Em setembro de 2026, autoridades turcas desencadearam uma operação contra organizações LGBT+, resultando em prisões, tortura e restrição de acesso à água em unidades prisionais. A denúncia veio de Yildiz Tar, jornalista da ONG Kaos GL, que descreveu abusos cometidos contra dezenas de ativistas em diferentes cidades do país.
Escalada da repressão governamental
A ofensiva começou no dia 12 de setembro, quando o governo bloqueou redes sociais e sites ligados à comunidade LGBT+. Em seguida, equipes policiais invadiram sedes de ao menos sete organizações e duas instituições de apoio a pessoas com HIV, além de residências particulares.
Essas ações foram justificadas pelas autoridades como defesa da “instituição da família” e da “moral pública”. Os ativistas foram acusados de “obscenidade”, “prostituição” e de violar a Lei de Associações, embora não exista legislação que criminalize a orientação sexual.
Reações nas ruas e o aumento das detenções
No dia 15 de setembro, manifestações surgiram em Istambul, Ancara e Izmir, reunindo centenas de pessoas que protestavam contra as prisões. A polícia respondeu com força, usando gás lacrimogêneo e balas de borracha, o que culminou na detenção de, ao menos, 126 manifestantes, segundo a Reuters.
Relatos da ONG Kaos GL indicam que os detidos foram submetidos a revistas íntimas humilhantes, ameaças verbais, agressões físicas, corte forçado de cabelo e negação de medicamentos essenciais, roupas limpas e água potável.
- Bloqueio de redes sociais e sites
- Invadimento de sedes de organizações
- Detenção de manifestantes
- Abusos físicos e psicológicos nos presídios
Testemunhos de quem vive a repressão
Yildiz Tar descreve a situação como uma violação sistemática dos direitos humanos. “Meus amigos e colegas foram maltratados e torturados”, afirmou em entrevista ao g1, ressaltando que a comunidade LGBT+ ainda luta por dignidade e respeito.
Janset Kalan, líder da Kaos GL atualmente encarcerada, escreveu uma carta relatando a falta de higiene, a ausência de banho e a privação de produtos de limpeza. Ela alertou que a situação nas prisões pode levar a graves problemas de saúde.
Apesar dos sofrimentos, os ativistas mantêm a determinação de continuar a luta. “Como movimento, nós vamos continuar. A comunidade precisa de nós”, declarou Tar, enfatizando a necessidade de visibilidade e apoio internacional.
Repercussão internacional e perspectivas futuras
Michael O’Flaherty, Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, manifestou preocupação com as prisões, as incursões e a censura online dirigida à sociedade civil LGBTQ+. Ele pediu a libertação imediata de qualquer pessoa detida por defender direitos humanos.
A comunidade internacional tem monitorado a situação, mas as pressões externas ainda não foram suficientes para frear a escalada de hostilidades. O governo turco continua a usar argumentos de proteção infantil e valores familiares para legitimar suas ações.
Desde 2009, a ONG Kaos GL relata um clima cada vez mais hostil. Em 2015, a polícia atacou a Parada do Orgulho de Istambul, marcando uma virada significativa na política de repressão contra a população LGBT+.
Analistas apontam que a atual onda de perseguição pode estar ligada a uma estratégia mais ampla de consolidação do poder político, associando grupos minoritários a supostos inimigos externos, como a União Europeia e a ONU.
Enquanto isso, a população LGBT+ na Turquia enfrenta desafios diários para acessar serviços básicos, como água potável nas prisões, e para exercer seu direito à livre expressão. Organizações de direitos humanos continuam a documentar os abusos e a pressionar por mudanças legislativas.
O futuro da comunidade dependerá da capacidade de mobilização interna e do apoio externo. A solidariedade de movimentos globais pode criar pressão suficiente para que o governo reveja suas políticas e respeite os direitos fundamentais de todos os cidadãos.








