Corpos de 30 vítimas do incêndio na balsa MV June Aster foram entregues para identificação no porto de Borac, em Palawan, na manhã de sábado, 12 de setembro. O acidente ocorreu na noite de quarta‑feira, 9 de setembro, quando a embarcação pegou fogo a cerca de 39 km da vila de Turda, destino final da viagem. As autoridades continuam buscando vítimas ainda desaparecidas.
Detalhes do acidente e número de vítimas
O MV June Aster, com 53 metros de comprimento, partiu de Manila com capacidade para 306 passageiros e 27 tripulantes, mas transportava apenas 132 pessoas no momento do desastre, segundo o registro da Guarda Costeira. O fogo se originou, segundo relatos de sobreviventes, em uma explosão no porão de carga e se alastrou rapidamente, impulsionado por ventos fortes que carregavam a fumaça por todo o convés.
Até o momento, as autoridades confirmaram ao menos 35 mortes e mais de 50 desaparecidos, enquanto 43 pessoas conseguiram sobreviver ao incêndio. Das vítimas mortas, 30 corpos foram encontrados carbonizados e transportados ao porto para identificação, enquanto outros permanecem presos na estrutura da embarcação, ainda não localizados.
Os corpos foram retirados da balsa por outra embarcação de apoio e entregues à Unidade Forense Provincial, que iniciou imediatamente o processo de identificação por meio de exames dentários e de DNA. Tendas foram instaladas nas proximidades do cais para abrigar familiares, jornalistas e equipes de perícia, garantindo um ambiente adequado para o trabalho delicado de reconhecimento.
Apesar da remoção de 30 cadáveres, as buscas continuam intensas, pois a Guarda Costeira informou que ainda há restos mortais dentro do casco danificado do MV June Aster. As equipes de mergulho e de resgate utilizam equipamentos de sonar e câmeras subaquáticas para mapear os pontos críticos onde o fogo pode ter aprisionado vítimas ainda não encontradas.
Procedimentos de resgate e investigação
Imediatamente após o alarme, as equipes da Guarda Costeira coordenaram o resgate, priorizando a evacuação dos passageiros que ainda estavam a bordo e o salvamento de vidas. Os sobreviventes foram levados a áreas seguras, onde receberam primeiros socorros, hidratação e apoio psicológico para lidar com o trauma.
Paralelamente, a Unidade Forense Provincial instalou uma zona de triagem, onde os familiares puderam acompanhar o processo de identificação, respeitando protocolos de segurança e privacidade. O governo local também disponibilizou linhas telefônicas de apoio e centros de acolhimento para quem precisa de orientação jurídica ou assistência social.
- Verificação do acionamento do alarme de incêndio e tempo de resposta da tripulação;
- Análise das condições da lona de proteção contra chuva, que pode ter obstruído rotas de fuga;
- Inspeção das instalações elétricas e de armazenamento de carga no porão;
- Coleta de depoimentos de sobreviventes, tripulantes e autoridades portuárias;
- Investigação da possível responsabilidade do capitão e da empresa operadora.
A Guarda Costeira ainda procura o capitão da balsa, que teria sobrevivido ao incidente, mas não consta na lista oficial de sobreviventes divulgada até agora. A investigação criminal e marítima será conduzida em conjunto com o Ministério da Justiça das Filipinas, que avaliará eventuais negligências e responsabilizações.
Impacto nas famílias e respostas das autoridades
Familiares de desaparecidos aguardam ansiosamente a confirmação da identidade dos corpos, enquanto alguns relatam angústia profunda ao imaginar entes queridos entre as vítimas carbonizadas. Lira Daco, mãe de uma jovem de 20 anos ainda desaparecida, descreveu o medo constante de que sua filha esteja entre os restos que ainda não foram encontrados.
Empresas responsáveis, como a Atienza Interisland Ferries Inc., declararam que estão prestando assistência integral aos passageiros e familiares, oferecendo apoio financeiro, transporte e acompanhamento jurídico. A empresa também assegurou total cooperação com as autoridades nas buscas e nas investigações sobre a origem do incêndio.
Dois turistas chilenos que sobreviveram ao desastre já deixaram a cidade de Coron e foram encaminhados à embaixada do Chile, que mantém contato constante com as autoridades filipinas para garantir que seus cidadãos recebam o suporte necessário.
O governo local reforçou a necessidade de revisão dos protocolos de segurança marítima, incluindo a obrigatoriedade de inspeções regulares nas embarcações de passageiros, treinamento adequado da tripulação e a manutenção de equipamentos de combate a incêndio em condições operacionais.
Enquanto as buscas prosseguem e as investigações avançam, a comunidade de Palawan demonstra solidariedade, organizando vigílias, campanhas de arrecadação de recursos e mensagens de apoio nas redes sociais, na esperança de trazer conforto às famílias enlutadas e evitar que tragédias semelhantes se repitam.








