A delegação brasileira saiu do plenário da Assembleia Geral da ONU nesta quinta‑feira, 24 de setembro, poucos minutos após o início do discurso do primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O pronunciamento foi marcado por vaias, aplausos e a retirada de dezenas de representantes de diferentes países, que deixaram o salão em protesto.
Saída da delegação brasileira e de outras nações
O Brasil foi uma das primeiras nações a abandonar a sessão, com apenas um diplomata permanecendo até o discurso de José Manuel Restrepo, vice‑presidente da Colômbia. Após a fala colombiana, mais quatro membros da delegação brasileira se juntaram ao representante que já estava no recinto.
Além do Brasil, outras delegações seguiram o mesmo caminho, incluindo países da América Latina, Europa e África. A presidência da sessão precisou intervir repetidamente para restaurar a ordem, enquanto o número de cadeiras vazias aumentava.
- Argentina
- Chile
- Peru
- Portugal
<liNigéria
O grupo palestino também ampliou sua presença, passando de duas pessoas no início do discurso colombiano para seis antes da fala de Netanyahu. Essa movimentação refletiu a tensão crescente entre os blocos diplomáticos presentes na ONU.
O discurso de Netanyahu: Irã, Gaza e acusações de genocídio
Netanyahu iniciou sua fala direcionando‑se ao Irã, defendendo a ofensiva israelense contra as instalações nucleares do país. Ele afirmou que destruir o programa nuclear iraniano foi “uma das decisões mais fáceis” que teve que tomar como primeiro‑ministro, argumentando que a ação protegeu não só Israel, mas também outras nações.
O líder israelense também abordou a guerra em Gaza, rejeitando as acusações de genocídio feitas contra seu governo. Segundo ele, o Hamas utiliza civis, hospitais, escolas e mesquitas como escudos humanos, e as forças israelenses adotaram medidas para alertar a população civil, como mensagens, telefonemas, distribuição de alimentos e vacinas.
Netanyahu citou ainda o ataque de 7 de outubro de 2023, descrito como o “dia mais sombrio” da história de Israel. Ele explicou que o ataque desencadeou um conflito em múltiplas frentes, envolvendo Hamas, Hezbollah, Houthis, milícias apoiadas por Teerã e grupos palestinos na Cisjordânia.
Durante o discurso, o primeiro‑ministro fez um convite direto aos que ainda permaneciam no plenário: “Se houver outros covardes morais que ainda não deixaram este plenário, por favor, façam‑no agora”. A frase gerou ainda mais tumulto e provocou a saída de mais delegações.
Repercussões internacionais e críticas ao discurso
Netanyahu alegou que alguns governos agradeceram a Israel em conversas privadas pela destruição das instalações nucleares iranianas, mas não identificou quais seriam esses países. Essa afirmação aumentou a curiosidade e a desconfiança entre os diplomatas presentes.
Os Estados Unidos, representados na sessão por Donald Trump, também defenderam a postura agressiva contra o Irã, afirmando que os EUA poderiam destruir o país caso não fosse alcançado um acordo. A convergência de discursos entre Israel e os EUA reforçou a percepção de um bloco aliado que compartilha a mesma estratégia de pressão sobre Teerã.
Por outro lado, várias nações criticaram publicamente a retórica de Netanyahu, acusando‑o de inflamar ainda mais o clima de tensão no Oriente Médio. Organizações internacionais e grupos de direitos humanos reiteraram a necessidade de soluções diplomáticas e o respeito ao direito internacional humanitário.
O episódio na ONU evidencia como a arena diplomática pode se transformar em palco de protestos simbólicos, refletindo as profundas divisões geopolíticas que marcam o conflito entre Israel, o Irã e a situação em Gaza. Enquanto alguns países permanecem ao lado de Israel, outros optam por manifestar seu desacordo ao abandonar o plenário, sinalizando que a disputa ainda está longe de ser resolvida.








