Em setembro de 2026, a pesquisa de opinião da Quaest revelou um cenário inesperado para a corrida presidencial: Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados no primeiro turno. O levantamento, realizado entre 17 e 20 de setembro, mostrou 37% de intenção de voto para o petista e 33% para o candidato do PL, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Esse resultado coloca a disputa no limite do empate, sinalizando uma eleição mais competitiva do que se previa.
Empate técnico no primeiro turno
A margem de erro de dois pontos percentuais permite que ambos os candidatos atinjam 35% de apoio, o que caracteriza um empate técnico. Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest, enfatizou que o dado deve ser analisado dentro da sequência de levantamentos da empresa, que acompanha a evolução da disputa ao longo do tempo.
Segundo Russo, a pesquisa funciona como um “filme” que captura as variações de apoio ao longo das semanas. Ele destacou que, nas últimas rodadas, Lula havia perdido apoio, mas nesta volta voltou a subir, interrompendo a tendência de queda.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, manteve a trajetória de crescimento observada nas pesquisas anteriores. “A tendência é positiva para o Flávio Bolsonaro”, afirmou Russo, indicando que o candidato está consolidando um avanço consistente.
O empate técnico não significa que os dois candidatos tenham exatamente o mesmo percentual, mas que a diferença está dentro da margem de erro estatística. Essa nuance é crucial para entender a volatilidade do eleitorado nesta fase da campanha.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores, com nível de confiança de 95%. Esses números garantem a robustez da amostra e reforçam a credibilidade dos resultados divulgados.
Além dos dois principais, a pesquisa apontou uma redução do espaço ocupado por outros candidatos, indicando que a disputa está se concentrando cada vez mais nos dois líderes.
Análise da Quaest e tendências dos candidatos
Guilherme Russo explicou que a pesquisa deve ser vista como parte de um conjunto de dados que revelam a dinâmica da corrida. Ele comparou a situação atual ao desempenho de Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022, apontando que Flávio Bolsonaro está se aproximando desse patamar.
Lula, ao observar um ambiente mais negativo, começou a ajustar sua campanha para responder às críticas e ao desgaste percebido. Essa adaptação pode ter contribuído para a estabilização de seu apoio.
Flávio Bolsonaro, ao contrário, parece se beneficiar de um clima de aproximação, reforçando sua mensagem de renovação e continuidade das políticas do governo anterior.
A análise de Russo destacou que a combinação dos movimentos – a parada da queda de Lula e o crescimento de Flávio – cria um cenário de competição acirrada. Essa interação é vista como um fator que pode influenciar tanto o primeiro quanto o eventual segundo turno.
O diretor da Quaest também ressaltou a importância de observar a variação dos menores candidatos, que podem atuar como “cães de guarda” ao absorver votos que, de outra forma, poderiam mudar o equilíbrio entre os principais.
Em entrevista ao programa VEJA em Foco, Russo enfatizou que a frequência das pesquisas permite detectar mudanças rápidas no comportamento do eleitorado, algo que um único levantamento não conseguiria captar.
Ele concluiu que o principal dado a ser monitorado nas próximas semanas será a trajetória dos dois líderes, especialmente se Lula conseguirá manter a estabilização e se Flávio continuará a crescer.
Impactos nas campanhas e cenário futuro
O empate técnico tem implicações diretas nas estratégias de campanha. Para Lula, a necessidade de reforçar a mensagem de governo e combater a percepção de desgaste torna-se ainda mais urgente.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, pode intensificar a narrativa de mudança e aproveitar a proximidade com o desempenho de Bolsonaro em 2022 para atrair eleitores indecisos.
Os candidatos também precisam considerar o papel dos eleitores que ainda não decidiram. A pesquisa indica que 7% dos entrevistados se declararam brancos, nulos ou sem intenção de voto, enquanto 8% não souberam ou não quiseram responder.
Esses eleitores podem ser decisivos nas próximas semanas, especialmente se as campanhas conseguirem mobilizar novas bases ou persuadir os indecisos.
A presença de candidatos menores, como Augusto Cury (6%), Ronaldo Caiado (4%), Renan Santos (3%) e outros com 1% cada, demonstra que o campo ainda tem fragmentação, mas com menor peso na disputa principal.
O cenário para o segundo turno também foi analisado. Caso a corrida se encaminhe para um segundo turno, as projeções mostram Flávio com 42% e Lula com 41%, indicando que o confronto pode permanecer apertado.
Essa perspectiva reforça a importância de estratégias de alianças e negociação entre partidos, já que a capacidade de atrair apoio dos candidatos menores pode ser decisiva.
Repercussões no debate público e nas redes sociais
O anúncio do empate técnico gerou intenso debate nas redes sociais, com usuários analisando gráficos, comparando com pesquisas anteriores e especulando sobre possíveis alianças.
Especialistas em comunicação política apontam que a narrativa de “empate” pode ser usada por ambos os lados para mobilizar suas bases e pressionar o adversário.
Para Lula, a mensagem pode ser de resistência e continuidade, enquanto Flávio pode destacar a oportunidade de mudança e a proximidade com o apoio histórico de Bolsonaro.
Os analistas também observaram que a cobertura da mídia tradicional tende a enfatizar a competitividade, o que pode influenciar a percepção de eleitores indecisos.
Em síntese, o novo dado da Quaest não apenas reflete a situação atual, mas também molda o discurso das campanhas, a estratégia de mobilização e o panorama eleitoral nos próximos meses.








