Na sessão plenária da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 23 de setembro de 2026, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, apareceu usando um broche que reproduz um mapa da Venezuela com a região de Essequibo anexada. O gesto, carregado de simbolismo, reforçou a reivindicação venezuelana sobre um território que a comunidade internacional reconhece como parte da Guiana. A ocasião ocorreu no Salão de Assembleias, em Nova Iorque, diante de representantes de mais de 190 países.
Contexto histórico da disputa por Essequibo
A controvérsia entre Venezuela e Guiana remonta ao final do século XIX, quando a Sentença Arbitral de Paris, de 3 de outubro de 1899, definiu a fronteira entre a então Guiana Britânica e a Venezuela. Desde então, Caracas tem contestado a decisão, alegando que o acordo foi imposto sob pressão colonial. A região de Essequibo, localizada na parte ocidental da Guiana, cobre cerca de 159 mil km², equivalendo a aproximadamente 70% do território guianense.
Para a população venezuelana, o mapa oficial adotado em 2023 simboliza a continuidade de um projeto nacionalista que busca “reintegrar” áreas historicamente consideradas venezuelanas. Já para a Guiana, a área representa não apenas soberania, mas também um potencial econômico significativo, sobretudo após a descoberta de reservas de petróleo offshore.
A estratégia venezuelana e o referendo de 2023
Em 2023, o presidente Nicolás Maduro promoveu um referendo que, segundo o governo, aprovou a criação da província “Guiana Essequiba”. O plebiscito, realizado em 3 de dezembro, contou com a participação de cerca de 50% dos eleitores venezuelanos, dos quais 95% votaram a favor da anexação. Embora o processo tenha sido criticado por observadores internacionais por falta de transparência, o governo venezuelano utilizou o resultado como base legal para atualizar os mapas oficiais.
Com o novo mapa em mãos, autoridades venezuelanas passaram a inserir a referência a Essequibo em documentos oficiais, discursos diplomáticos e, agora, em símbolos de vestimenta como o broche usado por Rodríguez. Essa estratégia visa consolidar a narrativa interna de que a Venezuela está recuperando territórios historicamente perdidos.
Repercussões internacionais e a reação do Brasil
A comunidade internacional, liderada por organismos como a ONU e a OEA, rejeita a pretensão venezuelana e reafirma o reconhecimento da Guiana sobre o território. Em dezembro de 2026, os Estados Unidos anunciaram exercícios militares na Guiana, incluindo áreas próximas a Essequibo, sinalizando apoio à soberania guianense.
No fronte brasileiro, as Forças Armadas intensificaram a presença militar nas fronteiras de Roraima, tanto com a Guiana quanto com a Venezuela. O objetivo é garantir a segurança da região e impedir que eventuais conflitos transbordem para o território nacional, já que o acesso a Essequibo poderia exigir passagem pelo norte de Roraima.
- Presença de tropas brasileiras reforçada em Roraima;
- Monitoramento conjunto com forças de segurança da Guiana;
- Coordenação com aliados internacionais para evitar escalada militar.
Impactos econômicos e geopolíticos da região
Em 2015, grandes reservas de petróleo foram identificadas em áreas próximas a Essequibo, estimando-se que a Guiana possua cerca de 11 bilhões de barris de petróleo, grande parte em campos offshore. Esse boom energético transformou a Guiana na economia sul‑americana com maior taxa de crescimento nos últimos anos, atraindo investimentos de multinacionais e governos estrangeiros.
A disputa venezuelana, ao tentar incorporar a região, coloca em risco projetos de exploração e desenvolvimento econômico. Caso a Venezuela conseguisse avançar sua reivindicação, poderia reivindicar direitos sobre as reservas, gerando incertezas para investidores e potencialmente provocando sanções econômicas adicionais.
Além do petróleo, a região possui recursos minerais, biodiversidade e potencial para turismo ecológico, o que a torna ainda mais valiosa em termos de desenvolvimento sustentável. A disputa, portanto, não se resume a questões de fronteira, mas envolve interesses estratégicos que afetam a segurança energética e a estabilidade política da América do Sul.
Em resumo, o broche exibido por Delcy Rodríguez na ONU serve como um microfone visual para uma disputa que combina história colonial, política interna, interesses econômicos e segurança regional. Enquanto a comunidade internacional permanece firme em apoiar a Guiana, a Venezuela continua a usar símbolos e discursos para reforçar sua posição, mantendo a tensão viva nos corredores da diplomacia mundial.








