Novas canetas emagrecedoras entraram na fase 3 de testes clínicos em 2024, com estudos conduzidos nos Estados Unidos e na Europa. As moléculas CagriSema, survodutida e retatrutida são avaliadas por grandes farmacêuticas como Novo Nordisk, Boehringer Ingelheim e Eli Lilly. O objetivo é oferecer opções mais eficazes e com menor número de efeitos colaterais para pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade.
Novas fronteiras dos agonistas GLP‑1
Os agonistas do receptor GLP‑1 ganharam destaque nos últimos anos graças a medicamentos como Ozempic e Wegovy. Esses fármacos reduzem o apetite, aumentam a saciedade e melhoram a liberação de insulina, favorecendo a perda de peso. O sucesso comercial gerou uma corrida científica para criar versões ainda mais potentes.
Além dos injetáveis, a indústria tem investido em formulações orais, como o orforglipron, aprovado pela FDA em abril de 2024. A tendência é combinar diferentes mecanismos hormonais para potencializar os efeitos metabólicos.
CagriSema: combinação inovadora de semaglutida e cagrilintida
Desenvolvido pela Novo Nordisk, o CagriSema une duas moléculas: semaglutida, que estimula o receptor GLP‑1, e cagrilintida, que atua na amilina. Essa dupla foi testada em dois ensaios de fase 3, denominados Reimagine 5 e Redefine 9.
No estudo Reimagine 5, pacientes com diabetes tipo 2 receberam 1,0 mg de cada componente por 60 semanas. Os resultados mostraram uma perda média de peso de 12,4 %, superior aos 9,1 % observados com tirzepatida 5 mg.
Já o Redefine 9, focado em adultos com sobrepeso ou obesidade, registrou redução de 21 % do peso corporal após 68 semanas, contra apenas 2 % no grupo placebo.
- Melhora da pressão arterial sistólica
- Redução da relação cintura‑altura
- Benefícios no perfil lipídico
Os efeitos colaterais não foram detalhados, mas a empresa descreve o tratamento como “geralmente bem tolerado”. A Novo Nordisk já solicitou registro à FDA em dezembro de 2025 e aguarda decisão nos próximos meses.
Survodutida e retatrutida: duplos agonistas em fase final
A Boehringer Ingelheim está conduzindo testes com a survodutida, que combina agonismo ao glucagon e ao GLP‑1. Os resultados de dois ensaios globais foram publicados em revistas de alto impacto, como The New England Journal of Medicine.
No estudo Synchronize‑1, participantes obesos foram acompanhados por 76 semanas. A survodutida proporcionou perda de peso média de 18,7 % e melhorias significativas nos marcadores de glicemia.
Paralelamente, a Eli Lilly desenvolve a retatrutida, outro agonista duplo que visa otimizar a ação metabólica. Dados preliminares indicam redução de peso superior a 20 % em pacientes com obesidade grave, com perfil de segurança comparável aos injetáveis atuais.
Ambas as moléculas estão em fase 3, o estágio final antes da solicitação de aprovação à FDA e à Anvisa.
Perspectivas para o mercado brasileiro
O orforglipron, já aprovado nos EUA sob o nome comercial Foundayo, deve chegar ao Brasil apenas no segundo semestre de 2027. Enquanto isso, CagriSema, survodutida e retatrutida ainda aguardam avaliação da Anvisa.
Especialistas apontam que a chegada desses novos tratamentos pode ampliar significativamente as opções terapêuticas para pacientes que não respondem aos medicamentos atuais. A expectativa é que a combinação de diferentes vias hormonais reduza a necessidade de altas doses e minimize efeitos adversos.
O cenário regulatório brasileiro tem se mostrado mais ágil nos últimos anos, mas ainda depende de dados robustos de segurança e eficácia. A aprovação dessas moléculas pode transformar o panorama do tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 no país.
Em resumo, a próxima geração de canetas emagrecedoras promete superar os limites estabelecidos pelos primeiros agonistas GLP‑1, oferecendo perdas de peso superiores a 20 % e benefícios metabólicos amplos. O acompanhamento dos processos de aprovação será crucial para determinar quando os brasileiros terão acesso a essas inovações.








