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Dólar sobe 0,45% com alta do petróleo e tensão nas eleições brasileiras

Na manhã desta quinta‑feira (22), o dólar iniciou a sessão em alta, avançando 0,45% e sendo cotado em R$ 5,0500. O movimento ocorreu pouco antes das 9h, horário de Brasília, e refletiu a combinação de fatores internos e externos que agitavam os mercados.

Ao mesmo tempo, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, aguardava a abertura oficial às 10h, com os investidores atentos às primeiras oscilações do dia.

Causas imediatas da alta do dólar

O principal gatilho para a valorização da moeda americana foi a subida dos preços do petróleo no mercado internacional. O barril de Brent registrou alta significativa, impulsionado por tensões geopolíticas que limitam a oferta.

Além disso, a expectativa de novos dados econômicos dos Estados Unidos reforçou a percepção de que a política monetária pode permanecer restritiva, elevando a atratividade do dólar frente a moedas emergentes.

Os analistas ainda apontam que a volatilidade nas bolsas asiáticas, que sofreram quedas acentuadas, contribuiu para a busca de refúgio em ativos considerados mais seguros, como a moeda norte‑americana.

Impacto das eleições presidenciais no mercado

Com a reta final das eleições presidenciais brasileiras se aproximando, o cenário político tornou‑se outro motor de movimento nos mercados. Pesquisas divulgadas na véspera mostraram um empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45% e 44% das intenções de voto, respectivamente.

Esse empate estreito aumentou a incerteza sobre as políticas econômicas que serão adotadas no segundo turno, gerando cautela entre investidores que temem mudanças bruscas nas diretrizes fiscais e regulatórias.

Ao mesmo tempo, a pesquisa revelou que 44% dos entrevistados temem a volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% preferem um novo mandato de Lula, indicando divisão profunda no eleitorado.

Uma nova sondagem da Datafolha está programada para ser divulgada ainda hoje, o que pode trazer mais volatilidade ao câmbio caso os resultados alterem o panorama atual.

Cenário fiscal e propostas de governo

O clima eleitoral também trouxe à tona discussões sobre o futuro fiscal do país. Poucos dias antes do segundo turno, o governo enviou ao Congresso uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê tarifa zero para transporte coletivo nos finais de semana em todo o território nacional.

A medida pretende custear R$ 12 bilhões, provenientes de emendas parlamentares previstas para 2027, representando 26,8% do total de recursos destinados a emendas.

Se aprovada, a proposta pode gerar pressão adicional sobre as contas públicas, influenciando a percepção de risco dos investidores estrangeiros e, consequentemente, o valor do dólar.

Cenário internacional: petróleo, Irã e conflito Rússia‑Ucrânia

As tensões entre Estados Unidos e Irã continuaram a influenciar os preços do petróleo. Na véspera, o governo iraniano informou ao comandante do exército paquistanês que não haverá negociações com Washington até que todas as suas exigências sejam atendidas.

Teerã reiterou as sete condições apresentadas no mês passado para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota que concentra cerca de 20% do comércio global de petróleo.

  • Fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos
  • Levantamento das sanções sobre exportações de petróleo
  • Encerramento das hostilidades em todas as frentes regionais

Paralelamente, a nova onda de ataques entre Rússia e Ucrânia voltou a pressionar o mercado de energia. Moscou afirmou estar pronta para retomar negociações com Kiev, enquanto o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky indicou que espera iniciar conversas no início de novembro.

Entretanto, os confrontos continuaram, mantendo a oferta de petróleo em níveis restritos e alimentando a alta dos preços.

Desempenho dos mercados asiáticos

Na Ásia, os índices acionários registraram quedas generalizadas, refletindo o nervosismo global. O SSEC, índice de Xangai, recuou 1,48%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas chinesas, caiu 1,84%.

No Japão, o Nikkei sofreu queda de 2,67%, e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 3,52%. O Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 3,03%.

Um dos principais responsáveis por esse recuo foi a pressão sobre as ações do setor de inteligência artificial, que viram suas valorizações questionadas diante de temores de crescimento insustentável.

Essas perdas reforçaram a busca por ativos mais defensivos, como o dólar, que se beneficiou da fuga de capitais de mercados emergentes.

Conclusão

Em síntese, a alta do dólar nesta quinta‑feira foi impulsionada por uma combinação de fatores: o aumento do preço do petróleo, as tensões geopolíticas envolvendo Irã e Rússia‑Ucrânia, e a incerteza política gerada pelas eleições presidenciais no Brasil.

Os investidores permanecem atentos às próximas divulgações de pesquisas eleitorais e aos desdobramentos das negociações internacionais, pois qualquer mudança brusca pode reverberar nos mercados de câmbio e de commodities.

Enquanto isso, a expectativa é de que o dólar continue a ser um porto seguro para quem busca proteger seu capital em meio a um cenário de alta volatilidade global.

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