O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou nesta segunda‑feira, 21 de setembro, que todas as companhias aéreas iranianas terão de cessar suas operações internacionais em apenas dois dias, como parte de uma nova rodada de sanções econômicas. A medida, que afeta voos em todo o mundo, foi divulgada durante entrevista à CNBC e reforça a pressão dos EUA sobre Teerã.
Sanções dos EUA e seus impactos imediatos
Segundo Bessent, a partir de 23 de setembro nenhuma companhia aérea iraniana poderá pousar, reabastecer ou receber serviços de apoio em aeroportos estrangeiros. Além disso, quem violar a restrição será excluído do sistema de pagamentos em dólares, o que inclui bancos e agências de turismo.
As sanções também visam empresas que, embora não estejam sediadas no Irã, fornecem suporte ao setor de aviação iraniano. Essa estratégia amplia o alcance das medidas, dificultando a obtenção de peças de reposição, seguros e financiamento externo.
- Proibição de pouso em aeroportos estrangeiros
- Bloqueio de reabastecimento de combustível
- Impossibilidade de vender passagens internacionais
- Exclusão do sistema de pagamentos em dólar para infratores
O impacto econômico imediato será sentido por milhares de passageiros que dependem de rotas regionais e internacionais operadas por companhias como Mahan Air, Iran Air e Persian Gulf Airlines. Muitos viajantes terão que buscar alternativas em companhias de terceiros, o que pode elevar os preços das passagens.
Reação dos países da região
Fontes iraquianas confirmaram que Bagdá suspendeu todos os voos iranianos em seu espaço aéreo logo após o anúncio do Departamento do Tesouro. A decisão foi tomada para evitar sanções secundárias que poderiam afetar o setor financeiro iraquiano.
Na Geórgia, as autoridades também proibiram o uso de seu espaço aéreo por aeronaves iranianas, seguindo as diretrizes americanas. A medida afeta rotas que atravessam o Cáucaso, um corredor importante para voos entre o Oriente Médio e a Europa Oriental.
A Turquia, por sua vez, recebeu um pedido da empresa de aviação iraniana Mahan Air para suspender voos ao país. O governo turco atendeu ao pedido, citando a necessidade de cumprir as sanções impostas pelos EUA.
Essas ações coordenadas demonstram o alcance das sanções norte‑americanas, que não se limitam ao território dos EUA, mas se estendem a parceiros estratégicos que operam rotas sobrevoando áreas sensíveis.
Contexto geopolítico e consequências a longo prazo
O endurecimento das sanções ocorre em meio a um conflito que já dura mais de seis meses entre Irã, Estados Unidos e Israel. Embora não exista um cessar‑fogo definitivo, as hostilidades permanecem intensas, com ataques aéreos e retaliações econômicas em ambos os lados.
Nos últimos dias, Washington intensificou a pressão sobre Teerã, buscando isolar ainda mais o país no cenário internacional. A decisão de atingir o setor de aviação faz parte de uma estratégia mais ampla que inclui sanções a bancos, petroquímicos e empresas de tecnologia.
Especialistas apontam que a restrição ao transporte aéreo pode acelerar a deterioração da economia iraniana, já fragilizada por décadas de sanções. A perda de receitas de turismo e de negócios internacionais pode reduzir ainda mais a capacidade de o governo financiar sua defesa.
Por outro lado, o Irã tem buscado alternativas, como o desenvolvimento de rotas de voo sobre territórios aliados ou a utilização de aviões de carga de países não alinhados aos EUA. No entanto, a falta de acesso ao sistema financeiro global dificulta a manutenção de tais operações.
Além das implicações econômicas, a medida tem repercussões diplomáticas. O secretário Bessent se encontrou recentemente com o vice‑primeiro‑ministro chinês, He Lifeng, em um diálogo que antecede a visita do presidente Donald Trump à China. A China, um dos principais parceiros comerciais do Irã, pode ser pressionada a alinhar sua política de aviação ao dos Estados Unidos.
Analistas de relações internacionais sugerem que a decisão pode gerar um efeito dominó, levando outros países a adotarem políticas semelhantes para evitar sanções secundárias. Isso poderia resultar em um isolamento ainda maior do Irã no cenário global.
Enquanto isso, as companhias aéreas iranianas já começaram a reorganizar suas operações. Algumas estão cancelando voos programados, outras estão reavaliando contratos de leasing de aeronaves com fabricantes estrangeiros.
Os passageiros que já adquiriram passagens para datas próximas ao prazo de 23 de setembro foram informados de que terão direito ao reembolso integral ou à remarcação para voos operados por companhias não sancionadas.
O Departamento do Tesouro dos EUA ainda não divulgou detalhes sobre possíveis sanções adicionais que possam ser aplicadas a outras indústrias estratégicas do Irã, mas indica que a pressão continuará até que Teerã atenda às exigências americanas.
Em resumo, a medida de encerrar as operações das companhias aéreas iranianas representa um marco significativo na escalada das sanções econômicas dos EUA, afetando não apenas o setor de aviação, mas também a dinâmica geopolítica da região.








