Em julho de 2024, o ex‑ministro Carlos Velloso, juntamente com outros doze ex‑ministros e ex‑presidentes do Supremo Tribunal Federal, manifestou apoio ao presidente da Corte, Edson Fachin, e exigiu a realização de uma sessão pública para apurar os gravíssimos fatos que têm abalado a imagem do STF. A declaração foi feita em entrevista concedida à imprensa nacional, no contexto de uma crise institucional que envolve denúncias de irregularidades nas investigações do Banco Master.
Contexto da crise no Supremo Tribunal Federal
Nos últimos meses, o STF tem sido alvo de intensas críticas devido à divulgação de documentos e mensagens que apontam supostas ligações entre o empresário Daniel Vorcaro e membros do Judiciário. As revelações provocaram um debate acalorado sobre a conduta de ministros como Alexandre de Moraes e André Mendonça, gerando dúvidas sobre a imparcialidade da Corte.
Além das questões judiciais, a crise tem repercussão política e social, pois a confiança da população nas instituições democráticas começou a mostrar sinais de desgaste. Pesquisas de opinião indicam que a credibilidade do STF caiu para níveis historicamente baixos, o que aumenta a pressão por respostas claras e transparentes.
Em meio a esse cenário, antigos integrantes da Corte decidiram se posicionar de forma coletiva, buscando evitar que a disputa se transforme em um embate individual entre ministros. A iniciativa tem como objetivo preservar a autoridade institucional e restaurar a confiança da sociedade.
A carta de apoio a Edson Fachin
Na manhã da última quinta‑feira, Carlos Velloso enviou à imprensa uma carta assinada por treze ex‑ministros e ex‑presidentes, na qual reforça a confiança plena no presidente do STF, Edson Fachin. O documento destaca a necessidade de apoio da mídia ao presidente e delineia as medidas que o grupo considera essenciais para enfrentar a crise.
Os principais pontos da carta são apresentados de forma clara e objetiva, como segue:
- Apelo ao apoio institucional e midiático ao presidente Edson Fachin.
- Convocação do colegiado do STF para deliberar sobre os fatos divulgados.
- Realização de uma sessão pública que permita a participação da sociedade.
- Rigor na apuração dos “gravíssimos fatos” que ameaçam o prestígio da Corte.
Velloso enfatiza que a carta não busca culpar nenhum ministro individualmente, mas sim garantir que a investigação siga um procedimento coletivo, transparente e institucionalizado. Ele acrescenta que a confiança da Nação no presidente Fachin deve ser reforçada, sobretudo em momentos de turbulência.
Para evitar a personalização da posição do grupo, os signatários decidiram não conceder entrevistas individuais. O ex‑ministro explicou que “evitamos dar entrevistas, evitando, assim, fulanizar o grupo dos ministros e ex‑presidentes”.
Transparência, sessão pública e os rumos da Corte
A proposta de uma sessão pública coloca a transparência no centro da resposta institucional. Segundo Velloso, a apuração dos fatos não pode se limitar a declarações isoladas ou a versões apresentadas fora do tribunal; deve ser conduzida por um procedimento que ofereça respostas concretas à sociedade.
Os defensores da sessão pública argumentam que a abertura do debate ao público fortalece a legitimidade das decisões judiciais e impede a formação de narrativas paralelas que podem distorcer a realidade dos acontecimentos. Além disso, a participação de jornalistas e cidadãos pode servir como mecanismo de controle social.
Por outro lado, alguns juristas alertam para os riscos de transformar processos judiciais em espetáculos midiáticos. Eles defendem que a preservação da independência do Judiciário deve ser equilibrada com a necessidade de prestação de contas à população.
O grupo de ex‑ministros acredita que a convocação do colegiado do STF é o caminho mais adequado para garantir que todas as vozes internas sejam ouvidas antes de qualquer decisão. Essa medida, segundo eles, evitará que decisões sejam tomadas de forma unilateral e contribuirá para a coesão institucional.
Em síntese, a carta assinada por Carlos Velloso e seus colegas busca restabelecer a autoridade do STF, proteger a estabilidade das instituições democráticas e reconquistar a confiança do povo brasileiro. A expectativa agora recai sobre a resposta do atual colegiado e sobre a possibilidade de agendar a tão demandada sessão pública.
Enquanto isso, a sociedade civil acompanha de perto os desdobramentos, ciente de que a forma como a Corte lidará com a crise pode definir novos parâmetros para a relação entre Poder Judiciário e população. A transparência prometida, se efetivada, pode servir de exemplo para outras instituições que enfrentam situações semelhantes.








