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EUA propõem eleições presidenciais na Venezuela para 2027, afirma líder da oposição

María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, declarou nesta quinta‑feira (29) que os Estados Unidos sugeriram a realização de eleições presidenciais na Venezuela em 2027. A fala ocorreu em Caracas, poucos dias depois de seu retorno ao país, no domingo (25). O anúncio reacende o debate sobre o futuro político da nação sul‑americana.

Retorno de María Corina Machado e declarações sobre 2027

Após uma longa ausência, Machado reapareceu em território venezuelano ao desembarcar em Caracas, cercada por apoiadores e jornalistas. Em sua primeira entrevista coletiva, a opositora ressaltou que a proposta americana visa garantir um calendário eleitoral previsível, evitando a perpetuação de um governo autoritário.

Segundo a líder oposicionista, a sugestão dos EUA não implica interferência direta, mas representa um convite ao diálogo entre a administração interina de Delcy Rodríguez e os diferentes setores da sociedade civil. Machado enfatizou que a data de 2027 deve ser vista como um marco para a construção de instituições mais transparentes.

Reações dos Estados Unidos e da liderança venezuelana

O governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento de Estado, afirmou que Machado tem todo o direito de estar na Venezuela e que seu retorno é um sinal positivo para o processo de paz. O secretário de Estado, Marco Rubio, foi citado como apoiador da iniciativa de estabelecer um calendário eleitoral claro.

Entretanto, o presidente interino, Delcy Rodríguez, recebeu elogios de Donald Trump, que destacou a importância da continuidade institucional. Enquanto isso, Machado agradeceu publicamente a Trump e a Rubio, apontando que a relação bilateral deve se basear no respeito mútuo e nos interesses de ambas as nações.

O presidente Nicolás Maduro, ainda preso às acusações de tráfico de drogas e tortura nos EUA – acusações que nega – não comentou diretamente a proposta de 2027, mas seu governo tem se mostrado cauteloso diante de qualquer pressão externa.

Desafios e propostas para a transição democrática

Machado apresentou um conjunto de medidas que, segundo ela, são essenciais para garantir eleições livres e justas. Entre as propostas, destacam‑se:

  • Reforma do Conselho Nacional Eleitoral para garantir sua independência.
  • Reestruturação do Tribunal Supremo de Justiça, com inclusão de magistrados de diferentes correntes políticas.
  • Criação de um mecanismo de Justiça de Transição, responsável por investigar abusos cometidos durante o regime atual.
  • Instalação de uma Comissão da Verdade, destinada a documentar violações de direitos humanos.
  • Revisão das forças de segurança do Estado, visando a despolitização das instituições militares e policiais.

Além dessas reformas institucionais, Machado defendeu a necessidade de mudar as regras para contratos públicos e investimentos estrangeiros. Ela argumenta que acordos transparentes, licitações abertas e mecanismos internacionais de arbitragem são fundamentais para atrair investidores e proteger a população.

O governo interino de Rodríguez já assinou acordos com empresas dos setores de petróleo, gás e mineração, com apoio dos EUA. Um dos contratos mais controversos envolve a empresa norte‑americana Blue Energy Partners, que pretende exportar a produção de 17 campos petrolíferos venezuelanos.

Machado criticou o referido contrato, alegando falta de transparência e ausência de consulta popular. Ela também mencionou o presidente‑executivo da companhia, Alejandro Betancourt, que foi alvo de investigações nos Estados Unidos, Espanha e Suíça por suspeitas de lavagem de dinheiro, embora nunca tenha sido formalmente acusado.

Apesar das críticas, Machado reconheceu que alguns acordos poderão ser mantidos, desde que sejam revisados para atender aos padrões de clareza exigidos pela sociedade venezuelana. Ela ressaltou que a prioridade é garantir que todos os cidadãos aptos possam exercer seu direito ao voto nas próximas eleições.

Em entrevista coletiva, a líder oposicionista evitou responder a perguntas sobre declarações anteriores de Trump, que sugeriu que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado dos EUA. Machado afirmou que tais comentários não alteram seu compromisso com a soberania nacional e a construção de um processo democrático inclusivo.

Ao final da coletiva, Machado reforçou que a relação entre Venezuela e Estados Unidos deve se basear em respeito mútuo, cooperação econômica e apoio a reformas que fortaleçam a democracia. Ela concluiu que o caminho para 2027 depende da vontade política de todos os atores envolvidos.

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