A série documental “Menopausa Sem Fronteira” estreou nesta semana no canal do YouTube da jornalista Maria Cândida, trazendo relatos de mulheres de diferentes continentes sobre a transição hormonal. O projeto, produzido pela Indira Films e dirigido por Lucas Mendes, apresenta seis episódios que serão lançados semanalmente. Cada episódio combina pesquisa acadêmica, entrevistas de campo e imagens de rituais culturais para mostrar a diversidade de vivências da menopausa.
A jornada de Maria Cândida
Maria Cândida, comunicadora com pós‑graduação em gerontologia, decidiu investigar a menopausa após vivenciar a própria fase. Ela conduziu mais de 300 entrevistas, percorrendo México, Peru e Colômbia para captar diferentes perspectivas. O objetivo foi transformar um tema ainda cercado de tabu em conteúdo acessível e educativo para milhões de mulheres.
Ao longo da produção, a jornalista registrou não apenas sintomas físicos, mas também impactos emocionais e sociais. Cada história foi tratada com sensibilidade, destacando a força das narrativas pessoais. O resultado é um documentário que mistura ciência, tradição e empoderamento feminino.
Cultura e ritual: o México
No primeiro episódio, intitulado “A descoberta”, Maria é guiada por uma curandeira chamada Abuela Aída em um povoado mexicano. O ritual, exclusivo para mulheres em menopausa, combina cantos, rezas e a retirada simbólica de “vendas” do coração. A curandeira explica que o canto ajuda a liberar medos e rancores acumulados ao longo da vida.
Durante a cerimônia, as participantes compartilham experiências de fogachos, névoa mental e alterações de humor, ao mesmo tempo em que celebram a conexão com a ancestralidade. O ritual demonstra como a menopausa pode ser encarada como um rito de passagem, fortalecendo laços comunitários.
Diversidade de abordagens ao redor do mundo
Além do México, a série explora práticas em outras regiões. No Peru, as mulheres utilizam plantas medicinais como a maca e a sálvia para aliviar sintomas. Na Colômbia, há um foco maior na nutrição e na prática de yoga como ferramenta de equilíbrio hormonal.
Os episódios abordam ainda temas como beleza, envelhecimento e autocuidado, mostrando que a menopausa não é apenas um desafio físico, mas também uma oportunidade de reavaliar prioridades pessoais.
- Fogachos e sudorese intensa
- Névoa mental e dificuldade de concentração
- Alterações de humor e irritabilidade
- Secura vaginal e diminuição da libido
- Problemas de sono e fadiga
Esses sintomas são descritos por entrevistadas de diferentes faixas etárias e contextos socioeconômicos, reforçando a universalidade da experiência. Contudo, as estratégias de enfrentamento variam amplamente, refletindo valores culturais e recursos disponíveis.
Impacto e perspectivas futuras
Segundo a Organização Mundial da Saúde, até 2030 cerca de 1,2 bilhão de mulheres terão passado ou estarão passando pela menopausa. Apesar da magnitude do público‑alvo, ainda há lacunas significativas em pesquisas clínicas e políticas públicas voltadas ao tema.
Maria Cândida questiona: “Se a menopausa é um marco biológico, por que ainda vivemos no século 21 com tão pouca informação científica acessível?” Ela destaca que o medo e o silêncio ainda cercam a fase, impedindo que mulheres busquem apoio adequado.
O documentário pretende mudar essa realidade ao oferecer informação baseada em evidências e ao celebrar práticas culturais que dão sentido à transição. Ao final da série, a expectativa é que o público reconheça a menopausa como uma nova jornada de autoconhecimento e empoderamento.
Para quem deseja aprofundar o assunto, o trailer está disponível no início do primeiro episódio, que já está no ar. A série continuará a ser lançada semanalmente, permitindo que espectadores acompanhem cada descoberta e reflexões ao longo da jornada de Maria e das mulheres que ela entrevistou.








