios.
Um achado adicional foi a influência do horário de treino. Os participantes que concentraram a maior parte dos exercícios entre 13h e meia‑noite apresentaram risco 10% menor que aqueles que se exercitavam entre 5h e 13h.
- Exercícios recomendados: caminhada rápida, corrida, ciclismo, natação.
- Intensidade ideal: moderada a vigorosa, atingindo ao menos 150 minutos semanais.
- Horário preferencial: período da tarde até o início da noite.
Risco relativo versus risco absoluto
Os autores destacam que o risco relativo indica quantas vezes menor é a probabilidade de contrair diabetes ao se exercitar mais, mas não revela quantos casos reais são evitados.
O risco absoluto, por sua vez, mostra o número efetivo de casos evitados. Mesmo que a redução percentual seja menor em idosos, o número absoluto de casos prevenidos aumenta porque a incidência base de diabetes é maior nessa faixa etária.
Qiuyu Feng, líder da investigação, enfatiza que políticas de saúde devem considerar ambos os indicadores para mensurar o impacto real da atividade física na população.
Implicações para políticas de saúde e recomendações práticas
Os resultados sugerem que campanhas de promoção de atividade física devem ser direcionadas a todas as faixas etárias, mas com mensagens específicas para idosos, que podem obter benefícios absolutos mais expressivos.
Além de incentivar a frequência, é importante orientar a população a escolher momentos do dia que potencializem os efeitos protetores, como o período da tarde.
Profissionais de saúde podem usar a seguinte lista de recomendações ao conversar com pacientes:
- Incluir ao menos 150 minutos de atividade moderada a vigorosa por semana.
- Preferir exercícios aeróbicos como caminhada rápida, corrida ou ciclismo.
- Distribuir a prática ao longo do dia, dando prioridade ao período pós‑almuerzo.
- Utilizar dispositivos de monitoramento (acelerômetros ou smartwatches) para garantir a intensidade desejada.
- Combinar atividade física com alimentação balanceada e controle de peso.
Ao adotar essas práticas, indivíduos podem reduzir tanto o risco relativo quanto o número absoluto de novos casos de diabetes tipo 2, contribuindo para a diminuição da carga da doença na sociedade.
Em síntese, o estudo reforça a mensagem de que “quanto mais ativo, melhor”, e que a escolha do horário de exercício pode ser um fator adicional para otimizar a prevenção da diabetes, sobretudo entre a população mais idosa.








