Na manhã desta sexta-feira, 23 de outubro, o dólar iniciou o pregão em alta, cotado a R$ 5,0453, representando um avanço de 0,13% em relação ao fechamento anterior. O movimento ocorreu pouco antes da abertura oficial da bolsa, que começa às 10h, e reflete a tensão acumulada no cenário político e econômico nacional e internacional.
Cenário político e expectativas de voto
Investidores voltaram seus olhares para a pesquisa do Datafolha divulgada na véspera, que mostrou um empate técnico entre os candidatos do PL e do PT no segundo turno das eleições presidenciais. Enquanto Flávio Bolsonaro registrou 47% das intenções de voto e Lula 46%, a análise dos votos válidos – excluindo brancos, nulos e indecisos – coloca ambos com 50% de apoio, o que pode influenciar decisões de mercado nos próximos dias.
A Justiça Eleitoral utiliza o número de votos válidos como base para a proclamação oficial dos resultados, o que aumenta a incerteza sobre a composição do futuro governo e, por consequência, sobre as políticas econômicas que serão adotadas. Essa dúvida alimenta a volatilidade do real frente ao dólar, pois operadores de câmbio buscam proteger suas posições diante de possíveis mudanças nas diretrizes fiscais e monetárias.
Além da corrida eleitoral, o mercado acompanha de perto a divulgação do IPCA‑15, prévia da inflação oficial, que deve chegar em breve e servir de termômetro para a política do Banco Central. Caso o índice indique alta acima das expectativas, a tendência é que o BC adote uma postura mais restritiva, elevando a taxa Selic e, consequentemente, fortalecendo a moeda nacional.
Indicadores econômicos que movimentam o real
O IPCA‑15 tem papel central na estratégia dos investidores, pois fornece pistas sobre a trajetória dos preços ao consumidor nos próximos meses. Uma leitura acima de 0,5% pode sinalizar pressão inflacionária persistente, enquanto números menores sugerem alívio nos custos de produção e consumo.
Outro ponto de atenção é a agenda do Banco Central, que tem reunião de política monetária marcada para o próximo mês. A decisão sobre a taxa básica de juros dependerá, em grande parte, dos resultados do IPCA‑15 e da evolução do cenário externo, especialmente o preço do petróleo, que impacta diretamente os custos de energia e transporte no Brasil.
Os analistas também observam o desempenho do Ibovespa, que iniciou as negociações às 10h, mas ainda não mostrou sinais claros de reação ao dólar em alta. A expectativa é que o índice siga a tendência dos mercados globais, que estão sendo puxados por fatores geopolíticos e pela dinâmica de risco‑avesso dos investidores.
Fatores externos que impactam o petróleo e o dólar
Os preços do petróleo continuam em alta, impulsionados por uma série de eventos que incluem ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, queda maior que a esperada nos estoques americanos e novos confrontos entre Rússia e Ucrânia. Cada um desses elementos exerce pressão ascendente sobre o barril, o que, por sua vez, eleva o custo de importação de energia para países como o Brasil.
Na disputa entre Estados Unidos e Irã, Teerã reforçou sua postura rígida ao recusar negociações até que Washington atenda a sete condições previamente apresentadas. Entre as exigências estão o fim do bloqueio dos portos iranianos, a suspensão das sanções sobre as exportações de petróleo e a cessação de hostilidades em todas as frentes regionais.
Essas demandas, ainda não atendidas, mantêm o Estreito de Ormuz em estado de vulnerabilidade, reduzindo a oferta de petróleo no mercado internacional e alimentando a alta dos preços. O impacto direto no câmbio brasileiro se dá pelo aumento dos custos de importação de combustíveis, pressionando o real para baixo.
Paralelamente, a Rússia retomou ataques contra a Ucrânia, apesar dos recentes esforços diplomáticos dos EUA para mediar o conflito. O presidente ucraniano Zelensky indicou que espera retomar conversas de paz no início de novembro, mas os confrontos continuam, gerando incerteza nos mercados de energia.
- Fim do bloqueio dos portos iranianos;
- Levantamento das sanções americanas ao petróleo iraniano;
- Cessação das hostilidades regionais;
- Retorno das negociações de paz entre Rússia e Ucrânia;
- Estabilidade nos estoques de petróleo nos EUA.
Esses fatores combinados criam um ambiente de risco que favorece a busca por ativos de refúgio, como o dólar, impulsionando sua valorização frente a moedas emergentes.
Desempenho dos mercados asiáticos
Na Ásia, os principais índices fecharam a sexta-feira de forma mista, refletindo a influência dos mesmos temas globais. O índice de gerentes de compras (PMI) do Japão registrou crescimento menor em outubro comparado a setembro, sinalizando desaceleração na produção e nas novas encomendas.
O SSEC, índice de Xangai, avançou 0,9%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas chinesas, subiu 1,7%. Já o Nikkei, do Japão, recuou 0,34%, e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,30%. O Hang Seng, de Hong Kong, registrou alta de 0,69%.
Essas variações demonstram que, embora alguns mercados regionais encontrem suporte em políticas internas, a pressão externa – sobretudo a volatilidade do petróleo e as incertezas políticas nos Estados Unidos e na Europa – continua a moldar o comportamento dos investidores.
Em resumo, o dólar abriu em alta antes do segundo turno das eleições brasileiras, impulsionado por uma combinação de fatores internos – como a pesquisa do Datafolha e a expectativa sobre o IPCA‑15 – e externos, incluindo a instabilidade no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia. O cenário sugere que o real permanecerá vulnerável nos próximos dias, enquanto o mercado aguarda os desdobramentos políticos e econômicos que definirão a trajetória da moeda nacional.








