Um trabalhador chinês foi libertado no sábado (5) depois de permanecer dez dias aprisionado em um túnel de hidrelétrica no Nepal, após enchentes devastadoras. O resgate aconteceu nas primeiras horas da manhã, com apoio de helicópteros militares. A operação foi concluída em território nepalês, mas teve grande repercussão na fronteira tibetana.
O resgate após dez dias de isolamento
Lu Haitao, de 49 anos, foi encontrado em um corredor subterrâneo de 225 metros de extensão, totalmente soterrado pela lama e pelos escombros da avalanche. Equipes de busca, equipadas com cães e sensores de som, ouviram seus gritos quando ele tentou chamar a atenção das luzes de socorro. O trabalhador descreveu que, ao ouvir os apitos, inicialmente pensou que sua mente o estava enganando.
Após ser localizado, Lu foi retirado com auxílio de macas especiais e levado a um helicóptero de resgate que o transportou diretamente para o hospital mais próximo. Segundo a CCTV, emissora estatal chinesa, ele chegou em condição estável, embora ainda sentisse fadiga e desorientação.
Durante o resgate, os socorristas enfrentaram risco de desmoronamento adicional, pois o túnel ainda apresentava áreas instáveis. A operação durou cerca de quatro horas, envolvendo técnicos de engenharia, médicos de campo e militares nepaleses. O sucesso foi comemorado tanto pelas autoridades locais quanto pelos familiares do trabalhador.
O impacto das enchentes no Nepal e na fronteira tibetana
As chuvas intensas de 26 de agosto, possivelmente desencadeadas pelo colapso de uma geleira, provocaram uma onda de enchentes que matou mais de 1.300 pessoas no Nepal. As autoridades de gestão de desastres estimam que quase 4.900 indivíduos permanecem desaparecidos, enquanto milhares ainda vivem em abrigos temporários.
Do lado chinês da fronteira, no Tibete, o número de mortos chegou a 43, com 519 desaparecidos, segundo dados da CCTV. Dentre os desaparecidos, 261 eram estrangeiros, refletindo a presença de trabalhadores migrantes na região de fronteira.
- Mortes no Nepal: +1.300
- Desaparecidos no Nepal: ~4.900
- Mortes no Tibete: 43
- Desaparecidos no Tibete: 519 (261 estrangeiros)
As enchentes também danificaram infraestruturas críticas, como estradas, pontes e, principalmente, obras de energia hidrelétrica. O túnel onde Lu ficou preso fazia parte de um projeto de geração de energia que agora está paralisado para avaliação de segurança.
A família de Lu Haitao e a luta por informações
A irmã de Lu, Lu Hairong, recebeu a notícia do resgate apenas depois de ver uma foto do irmão transmitida pela CCTV. Até então, a família vivia dias de angústia, aguardando qualquer sinal de vida. Ela contou ao Red Star News que recebeu uma ligação antes da divulgação oficial, mas só acreditou quando viu a imagem.
Lu era casado, pai de um filho pequeno e trabalhava como agricultor na província de Henan, na China. Em fevereiro, ele viajou ao Nepal acompanhando um morador da mesma aldeia, buscando renda extra como carpinteiro. Era a primeira experiência de trabalho no exterior, segundo relatos da irmã.
A prima, Lu Haiqing, descobriu o desaparecimento no sexto dia após as enchentes. Ela passou a monitorar notícias diariamente, usando inteligência artificial para traduzir textos do nepalês para o chinês. As lágrimas eram frequentes, e ela enviou a foto do irmão à irmã para confirmar a identidade.
Sem informações precisas sobre o local de trabalho, a família dependia de grupos de apoio online, onde compartilhavam relatos de outros desaparecidos e buscavam orientação sobre procedimentos de busca. A falta de comunicação oficial gerou frustração e ansiedade.
Repercussões e lições aprendidas
O caso de Lu Haitao destaca a vulnerabilidade dos trabalhadores migrantes em áreas de risco natural. Organizações de direitos humanos apontam a necessidade de protocolos de segurança mais rigorosos e de garantias de seguro para quem trabalha em projetos de infraestrutura em regiões montanhosas.
Além disso, o episódio reforça a importância de sistemas de alerta precoce e de comunicação multilíngue entre equipes de resgate e comunidades estrangeiras. A utilização de tecnologia, como drones e sensores acústicos, mostrou-se decisiva para localizar o trabalhador.
Autoridades nepalesas anunciaram que irão revisar os planos de construção de túneis e barragens, incorporando avaliações de risco climático mais detalhadas. O objetivo é prevenir novos desastres e proteger tanto a população local quanto os trabalhadores estrangeiros.
Para a família de Lu, o alívio de ter o irmão vivo é apenas o início de um processo de recuperação física e psicológica. Eles esperam que o caso sirva de alerta para que outras famílias recebam apoio mais rápido em situações semelhantes.








