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Eleitores apontam que crise no STF afeta mais Lula e Flávio Bolsonaro, revela pesquisa Datafolha

Uma pesquisa realizada entre os dias 15 e 16 de setembro revelou que a atual crise no Supremo Tribunal Federal está impactando as campanhas eleitorais no Brasil. Segundo o levantamento, 38% dos eleitores acreditam que a instabilidade prejudica a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 31% consideram que Flávio Bolsonaro sofre mais com o cenário. O estudo foi divulgado na sexta‑feira, 18 de setembro, e contou com a participação de 2.002 brasileiros a partir de 16 anos.

Contexto da pesquisa e metodologia

O Datafolha conduziu o trabalho a pedido da Globo e do jornal Folha de S.Paulo, garantindo margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro oficial da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral é BR‑04029/2026, o que assegura transparência e rastreabilidade dos dados coletados.

Os entrevistados foram selecionados de forma aleatória, abrangendo todas as regiões do país, o que permite inferir tendências nacionais. A amostra incluiu tanto eleitores regulares quanto indecisos, oferecendo um panorama amplo das percepções sobre o Judiciário e a política.

Impacto da crise no STF nas campanhas

Os resultados indicam que a crise institucional está gerando dúvidas sobre a capacidade de liderança dos candidatos. Enquanto Lula tem sua base tradicionalmente forte, a percepção de que a instabilidade judicial pode comprometer sua campanha chegou a 38% dos respondentes.

Já Flávio Bolsonaro, que ainda busca consolidar seu nome no cenário nacional, foi apontado como o mais vulnerável por 31% dos eleitores. Essa diferença reflete a forma como a mídia tem coberto o envolvimento de membros da família Bolsonaro em investigações recentes.

Outros candidatos também foram citados, mas com percentuais menores, demonstrando que a crise ainda não se espalhou de forma uniforme entre todos os concorrentes.

Detalhes da crise institucional

A tensão no STF intensificou‑se após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que continha mensagens entre o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Desde então, documentos e conversas foram divulgados, alimentando o debate público.

Os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes criticaram a condução de Mendonça no chamado caso Master, acusando-o de irregularidades e de motivação político‑eleitoral. Mendonça, por sua vez, nega as alegações e defende a legalidade de suas ações.

Na última terça‑feira, 15 de setembro, o presidente do STF, Edson Fachin, encerrou sem decisão a sessão extraordinária convocada para discutir o relatório da PF. O encontro foi marcado por intensos embates e trocas de acusações entre os magistrados.

Repercussões para o calendário eleitoral

Flávio Dino, então presidente da República, solicitou vista ao processo, obtendo um prazo de até 90 dias para devolvê‑lo ao plenário. Esse prazo se encerra em dezembro, logo após as eleições, o que pode gerar novas discussões sobre a agenda judicial.

Se o processo não for devolvido dentro do período, ele será automaticamente liberado para nova inclusão em pauta, potencialmente reativando a crise no momento crítico da campanha.

Os analistas políticos alertam que a incerteza pode influenciar a decisão de eleitores indecisos, que tendem a buscar estabilidade institucional antes de definir seu voto.

Reação dos principais candidatos

Luiz Inácio Lula da Silva, ao ser questionado sobre a situação, ressaltou a necessidade de foco nas propostas de governo e pediu que a população não se deixe distrair por disputas internas do Judiciário.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, denunciou o que chamou de “perseguição política” e prometeu usar o episódio para reforçar sua mensagem de combate à corrupção.

Ambos os candidatos reforçaram que a campanha continuará focada em temas como economia, saúde e educação, tentando minimizar o impacto da crise institucional.

O que os números revelam para o futuro

Os percentuais de 38% e 31% indicam que a crise no STF já se tornou um fator relevante na percepção dos eleitores. Se a situação se prolongar, pode alterar a dinâmica das disputas eleitorais, especialmente em estados onde a margem de vitória costuma ser estreita.

Especialistas sugerem que os partidos podem adaptar suas estratégias de comunicação, destacando a necessidade de reformas no Judiciário ou, ao contrário, defendendo a independência da Corte para evitar a politização dos processos.

Além disso, a pesquisa aponta que 48% dos entrevistados expressam desconfiança geral em relação ao STF, um recorde histórico que evidencia o desgaste da instituição perante a sociedade.

  • 38% acreditam que a crise prejudica Lula;
  • 31% acreditam que a crise prejudica Flávio Bolsonaro;
  • 48% têm desconfiança geral no STF.

Com as eleições se aproximando, esses indicadores podem ser decisivos para a definição de alianças, discursos e estratégias de campanha nos próximos meses.

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