A Embraer, fabricante de aeronaves com sede em São José dos Campos (SP), anunciou nesta sexta‑feira (23) que sua carteira de pedidos atingiu US$ 35,7 bilhões entre julho e setembro de 2025, estabelecendo um novo recorde para o sétimo trimestre consecutivo. O resultado reflete um aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior e demonstra a força da empresa nos mercados de aviação comercial, executiva e de defesa.
Crescimento recorde da carteira de pedidos
O balanço divulgado pela companhia mostra que o valor total dos pedidos superou em 3% a marca alcançada no trimestre anterior, entre abril e junho de 2025. Esse crescimento sustentado indica que a estratégia de expansão de linhas como a família E2 está sendo bem recebida por clientes globais.
Além do aumento percentual, a Embraer registrou um número expressivo de contratos firmes, reforçando a confiança de companhias aéreas e governos em sua capacidade de entrega e inovação tecnológica.
Detalhes dos pedidos nas divisões comerciais, executivas e de defesa
No segmento de aviação comercial, a maior fatia dos pedidos correspondeu a US$ 15,8 bilhões, concentrados principalmente em jatos da família E2. As encomendas incluíram tanto unidades firmes quanto opções que podem ser convertidas em novos aviões ao longo dos próximos anos.
Os principais clientes anunciados foram:
- Grupo Abra: pedido firme de 20 aeronaves E195‑E2, com opções que podem elevar a encomenda total a até 45 unidades.
- Binter: aquisição de mais cinco jatos E195‑E2 para reforçar sua frota regional.
- ANA Holdings (Japão): solicitação de oito unidades adicionais da família E190‑E2.
No acumulado do ano, a Embraer recebeu 72 pedidos firmes para aeronaves da família E2, sinalizando uma demanda robusta para os próximos ciclos de produção.
A aviação executiva também alcançou um recorde, com a carteira de pedidos atingindo US$ 8,2 bilhões, alta de 12% em relação ao terceiro trimestre de 2024. Esse segmento inclui os jatos leves e médios das linhas Phenom e Praetor, que têm se destacado pela eficiência operativa e conforto.
Durante o trimestre, a empresa lançou oficialmente o Phenom 300EV, uma evolução do popular Phenom 300. O modelo recebeu certificação das autoridades aeronáuticas do Brasil (ANAC), dos Estados Unidos (FAA) e da Europa (EASA), ampliando a oferta de jatos leves com maior alcance e desempenho.
Na divisão de Defesa e Segurança, a Embraer registrou US$ 6,1 bilhões em pedidos, representando um crescimento impressionante de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os contratos de destaque, está a venda de dois aviões militares KC‑390 Millennium para a Força Aeroespacial Colombiana, reforçando a presença da empresa no mercado de transporte militar.
Por fim, a área de Serviços e Suporte chegou a US$ 5,6 bilhões em pedidos, crescimento de 14% ao ano. Esse segmento engloba contratos de manutenção, suporte técnico e serviços de engenharia para frotas comerciais, executivas e militares, garantindo receitas recorrentes e estreitando o relacionamento com clientes.
Perspectivas e impactos para o mercado
Analistas do setor apontam que o desempenho da Embraer pode influenciar positivamente o ambiente de negócios da aviação global, especialmente em um momento de recuperação pós‑pandemia e de busca por eficiência energética.
O aumento nos pedidos de jatos da família E2 sugere que as companhias aéreas estão renovando suas frotas com aeronaves mais econômicas e menos poluentes, alinhadas às metas de sustentabilidade estabelecidas por órgãos reguladores.
Além disso, o sucesso da linha Phenom 300EV pode impulsionar a competitividade da Embraer no mercado de jatos leves, tradicionalmente dominado por fabricantes norte‑americanos.
No campo da defesa, o crescimento exponencial de contratos indica que os governos estão reforçando suas capacidades logísticas e de transporte estratégico, áreas em que o KC‑390 tem se destacado como uma alternativa viável aos modelos tradicionais.
Com a carteira de serviços e suporte em alta, a Embraer consolida uma fonte de receita estável, reduzindo a dependência exclusiva dos ciclos de venda de aeronaves.
Em resumo, a empresa demonstra resiliência e capacidade de adaptação a diferentes segmentos, o que pode traduzir‑se em maior confiança dos investidores e em oportunidades de expansão internacional nos próximos anos.








