A Secretaria de Saúde de São Paulo confirmou, em julho de 2026, a ocorrência de 58.683 casos de dengue no estado, além de 42 mortes relacionadas à doença. O levantamento abrange todo o território paulista, com destaque para a capital e a região da Grande São Paulo. O cenário desperta preocupação diante das previsões de um El Niño de forte intensidade.
Cenário atual da dengue
Os números divulgados revelam que 1.180 dos casos apresentaram sinais de alarme, enquanto 101 foram classificados como dengue grave. Até o momento, 30 óbitos permanecem sob investigação, complementando as 42 mortes confirmadas. Comparado ao mesmo período de 2025, houve queda de 93,1% nos casos, mas a carga ainda é significativa.
A Grande São Paulo concentra a maior parte dos registros, somando 12.919 casos, dos quais 9.859 foram identificados na capital. Cidades do interior também registram incidência, mas Taubaté destacou‑se pelo maior número de mortes, totalizando 14 fatalidades. Essa distribuição evidencia a necessidade de ações diferenciadas entre áreas urbanas densas e municípios menores.
Além dos casos confirmados, 7.256 notificações ainda estão em fase de investigação, o que pode alterar o panorama final. Outras 297.833 notificações foram descartadas após análise laboratorial ou por critérios epidemiológicos. O monitoramento constante desses números é essencial para orientar as políticas de saúde pública.
O perfil demográfico dos infectados mostra predominância entre jovens adultos, porém crianças e idosos também apresentam vulnerabilidade. Fatores como condições de moradia, acesso a serviços de saúde e nível de conscientização influenciam a taxa de infecção. Essas variáveis orientam a segmentação das estratégias de prevenção.
Impacto do El Niño e previsões climáticas
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta que o fenômeno El Niño tem 90% de chance de se manifestar como “muito forte” entre setembro e dezembro de 2026. O boletim climatológico indica volumes de chuva acima da média histórica em grande parte do estado, bem como temperaturas elevadas em quase todo o território nacional.
Essas condições climáticas criam ambientes propícios para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve mais rapidamente em água quente e parada. A combinação de chuvas intensas e calor excessivo aumenta a quantidade de criadouros em áreas residenciais, industriais e públicas. O risco de novos surtos cresce proporcionalmente ao aumento desses focos.
Estudos apontam que, durante eventos de El Niño, a incidência de arboviroses pode subir entre 20% e 40%, dependendo da eficácia das medidas preventivas adotadas. No caso de São Paulo, a antecipação de campanhas de controle se torna ainda mais crítica para evitar sobrecarga nos serviços de saúde. A integração entre órgãos federais, estaduais e municipais será determinante para mitigar os efeitos combinados de clima e doença.
Além das chuvas, a variabilidade climática pode gerar períodos de estiagem intercalados, favorecendo o acúmulo de água em recipientes artificiais que não são esvaziados regularmente. Esse padrão de “chuva‑seca‑chuva” cria ciclos de reprodução contínua do vetor. A população precisa estar atenta a esses comportamentos sazonais para reduzir a exposição.
Medidas de combate e prevenção
O governo estadual elaborou um plano de ação que inclui vigilância entomológica intensiva, uso de drones para mapeamento de criadouros e aplicação de larvicidas biológicos. A estratégia também contempla a mobilização de agentes de saúde para visitas casa a casa, orientando moradores sobre a eliminação de locais propícios à proliferação do mosquito.
Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde intensificou as inspeções em áreas de alta densidade populacional e em imóveis considerados estratégicos, como escolas e unidades de saúde. O uso de tecnologia de georreferenciamento permite identificar rapidamente focos emergentes e direcionar equipes de controle. Essa abordagem baseada em dados aumenta a eficácia das intervenções.
Entre as ações educativas, destaca‑se a campanha nas redes sociais, com vídeos explicativos e infográficos que orientam a população a eliminar água parada em vasos, pneus, caixas d’água e calhas. A participação da comunidade é incentivada por meio de programas de recompensa para quem denunciar criadouros. A colaboração cidadã tem se mostrado um fator decisivo na redução de casos.
- Visitas domiciliares para identificação e eliminação de criadouros;
- Aplicação de larvicida biológico em locais que não podem ser removidos;
- Avaliação da densidade larvária e monitoramento contínuo;
- Uso de drones para mapeamento aéreo de áreas de risco;
- Campanhas de educação e engajamento da população.
Os resultados preliminares das intervenções mostram uma diminuição gradual no número de focos ativos nas regiões monitoradas. Contudo, a manutenção dessas ações ao longo de todo o período de risco é fundamental para evitar recrudescimentos. A continuidade dos investimentos em infraestrutura sanitária e em capacitação de agentes de saúde é imprescindível.
Além das medidas locais, o Ministério da Saúde lançou diretrizes nacionais que recomendam a integração de sistemas de informação epidemiológica entre estados e municípios. Essa interoperabilidade permite a troca rápida de dados sobre casos suspeitos, laboratórios e indicadores de clima. A resposta coordenada eleva a capacidade de reação frente a surtos emergentes.
Especialistas apontam que, para alcançar um controle sustentável da dengue, é necessário combinar ações de curto prazo, como a aplicação de larvicidas, com estratégias de longo prazo, como a melhoria da cobertura de saneamento básico. Investimentos em infraestrutura urbana, coleta de lixo e abastecimento de água tratada reduzem permanentemente os ambientes favoráveis ao mosquito.
O engajamento do setor privado também tem sido incentivado, com empresas adotando programas de responsabilidade social que incluem a limpeza de terrenos e a promoção de campanhas de conscientização entre seus colaboradores. Parcerias público‑privadas podem ampliar o alcance das ações de controle e gerar recursos adicionais.
Em síntese, embora o número de casos de dengue em 2026 tenha apresentado queda expressiva em relação ao ano anterior, a combinação de fatores climáticos adversos e a presença de focos urbanos ainda representa um desafio significativo. A vigilância contínua, o uso de tecnologia avançada e a participação ativa da população são pilares essenciais para manter a tendência de redução.
Os próximos meses serão decisivos, pois o período de maior intensidade do El Niño coincide com a alta temporada de transmissão da dengue. Autoridades de saúde recomendam que todos os cidadãos revisem suas residências, eliminem recipientes que acumulam água e colaborem com as equipes de controle. A prevenção individual, aliada a políticas públicas eficazes, constitui a melhor defesa contra a propagação da doença.








