O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), iniciou nesta quinta‑feira, 15 de junho, a oferta de um exame de sangue que auxilia na investigação da doença de Alzheimer. Trata‑se da primeira instituição no país a disponibilizar o teste aprovado pela Anvisa, trazendo uma alternativa menos invasiva para pacientes com suspeita de comprometimento cognitivo.
Novidade no diagnóstico de Alzheimer
O novo exame, conhecido tecnicamente como Lumipulse G pTau217/β‑Amyloid 1‑42 Plasma Ratio, foi autorizado pela FDA em maio de 2025 e agora conta com registro na Anvisa. Seu objetivo principal é detectar a proteína p‑tau217 no plasma, biomarcador associado ao acúmulo de placas de beta‑amiloide no cérebro.
Ao analisar uma simples amostra de sangue, o teste oferece informações que complementam a avaliação clínica, reduzindo a necessidade de procedimentos mais invasivos, como a punção lombar ou a tomografia por emissão de pósitrons.
Como funciona o exame de sangue
O procedimento começa com a coleta de sangue venoso, que é enviada ao laboratório especializado da Fujirebio Diagnostics. Lá, a amostra passa por um ensaio automatizado que quantifica os níveis de p‑tau217 e de beta‑amiloide, gerando um índice que indica a probabilidade de presença de alterações típicas do Alzheimer.
Os resultados são entregues ao médico em até duas semanas, permitindo que o profissional correlacione o índice com a história clínica, os sintomas relatados e, se necessário, outros exames complementares.
É importante destacar que o teste não é um rastreamento populacional. Ele deve ser solicitado por neurologista ou geriatra para pacientes que já apresentam sinais de comprometimento cognitivo.
Impacto para pacientes e sistema de saúde
Inicialmente, o exame será oferecido de forma privada, mas o hospital já planeja integrar a tecnologia aos planos de saúde e ao SUS até 2026, por meio de parcerias vinculadas ao PROADI‑SUS. Essa ampliação pode democratizar o acesso a um diagnóstico mais precoce e preciso.
Para os pacientes, a principal vantagem é a redução do desconforto e do risco associados a procedimentos invasivos. Além disso, o tempo de espera para obtenção de resultados costuma ser menor, o que pode acelerar a tomada de decisões terapêuticas.
Do ponto de vista do sistema de saúde, a adoção do exame pode gerar economia ao diminuir a necessidade de exames de imagem caros e de procedimentos hospitalares complexos.
- Redução de custos com exames de imagem
- Descongestionamento de serviços de neuroimagem
- Diagnóstico mais rápido e menos invasivo
Próximos passos e perspectivas
O pesquisador Eduardo Zimmer, head de Pesquisa da Unidade de Neurociência do Hospital Moinhos de Vento, afirmou que os estudos de validação demonstraram alta acurácia na identificação das placas de beta‑amiloide. No entanto, ele reforça que o resultado do exame deve ser interpretado em conjunto com a avaliação clínica completa.
Os próximos desafios incluem a capacitação de profissionais de saúde para a correta solicitação e interpretação do teste, bem como a criação de protocolos que integrem o exame ao fluxo padrão de investigação do Alzheimer.
Com a expectativa de que outras instituições brasileiras adotem a tecnologia nos próximos anos, o cenário aponta para uma transformação significativa na forma como a doença neurodegenerativa é investigada no país.
Em síntese, a chegada do exame de sangue ao Brasil representa um marco na luta contra o Alzheimer, oferecendo aos pacientes uma ferramenta diagnóstica mais acessível, segura e alinhada às práticas internacionais de saúde.








