O câncer gástrico, que afeta o estômago, tem se tornado uma preocupação crescente no Brasil, especialmente entre a população idosa. O 1º Congresso Brasileiro sobre a Saúde Digestiva da Pessoa Idosa (Gastro 70+) acontecerá nos dias 30 e 31 de outubro em São Paulo, reunindo especialistas para discutir estratégias de prevenção e tratamento. O evento será realizado no auditório do Prédio Integralidade do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, localizado na Avenida Ibirapuera, 1.215, Vila Clementino.
Desafios da saúde digestiva na terceira idade
A longevidade traz consigo um aumento significativo no número de casos de doenças crônicas, entre elas o câncer de estômago. Estima‑se que atualmente ocorram entre 20 mil e 25 mil novos casos por ano no país, número que pode ultrapassar 40 mil até 2050. Essa projeção exige atenção especial dos gestores de saúde, que precisam adaptar políticas públicas para atender a uma população cada vez mais vulnerável.
Além do envelhecimento, fatores como comorbidades, uso de múltiplos medicamentos e alterações fisiológicas do trato gastrointestinal complicam o diagnóstico precoce. Muitos idosos apresentam sintomas inespecíficos que podem ser confundidos com problemas digestivos comuns, atrasando a identificação da doença em estágios avançados.
Fatores de risco e a bactéria Helicobacter pylori
A Helicobacter pylori é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como carcinógeno do Grupo 1, a mesma classificação atribuída ao tabaco e ao amianto. A infecção por essa bactéria é responsável por grande parte dos casos de gastrite crônica que evoluem para câncer gástrico.
Condições de saneamento inadequado e falta de acesso a água potável aumentam a transmissão da H. pylori. Em países como Japão e Coreia do Sul, onde as taxas de câncer de estômago são elevadas, os governos implementaram programas de rastreamento da bactéria em toda a população, permitindo intervenções precoces.
- Infecção por H. pylori – risco multiplicado por cinco quando associada a consumo excessivo de sal.
- Consumo exagerado de sal – agrava a lesão da mucosa gástrica.
- Tabagismo – necessidade de dez anos de abstinência para normalizar o risco.
- Histórico familiar de câncer gástrico – maior predisposição genética.
- Idade avançada – diminuição da capacidade de reparo celular.
Esses fatores, quando combinados, criam um cenário de alto risco que demanda vigilância constante, sobretudo em ambientes com infraestrutura sanitária precária.
Importância da endoscopia e do rastreamento precoce
A endoscopia digestiva alta é o exame de escolha para avaliar a mucosa gástrica, identificar lesões suspeitas e, quando necessário, realizar biópsias. Além de diagnosticar, o procedimento permite a remoção de lesões pré‑cancerosas em estágio inicial, semelhante ao que ocorre nas colonoscopias com pólipos.
Para pacientes idosos, o médico deve ponderar os benefícios e os riscos do procedimento, considerando comorbidades e a tolerância ao sedativo. Ainda assim, especialistas recomendam que indivíduos com histórico familiar ou sintomas persistentes sejam submetidos ao exame o quanto antes.
O rastreamento sistemático, aliado ao tratamento da H. pylori, reduz significativamente a incidência de câncer gástrico. Protocolos que combinam teste de urease, terapia antibiótica e acompanhamento endoscópico têm mostrado eficácia comprovada em populações de risco.
Iniciativas e campanhas de prevenção
A Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) lançou a campanha “Setembro Roxo”, focada na conscientização sobre o câncer de estômago. A ação visa educar familiares de primeiro grau de pacientes, que constituem o principal grupo de risco, e incentivar a busca por diagnóstico precoce.
Durante o Gastro 70+, serão apresentadas palestras sobre estratégias de prevenção, manejo clínico da H. pylori e políticas de saúde pública. O evento também contará com workshops práticos de endoscopia, permitindo que profissionais atualizem suas técnicas e conhecimentos.
Para ampliar o alcance, a campanha utiliza canais digitais, newsletters e parcerias com organizações de apoio ao idoso. O objetivo é criar uma rede de informação que facilite o acesso a exames preventivos e ao tratamento adequado.
Se você tem familiares com histórico de câncer gástrico ou apresenta sintomas como perda de peso inexplicada, dor abdominal persistente, fezes escurecidas ou vômitos frequentes, procure um gastroenterologista imediatamente. A detecção precoce ainda é a ferramenta mais poderosa contra essa doença silenciosa.
Inscrições e a programação completa do Congresso podem ser acessadas no site oficial do evento. Não perca a oportunidade de se atualizar e contribuir para a saúde digestiva da população idosa.








