Em setembro de 2026, o candidato à presidência pelo Avante, Augusto Cury, viu sua campanha ganhar força nas pesquisas antes de sofrer forte retração, tudo isso no cenário eleitoral brasileiro.
Ascensão e queda nas pesquisas
No fim de agosto, impulsionado por influenciadores digitais, Cury chegou a 11% de intenção de voto, segundo a pesquisa BTG/Nexus. O número representou um salto inesperado para um candidato ainda desconhecido no grande público.
Entretanto, apenas uma semana depois, a mesma pesquisa apontou queda para 9%, evidenciando a volatilidade da base de apoio. Analistas atribuem a oscilação à falta de estrutura de campanha e à concorrência de nomes mais consolidados.
Mesmo com esse recuo, a simulação de um segundo turno contra Luiz Inácio Lula colocava Cury à frente, com 45% contra 43% do ex-presidente, dentro da margem de erro. Esse resultado, porém, não se traduziu em confiança real para vencer Flávio Bolsonaro na primeira fase.
Desafios estruturais da terceira via
Especialistas apontam que a terceira via ainda carece de organização de base, financiamento consistente e presença nos debates televisivos. Sem esses elementos, a campanha não consegue transformar curiosidade em voto consolidado.
Além disso, a falta de alianças políticas impede que o candidato amplie sua visibilidade. Enquanto partidos tradicionais negociam coalizões, o Avante permanece isolado, limitando seu alcance em regiões-chave.
Outro obstáculo é a percepção de Cury como autor de livros de autoajuda, o que gera dúvidas sobre sua experiência política. Essa imagem pode atrair eleitores descontentes, mas também afasta aqueles que buscam um perfil mais tradicional.
- Ausência de estrutura de campanha permanente;
- Financiamento limitado em comparação com grandes partidos;
- Falta de acordos de coalizão;
- Imagem pública centrada na literatura de autoajuda.
Cenário de alianças e influência no segundo turno
Mesmo que Cury não alcance o segundo turno, sua base pode se tornar decisiva. A maioria dos eleitores que o apoiam tende a migrar para o candidato de centro‑direita, conhecido como “Zero Um”.
O cientista político Samuel Oliveira destaca que, estabilizado nos dois dígitos, o voto de Cury funcionará como um “reservatório” de eleitores que buscam sair da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Outros nomes da direita, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, também disputam esse eleitorado. Contudo, suas propostas ainda não se apresentam como alternativas claras ao senador Bolsonaro, reduzindo seu peso nas negociações.
Em contrapartida, a campanha de Cury se diferencia ao adotar um discurso mais propositivo, focado em soluções práticas ao invés de ataques pessoais. Essa estratégia pode atrair eleitores cansados de retórica agressiva.
Perspectivas e lições para o futuro
Para que a terceira via se consolide, é imprescindível investir em estrutura de base, criar alianças estratégicas e apresentar um programa de governo detalhado. Sem esses pilares, a iniciativa corre o risco de permanecer como um fenômeno passageiro.
Além disso, a experiência de Cury demonstra que a popularidade nas redes sociais não se converte automaticamente em votos. É preciso transformar engajamento digital em mobilização de campo.
Os partidos menores podem ainda encontrar nichos de atuação ao se posicionarem como mediadores entre os polos polarizados. Essa função de “cabo eleitoral” pode garantir relevância mesmo sem chegar ao topo da disputa.
Em síntese, a trajetória de Augusto Cury ilustra tanto o potencial quanto as limitações da terceira via nas eleições brasileiras de 2026. Seu desempenho serve de alerta para futuros candidatos que desejam romper o bipartidarismo sem o apoio de uma máquina política consolidada.








