Em 7 de março de 2026, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba divulgou que o embargo imposto pelos Estados Unidos gerou perdas superiores a US$ 8 bilhões – cerca de R$ 41 bilhões – entre março de 2025 e fevereiro de 2026. O relatório, apresentado pelo chanceler Bruno Rodríguez, destaca que o impacto financeiro atingiu níveis inéditos na história recente da ilha caribenha.
Além do valor já elevado, o cálculo não inclui os danos provocados pelo bloqueio energético que se intensificou nos últimos sete meses, nem as sanções secundárias aplicadas desde maio contra empresas cubanas. Essa combinação de medidas pressionou ainda mais a já frágil economia cubana.
Embargo dos Estados Unidos e seu impacto econômico
O embargo, que permanece em vigor desde 1962, foi reforçado durante a administração Trump, resultando em um aumento de 7% nos prejuízos em relação ao ano anterior. A política de restrição ao fornecimento de combustível e a ameaça de sanções a países que mantêm relações comerciais com Cuba criaram um ambiente de incerteza para investidores estrangeiros.
Desde o início de 2025, apenas um petroleiro russo conseguiu atracar na ilha, evidenciando a escassez de energia que afeta indústrias, transportes e residências. A falta de combustível também dificultou a operação de geradores, elevando os custos de produção e reduzindo a competitividade dos produtos cubanos no mercado internacional.
Além disso, a pressão sobre o setor de turismo – responsável por cerca de 10% do PIB – provocou a saída de agências e hotéis estrangeiros, que temiam represálias econômicas. O declínio nas chegadas de turistas reduziu drasticamente as receitas de câmbio, agravando o déficit em conta corrente.
- Perda direta de mais de US$ 8 bilhões (R$ 41 bi) em um ano;
- Redução de 7% nas receitas de exportação de energia;
- Queda de aproximadamente 15% no número de visitantes internacionais;
- Desaparecimento de 30% das empresas estrangeiras no setor de mineração.
Sanções secundárias e a crise energética
Em maio de 2025, Washington implementou um regime de sanções secundárias que penaliza empresas estrangeiras que negociam com Cuba. Essa medida forçou a retirada de múltiplas companhias dos setores de turismo, mineração e construção, intensificando a escassez de insumos e tecnologias essenciais.
A crise energética se manifestou em apagões que duraram mais de 60 horas consecutivas, forçando hospitais a recorrer a lâmpadas recarregáveis e lanternas de celular para procedimentos cirúrgicos. A interrupção prolongada de energia também comprometeu o abastecimento de água potável e a operação de unidades de terapia intensiva.
Rodríguez alertou que a restrição ao transporte marítimo de combustíveis impede a chegada de recursos críticos, afetando diretamente serviços de saúde, educação e transporte público. A falta de combustível para geradores e veículos de carga elevou os custos logísticos e reduziu a capacidade de resposta a emergências.
O bloqueio energético, portanto, não se limita a um problema técnico; ele se converte em um fator de deterioração da qualidade de vida, ampliando a vulnerabilidade das populações mais pobres e dificultando a recuperação econômica.
Consequências sociais e perspectivas futuras
Os efeitos das sanções se refletem na saúde pública, com o aumento da mortalidade infantil de 4 para 9,9 por mil nascidos vivos entre 2018 e 2025. A escassez de medicamentos e a dificuldade de transportar insumos médicos agravam ainda mais a situação.
Apesar da gravidade dos indicadores, o chanceler Bruno Rodríguez descartou a possibilidade de uma emergência humanitária, afirmando que “não haverá uma crise humanitária em Cuba”. No entanto, ele apelou à solidariedade interna e internacional para mitigar o sofrimento da população.
Especialistas apontam que, sem a reversão das sanções ou a abertura de novas fontes de energia, a ilha enfrentará um ciclo de retrocessos econômicos e sociais que pode durar décadas. A busca por alianças estratégicas, como o apoio da Rússia e da China, pode representar uma saída parcial, embora dependente de acordos complexos.
Em síntese, o embargo de Trump gerou um impacto financeiro recorde, aprofundou a crise energética e provocou consequências sociais graves. A comunidade internacional observa atentamente a evolução da situação, enquanto o governo cubano tenta equilibrar a resistência política com a necessidade de atender às demandas básicas de sua população.








