Uma pesquisa realizada pela Reuters em parceria com a Ipsos mostrou que a taxa de aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou para 32%, o menor patamar da sua carreira política. O levantamento foi divulgado na segunda‑feira, 21 de setembro, e refletiu o sentimento dos eleitores em todo o país. A pesquisa foi feita online, com 1.277 adultos, e tem margem de erro de três pontos percentuais.
Queda histórica na aprovação
Entre os republicanos, a aprovação de Trump caiu de 82% para 73% em apenas uma semana, sinalizando um desgaste rápido dentro da própria base. No conjunto geral dos entrevistados, a aprovação também diminuiu, passando de 35% no estudo anterior para 32% neste novo levantamento. Essa queda representa o ponto mais baixo registrado desde que Trump assumiu a presidência em janeiro de 2025.
Analistas apontam que o declínio está ligado a questões econômicas que afetam diretamente o cotidiano dos americanos. A percepção de que a administração não tem conseguido controlar a inflação tem sido citada como um dos principais fatores de descontentamento. Além disso, a crescente insegurança em relação à política externa tem contribuído para o enfraquecimento da imagem do presidente.
Descontentamento com o custo de vida
O tema do custo de vida foi o mais mencionado pelos entrevistados quando perguntados sobre as prioridades para as próximas eleições legislativas de novembro. Apenas 17% dos participantes aprovaram a atuação de Trump nesse campo, enquanto 51% dos republicanos desaprovam, superando os que ainda dão apoio. Essa inversão marca a primeira vez que a desaprovação supera a aprovação entre os eleitores do próprio partido.
Os números refletem a pressão dos preços de combustíveis, que atingiram recordes nos últimos meses. Em 17 de setembro, o preço médio da gasolina chegou a US$ 4,47 por galão, e o diesel atingiu US$ 6,45 por galão, segundo a American Automobile Association (AAA). Esses valores representam um aumento significativo em relação ao início do ano, quando os preços ainda estavam abaixo de US$ 3,00 por galão.
- Escassez de oferta de petróleo devido ao conflito no Oriente Médio
- Problemas operacionais nas refinarias norte‑americanas
- Políticas fiscais que elevaram os custos de produção
Esses três elementos foram destacados pelos especialistas como os principais responsáveis pela elevação dos preços. A combinação de fatores externos e internos criou um cenário de alta inflacionária que tem afetado o poder de compra da população.
Impactos da guerra entre EUA e Irã
O conflito iniciado em 28 de fevereiro entre Estados Unidos e Irã agravou ainda mais a situação econômica. As hostilidades atingiram o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte mundial de petróleo e gás. A interrupção parcial do fluxo de energia provocou um aumento imediato nos preços internacionais do crú.
Além da escassez de oferta, a guerra gerou incerteza nos mercados financeiros, elevando o custo do capital para as empresas de energia. Essa volatilidade se traduziu em aumentos de preço que foram repassados ao consumidor final, principalmente nas bombas de gasolina e nos postos de diesel.
Os analistas apontam que, enquanto o conflito permanecer ativo, a pressão sobre os preços deve permanecer alta. Mesmo que as negociações diplomáticas avancem, a recuperação completa da cadeia de suprimentos pode levar meses, ou até anos, dependendo da estabilidade da região.
Perspectivas para as eleições de novembro
Com a queda na aprovação e a crescente insatisfação com o custo de vida, o cenário eleitoral para novembro se torna mais incerto para o partido republicano. A promessa de Trump de conter a inflação e encerrar conflitos externos ainda não se concretizou, o que pode gerar perdas de votos entre os eleitores indecisos.
Especialistas sugerem que os democratas podem aproveitar o descontentamento econômico para reforçar suas propostas de políticas fiscais mais agressivas e investimentos em energia renovável. A estratégia de campanha dos republicanos, por sua vez, pode focar em questões de segurança nacional e na retórica de combate à criminalidade.
Entretanto, a base mais fiel ao presidente ainda demonstra apoio significativo, como evidencia a aprovação de 73% entre os republicanos. Essa divisão interna pode criar um ambiente de campanha intenso, com debates acirrados sobre quem realmente tem a solução para a crise de preços.
Em resumo, a pesquisa Reuters/Ipsos revela que a popularidade de Trump está em seu ponto mais baixo desde que assumiu o cargo, refletindo a combinação de fatores econômicos e geopolíticos que afetam o cotidiano dos americanos. O futuro político do presidente dependerá, em grande parte, da capacidade de reverter a tendência de alta nos preços e de apresentar um plano convincente para a estabilização da economia.








