Com a eleição presidencial se aproximando, a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) está em alta nos últimos dias de campanha. A nove dias do segundo turno, as pesquisas mostram uma corrida apertada, enquanto analistas avaliam a possibilidade de uma virada inesperada. O cenário se desenrola no Brasil, onde eleitores ainda decidem entre dois candidatos com trajetórias muito diferentes.
Pesquisa CNT e Datafolha: números em equilíbrio
A pesquisa realizada pela CNT, divulgada na sexta‑feira, 16 de outubro, apontou Flávio Bolsonaro com 46,8% das intenções de voto, enquanto Lula registrou 45,9%. A diferença de 0,9 ponto percentual está dentro da margem de erro, indicando que nenhum dos candidatos tem vantagem decisiva.
Quando se excluem os votos brancos e nulos, os números mudam levemente: Flávio atinge 50,5% dos votos válidos e Lula, 49,5%. Esse pequeno recuo reforça a percepção de que a corrida está extremamente equilibrada.
Em paralelo, o Datafolha, divulgado na quinta‑feira, mostrou Flávio com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula. Embora a diferença seja um ponto percentual maior que a da CNT, ainda está dentro de um intervalo que permite reviravoltas nos últimos dias de campanha.
Histórico eleitoral e a chance de virada
O professor Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destaca que, desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos no segundo turno foram aqueles que lideraram o primeiro turno. Essa regra histórica favorece Flávio, que terminou o primeiro turno com cerca de dois pontos percentuais a mais que Lula.
No entanto, Prando enfatiza que a diferença atual é tão pequena que impede conclusões definitivas. Ele afirma que “se tem alguém com histórico e capacidade de reação para, pela primeira vez, virar estes números e este jogo, é o presidente Lula”.
Para o cientista político, a vantagem de Flávio nas pesquisas ainda não caracteriza uma liderança consolidada. Tanto a reeleição de Lula quanto a vitória do senador permanecem plausíveis, dependendo de fatores estratégicos nos próximos dias.
Estrategias de campanha nos últimos dias
A equipe de Lula tem investido em aparições públicas que reforcem uma imagem de estadista. A sabatina concedida à TV Globo, na quinta‑feira, 15, foi avaliada como positiva pelos assessores petistas, que consideram que o presidente adotou um tom mais conciliador e evitou confrontos diretos com Flávio.
Além disso, o debate marcado para domingo, na Band, é visto como uma oportunidade para mobilizar a militância e tentar reduzir a vantagem do adversário. Prando observa que debates são cada vez mais usados para gerar recortes para as redes sociais, muitas vezes em detrimento da discussão profunda de propostas, mas ainda assim podem influenciar eleitores indecisos.
A campanha de Lula também aposta em medidas recentes do governo que têm forte apelo popular. Um exemplo é a aprovação da proposta que encerra a escala de trabalho 6×1, medida apoiada até mesmo por Flávio Bolsonaro. Essa mudança, que amplia os dias de descanso sem redução salarial, pode ser utilizada como argumento de vitória política.
- Fim da escala 6×1: ganho de apoio popular.
- Sabatina na TV Globo: reforço da imagem de estadista.
- Debate na Band: chance de mobilizar militantes.
Prando ressalta que a militância desempenha papel crucial na chamada “virada de voto”. Ele afirma que a campanha deve “animar a militância”, pois são esses eleitores que podem converter o entusiasmo em cédulas nas urnas.
Fatores que podem definir o resultado
Além das estratégias de campanha, há variáveis externas que podem influenciar a decisão dos eleitores. A situação econômica, a percepção de segurança pública e a resposta do governo a questões sociais permanecem no radar dos analistas.
O especialista aponta que a experiência de Lula em disputas presidenciais, acumulada desde 1989, pode ser um diferencial nas últimas horas de campanha. Em contraste, Flávio Bolsonaro enfrenta sua primeira corrida para a Presidência, o que pode gerar incertezas quanto à sua capacidade de lidar com a pressão dos debates e da mídia.
Outro ponto relevante é a atuação das redes sociais. As campanhas têm usado vídeos curtos, memes e trechos de entrevistas para alcançar eleitores jovens. Prando observa que, embora esses conteúdos possam gerar engajamento, eles nem sempre traduzem compreensão das propostas, o que pode levar a decisões baseadas em emoções momentâneas.
Por fim, o clima político nacional, marcado por polarização, pode intensificar a mobilização dos eleitores de ambos os lados. A capacidade de cada campanha de transformar essa polarização em voto efetivo será decisiva nos urnas.








