Em entrevista ao programa VEJA em Foco, o senador Carlos Viana (PSD-MG) acusou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de manter uma blindagem institucional e exigiu respostas sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração foi feita na última semana, em São Paulo, durante a transmissão ao vivo do telejornal. Viana afirmou que recorreu ao Supremo Tribunal Federal para que o Conselho de Ética do Senado volte a funcionar e criticou a paralisação do plenário.
Acusações de blindagem e falta de transparência
Segundo Viana, há um esforço deliberado para impedir que o Conselho de Ética atue, sobretudo em período eleitoral. Ele alegou que Alcolumbre não responde aos pedidos de retomada das atividades do colegiado e, ao contrário, mantém o plenário trancado, dificultando a fiscalização dos parlamentares. O senador ressaltou que a ministra Cármen Lúcia determinou que o Senado forneça informações sobre o Conselho, mas que a presidência ignora a ordem.
Viana ainda descreveu o cenário como “acovardado” e “calado”, indicando que a Casa não tem condições de responder à população. Ele apontou que a suposta blindagem impede que questões graves sejam analisadas, como as que envolvem o Banco Master e possíveis favorecimentos políticos.
Mensagens reveladas pela VEJA e a reação de Alcolumbre
O programa VEJA em Foco divulgou trechos de conversas encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Em um dos diálogos, Alcolumbre agradece ao banqueiro por “carinho e amizade fraterna” e declara: “Sou seu irmão para toda a vida”. Vorcaro responde: “E eu seu a qualquer tempo, para qualquer coisa, nunca vou esquecer”.
Viana afirmou que esses registros justificam uma investigação aprofundada da relação entre o presidente do Senado e o dono do Banco Master. Contudo, ele evitou fazer qualquer pré-condenação, reforçando que o objetivo é apurar os fatos de forma imparcial.
Em junho, Alcolumbre negou ter recebido valores de Vorcaro e repudiou as acusações, mas Viana manteve a pressão, dizendo que a falta de funcionamento do Conselho de Ética impede que a verdade seja esclarecida.
Impacto institucional e propostas de reforma
Além das acusações específicas, Viana ampliou a crítica ao concentrar poder nas presidências das Casas legislativas. Ele defendeu reformas no Judiciário, no Parlamento e na política brasileira para garantir que investigações ocorram independentemente da vontade dos presidentes das casas. Segundo o senador, a concentração de poder impede a abertura de processos investigativos essenciais.
O senador enumerou quatro pontos que, segundo ele, precisam ser revistos:
- Revisão das competências do Conselho de Ética do Senado;
- Estabelecimento de mecanismos de transparência para relações entre parlamentares e empresários;
- Limitação do poder discricionário dos presidentes das Casas sobre a agenda legislativa;
- Criação de um órgão independente para supervisionar denúncias de corrupção.
Viana destacou que, sem essas mudanças, a confiança da população nas instituições continuará abalada. Ele também enfatizou que a investigação do caso Banco Master deve ser conduzida com celeridade para evitar danos ao credibilidade do Congresso.
O senador reiterou que pretende usar o Conselho de Ética, caso seja reativado, para cobrar esclarecimentos não apenas de Alcolumbre, mas também de outros parlamentares citados nas suspeitas envolvendo o Banco Master. Ele alertou que a falta de funcionamento do colegiado favorece a concentração de poder e impede a responsabilização.
Em entrevista, Viana ainda citou outras mensagens atribuídas a Vorcaro que mencionam encontros e festas, sugerindo que há mais elementos a serem investigados. Ele pediu que todas as conversas sejam analisadas pela justiça para determinar se houve troca de favores ou benefícios indevidos.
O senador concluiu que a situação exige uma resposta rápida e transparente, tanto do Senado quanto do Judiciário, para que a população recupere a confiança nas instituições democráticas.
O caso ainda está em fase de investigação, e a pressão de Viana pode levar a novos desdobramentos nos próximos dias, especialmente se o Supremo Tribunal Federal decidir intervir no funcionamento do Conselho de Ética.








