O Instituto Datafolha divulgou nesta quinta‑feira, 24 de setembro, os resultados da última sondagem sobre as intenções de voto para a Presidência da República e a taxa de rejeição dos principais candidatos. A pesquisa, realizada entre 22 e 23 de setembro, mostrou que Lula e Flávio Bolsonaro mantêm 45% de rejeição cada, mas com redução em relação ao levantamento anterior.
Contexto e metodologia da pesquisa
A coleta de dados ocorreu em todo o território nacional, abrangendo 2.002 eleitores selecionados por amostragem aleatória. O período de campo coincidiu com a sessão polêmica do STF que analisou o futuro do ministro Alexandre de Moraes, além de revelações sobre mensagens de Daniel Vorcaro ligadas a Nunes Marques.
Com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, a pesquisa segue os padrões metodológicos do Datafolha, garantindo representatividade dos diferentes perfis regionais e socioeconômicos. Os entrevistados foram questionados sobre a intenção de voto e, separadamente, sobre a disposição de rejeitar cada candidato.
Além das duas lideranças, o levantamento incluiu candidatos de partidos menores, permitindo uma visão mais ampla do cenário eleitoral. Os resultados são comparados com a sondagem anterior, divulgada em 11 de setembro, que registrou 47% de rejeição para Lula e Flávio.
Rejeição dos principais candidatos
Os números de rejeição revelam que 45% dos entrevistados afirmaram que não votariam nem no petista nem no filho do ex‑presidente. Essa queda de dois pontos indica uma leve melhora na percepção dos eleitores, ainda que a rejeição permaneça alta.
Entre os demais candidatos, a pesquisa aponta os seguintes índices de rejeição:
- Renan Santos (Missão) – 15%
- Romeu Zema (Novo) – 14%
- Ronaldo Caiado (PSD) – 13%
Esses percentuais demonstram que, embora a disputa esteja concentrada entre Lula e Flávio, há espaço para que outros nomes ganhem relevância caso o cenário se altere. O fato de Renan Santos liderar a lista de rejeição entre os candidatos de menor expressão reflete a dificuldade de consolidação de novas lideranças.
Vale notar que a rejeição de Renan Santos, apesar de ser a maior entre os demais, ainda está bem abaixo dos 45% de Lula e Flávio, indicando que o eleitorado ainda mantém opções viáveis para um eventual segundo turno.
Cenário para o segundo turno
Na simulação de um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa indica um placar de 47% a 45% a favor do petista. A diferença de dois pontos percentuais permanece idêntica à sondagem anterior, o que mantém os dois candidatos praticamente empatados dentro da margem de erro.
Esse empate técnico sugere que a corrida presidencial ainda está em aberto, e que eventos recentes – como decisões judiciais e escândalos de corrupção – podem influenciar significativamente a decisão dos eleitores nas próximas semanas.
Especialistas apontam que a mobilização de bases, a capacidade de debate e a estratégia de campanha serão determinantes para converter indecisos e reduzir ainda mais a rejeição.
Além disso, a presença de candidatos com rejeição relativamente baixa, como Zema e Caiado, pode exercer efeito de spoiler, desviando votos de um dos candidatos principais em caso de segunda‑volta.
Implicações políticas e perspectivas futuras
A queda na rejeição de Lula e Flávio Bolsonaro pode ser interpretada como um sinal de que ambos os candidatos estão conseguindo atenuar as críticas mais duras que lhes eram dirigidas. No entanto, a taxa ainda elevada indica que uma parcela considerável do eleitorado permanece distante de ambos.
Analistas ressaltam que a estabilidade da margem de erro entre as duas pesquisas evidencia um cenário de polarização, onde a maioria dos eleitores se posiciona firmemente a favor ou contra os dois principais candidatos.
Com a campanha entrando em sua fase final, estratégias de comunicação, alianças partidárias e debates televisivos ganharão ainda mais peso para transformar indecisos em votos efetivos.
O Datafolha também destacou que, caso o segundo turno ocorra, a dinâmica de voto pode mudar drasticamente, já que eleitores que rejeitam ambos os candidatos podem ser atraídos por propostas de terceiros ou por campanhas de mobilização de bases.
Em resumo, a pesquisa reforça a ideia de que a corrida presidencial de 2024 permanece extremamente competitiva, com margem para reviravoltas até o dia da votação.








